Navios de apoio de combate

 
Uma tendência nos meios navais atuais são os navios de apoio de combate multifunção (Combat Support Ship) para apoiar missões em cenários de baixa intensidade com função secundária de atuar em cenários de média e alta intensidade. Os navios equivalentes usados em cenários de alta intensidade seriam os navios de apoio de frota.

Após o fim da Guerra Fria, as marinhas passaram a ter um número muito grande de navios para guerra convencional que não eram mais necessários ao mesmo tempo que a maioria das missões passaram a ser de baixa intensidade como apoiar missões de paz. As fragatas e contratorpedeiros eram muito caros de manter em operações tão simples. Um navio menos sofisticado se tornou necessário.

A primeira classe de navio de apoio de combate multifunção a entrar em serviço foi a Absalon da Dinamarca. Trata-se de um navio com deslocamento de um contratorpedeiro (6.600 toneladas) com um "flex deck", ou convés flexível, que permite receber módulos de missão conforme a tarefa pretendida. O convés flexível tem 90 metros de comprimento e 915m2 de área. Uma rampa roll-on/roll-off na popa é usada para desembarque de veículos.

O Absalon é propulsado por dois motores diesel de 22.300 hp, podendo atingir uma velocidade máxima de 24 nós. A tripulação é de 100 homens, mas tem acomodações para 170 pessoas e pode receber mais 130 pessoas em contêineres dormitórios no convés flexível. As instalações podem apoiar 300 pessoas como uma companhia com 200 tropas.

O convés flexível foi proposto para o transporte de unidades do exército, posto de comando de grupo de exército deslocado e plataforma para comandante de GT, base operacional avançada de forças especiais, e base para operações humanitárias. Um hospital em contêineres pode ser instalado no convés flexível. Como navio de transporte pode levar 55 veículos e sete carros de combate. As instalações de um estado maior de até 75 pessoas também podem ser levadas em contêineres.


Montagem destacando o convés flexível da classe Absalon.

O projeto Crossover do estaleiro Damen é outro navio de apoio de combate com formato de fragata e que usa conceito de modularidade. O navio não tem capacidade de atuar como navio tanque e se concentra nas funções de transporte e apoio logístico.

O Crossover na verdade são vários projetos que variam de 4.500 a 5.330 toneladas e capazes de levar de 150 a 200 tropas adicionais. As variantes têm especializações como segurança, apoio logístico, navio anfíbio e combatente. Dependendo dos equipamentos instalados e planejados, o Crossover pode realizar missões de guerra marítima (ASW, ASuW e AAW), operações anfíbias, apoio a forças especiais, ajuda humanitária, segurança marítima, transporte estratégico, busca e salvamento, apoio logístico, guerra de minas, apoio de drones aéreos e de superfícies e hidrografia.

O projeto Crossover do estaleiro Damen foi pensado desde o início como um navio modular.

Destaque do convés flexível do Crossover. O convés flexível do Crossover é mais curto que o da classe Absalon, mas é mais largo na popa e considera parte da área do hangar e porão de carga.

Corte interno da Crossover com mais detalhes do convés flexível.

A US Navy já estudou comprar os navios da classe Albion para substituir parte dos seus navios LCS nas missões de baixa intensidade e o Comando de Operações Especiais (SOCOM) está operando um navio mercante convertido como navio de apoio de combate.

O SOCOM já usou bases flutuantes improvisadas durante a operação Praying Maints no Golfo Pérsico em 1987. As bases eram balsas que apoiavam helicópteros do SOAR e lanchas rápidas contra embarcações iranianas que atacavam navios neutros no Golfo durante a Guerra Irã-Iraque e também lançavam minas. As embarcações iranianas disparavam foguetes de 107mm, RPG-7 e metralhadoras contra a ponte de comando dos navios mercantes. Os navios podiam ter escoltas, mas as ações ofensivas eram feitas pelas forças especiais americanas. As bases inimigas eram plataformas de petróleo abandonadas.

A experiência da Guerra do Vietnã mostrou que em guerra limitadas, as tropas devem ser baseadas na costa sempre que possível. Em 1969, o USMC começou a estudar o conceito Sea Base para poder operar sem bases em terra. As operações no Vietnã do Sul mostraram que o mar era um santuário para as tropas americanas assim como a selva ajudava o Vietcong. Durante um desembarque, os objetivos geralmente ficam bem dentro do território, mas a praia é usada mais como base de apoio logístico. Então tentariam manter o apoio logístico o máximo possível no mar.

Balsa Hercules atuando no Golfo Pérsico apoiando as forças especiais americanas em 1987.

O SOCOM agora opera o MV Ocean Trader (ex-Cragside), um navio de transporte capaz de apoiar até 200 tropas. O navio foi alugado e adaptado para apoiar missões do SOCOM na costa da Somália e Iêmen.

O MV Ocean Trader desloca 20 mil toneladas, tem 50 tripulantes civis e é capaz de sustentar uma velocidade de 20 nós. A modernização inclui um FLIR, sistemas de comunicações e equipamento de inteligência de sinais (SIGINT). O convoo é capaz de operar helicópteros do tamanho de um CH-53E e pode levar 560 mil litros de combustível JP5 para os helicópteros. O navio tem espaço nas laterais para quatro embarcações de desembarque.



Foto do MV Ocean Trader operado pelo SOCOM. A furtividade visual é poder ser confundido com outro navio cargueiro civil. O melhor lugar para instalar um convoo é no meio do navio onde ocorre menos movimento do navio em mar agitado.


No início de 2019, a Royal Navy considerou a compra de navios similares ao MV Ocean Trader no programa Future Littoral Strike Ship (FLSS). O FLSS seria uma plataforma multifuncional baseada em navios comerciais adaptados. Poderiam até ser adaptados com mísseis e armas para ataque terrestre e atuar como bases flutuantes e navios de apoio. O objetivo no uso de plataformas comerciais seria diminuir os custos e acelerar a fabricação e entrada em operação.

Os fuzileiros britânicos estão colocando em operação duas unidades de nível Companhia chamadas de Vanguard Strike Companies (VSC). Cada VSC tem cerca de 150 fuzileiros e atuam junto com navios anfíbios para mobilidade. O membros do VSC também são treinados para operar em pequenas unidades de até quatro tropas. Sistemas de navegação e comunicações atuais permitem esta capacidade. Antes operavam em grupos de oito tropas.

O Prevail Multi-Role Vessel (MRV) do estaleiro FSG foi proposto para o programa FLSS. O MVR é resultado da conversão do MV Ocean Trader e inclui capacidade de apoiar 400 tropas.


A proposta do Future Littoral Strike Ship da Royal Navy faz parte de uma das configurações da Expeditionary Strike Force. O Littoral Strike Group seria o recurso mais simples para enviar uma Força Tarefa como resposta a um conflito de baixa intensidade. O próximo passo seria enviar uma força anfíbia (Amphibious Strike Group) e/ou um porta-aviões (Joint Strike Group).

Lanchas rápidas Offshore Raiding Craft (ORC) do UKSF que podem ser levadas pelo MRV. As placas de blindagem podem ser vistas ao redor da cabina. Durante a Primeira Guerra Mundial, duas ou três metralhadoras eram suficientes para barrar o avanço de um batalhão de infantaria em campo aberto. O aprendizado foi usado no projeto de embarcações anfíbias que receberam blindagem contra metralhadoras.

A Royal Navy já operou por alguns anos o RFA Reliant que era um navio mercante Ro/Ro convertido para apoiar helicópteros. O navio recebeu um hangar na proa, um convoo e podia levar até cinco helicópteros Sea King.

O projeto das quatro fragatas F-125 da Alemanha teve uma abordagem diferente sendo uma fragata capaz de atuar em cenários de baixa intensidade como missões de estabilização, missões de paz, capacidade de apoio de fogo naval, apoio a forças especiais e controle de ameaça assimétrica. A tripulação é de 110 homens com capacidade adicional de 80 pessoas incluindo o pessoal de aviação. O navio tem quatro pequenos conveses flexível cada um podendo levar contêineres de missão ou embarcações RIBH de até 10 metros. O navio foi planejado para realizar missões de longa duração de até 2 anos com a troca da tripulação no meio da missão.


A F-125 tem dois recessos nos costados para embarcações semirígidas infláveis (RHIB) usadas pelas tropas embarcadas em incursões em terra ou tomada de outras embarcações.

Os navios Littoral Combat Ship (LCS) foram projetados como navios multifuncionais capazes de receber módulos de missões. Os módulos flexíveis permitem reconfigurar o navio para várias tarefas com guerra antisubmarino, antisuperfície, guerra de minas, inteligência, patrulha, apoio a forças especiais e apoio logístico. Os módulos incluem helicópteros, drones e rampa para embarcações leves. Na prática, cada divisão de quatro navios tem uma missão dedicada.

Os LCS são otimizados para operar no litoral sendo equivalentes a corvetas. Os navios foram projetados com capacidade de sobrevivência limitada e operam com apoio de contratorpedeiros mais capazes em cenários de maior ameaça. Realizam missões patrulha, visita a porto e anti-pirataria aliviando os navios mais sofisticados para as missões mais difíceis.

Os LCS da US Navy tem capacidade equivalente aos navios de apoio de combate.

 

Apoio logístico móvel

Um navio de apoio de combate pode ser um navio bem útil para a MB por realizar a maioria das missões e as mais comuns. Realizaria principalmente missões de baixa intensidade, longa duração, em locais bem distantes da costa, com ou sem apoio de coalizão.

Marinhas oceânicas como a Royal Navy tem muitos navios de apoio logístico e praticamente todo grupo-tarefa tem pelo menos um, como um ou dois navios de escolta e um navio tanque, permitindo operações por períodos de até seis meses. Durante a guerra das Malvinas, a Royal Navy operou com um total de 25 navios tanque, incluindo 15 convocados da marinha mercante. Uma fragata pesada chega a consumir 50 toneladas de combustível por dia em velocidade de cruzeiro. A 25 nós, o consumo chega a 5 toneladas por hora. Os navios reportam diariamente o nível de combustível e são ordenados a reabastecer quando estão abaixo de 70%, se for possível.

Durante a Guerra Fria, a US Navy operava com 15 grupos tarefa com porta-aviões (CVBG) e 10 grupos de apoio de reabastecimento (URG - Underway Replenishment Group). A US Navy investe muito em reabastecimento no mar, permitindo que suas escoltas levem menos suprimentos e armas. O espaço interno é melhor aproveitado evitando grandes áreas de armazenamento de armas, suprimentos e combustível. Por exemplo, a US Navy considera 600 tiros para cada peça de médio calibre (cano) enquanto a Royal Navy considera 300 tiros para economizar espaço. Levar água potável também consome muito espaço e preferem destilar a água do mar. Durante as operações de combate, os tripulantes consomem pouca água pois ficam a maior parte do tempo de prontidão e nem perdem tempo trocando de roupa ou tomando banho.

A função principal dos navios de apoio é o reabastecimento de outros navios com combustível atuando como navio tanque (reabastecimento no mar). O reabastecimento no mar iniciou na Primeira Guerra Mundial quando a US Navy usou um navio tanque para reabastecer contratorpedeiros indo para o Reino Unido. Na Segunda Guerra, suas escoltas no Atlântico estavam consumindo o dobro do normal devido ao mau tempo e a solução foi levar combustível extra nos navios mercantes e depois passar para as escoltas. Na década de 1930, calcularam que o contratorpedeiro USS Mahan usava 1.800hp para navegar a 15 nós, mas contra um vento de 25 nós frontal (40 nós no total) usava 2.335hp. Responder a contatos e depois voltar também forçava uma velocidade média alta com maior gasto de combustível, assim como o trajeto em zig-zag para evitar ataques de torpedos aumentava a distância percorrida.

Na campanha do Pacífico, os navios tanques de frota eram usados para apoiar incursões do tipo "hit-and-run". Os porta-aviões eram considerados muito vulneráveis a ataques de aeronaves em terra e teriam que lançar incursões de surpresa antes da presença ser determinada. Aproximariam do alvo a noite para chegar no ponto de lançamento a primeira luz para atacar pela manhã com as aeronaves inimigas ainda em terra. Foi a tática usada pelos japoneses contra Pearl Harbor. A corrida era feita a noite a 25-30 nós e logo voltavam sem combustível até os navios tanque para reabastecer.

Nas operações de larga escala, os navios tanque permitiram que os Grupos Tarefas operassem por longos períodos sem precisar voltar nos portos para reabastecer e rearmar. Reabasteciam a cada 3 ou 4 dias sendo que demoraria 10 a 12 dias até as bases mais próximas.

As operações no Pacífico levou a várias melhorias. Os navios de guerra passaram a se aproximar dos navios tanque e não mais o contrário. Passaram a usar uma mangueira única para os navios grandes e pequenos e não precisavam mais trocar para evitar perda de tempo. Os contratorpedeiros abasteciam nos couraçados que depois reabastecia nos navios tanque e com menos frequência. Novas estações de transferência de cargas permitiam reabastecer com mais separação e segurança e em mau tempo. Foi adicionado estações capazes de realizar transferência de carga e não só de combustível. Os navios tanques passaram a levar outras cargas como tanques extras para caças, cargas de profundidade, munição, carga seca, medicamentos, correio, pessoal substituto e passageiros.

Após a Segunda Guerra, a grande autonomia dos couraçados levou a vários projetos de conversão como navio de defesa aérea, apoio de fogo naval, transporte de tropas e reabastecimento rápido. Os 15 couraçados da US Navy já estavam realizando funções secundárias como apoio de fogo naval, escolta de porta-aviões, comando de frota (fleet flagship) e testes de armas. A conversão para defesa aérea receberia pelo menos dois lançadores de mísseis Terrier ou Talos, além de mísseis Regulus ou Polaris.

Os couraçados foram propostos para conversão como navio tanque, além de receber mísseis e instalações para atuar como flagship. Receberia 8.600 toneladas de combustível extra atingindo um total de 16.500 toneladas. Para comparação, as classes Cimarrom levava 14.500 toneladas e o Neosho levava 21.500. Outra proposta de 1955 não adicionaria armas, mas poderia levar carga, podendo apoiar porta-aviões rápidos.

Os porta-aviões da US Navy operando no Vietnã ficavam em operação por cerca 30 dias no mar e uma semana em descanso em terra. As escoltas têm autonomia de 3 a 6 semanas e teoricamente poderiam reabastecer em terra, mas costumam reabastecer no mar com frequência para manter os estoques de combustível e armas sempre cheio. Em tempo de paz raramente ficam mais do que duas semanas direto no mar.

Os navios de apoio de combate rápidos da US Navy são grandes navios de apoio logístico de combate que transportam combustível, munição e suprimentos. Levam quase 10 milhões de litros de combustível, 2.100 toneladas de munição e 750 toneladas de cargas. Recebem os suprimentos de outros navios e redistribuem para os navios de um Grupo Tarefa centrado em um porta-aviões. O objetivo é diminuir o número de navios que acompanham o GT e permite transferir suprimentos mais rápido evitando passar por vários navios (tanque, armas e suprimentos). A US Navy opera com a classe Supply e Sacramento (desativada). A China desenvolveu o navio de apoio de combate rápido Type 901 com capacidade similar.

Os navios tanque e de munição da US Navy passaram a ter capacidade multiproduto mesmo que limitada. Os navios tanque já transferiam outras cargas desde a Segunda Guerra. Os navios de munição passavam combustível limitado para escoltas e passou a ser uma tarefa definitiva.

O porta-aviões São Paulo navegando na velocidade máxima consumia mais de 27 toneladas de óleo por hora. Em uma velocidade de cruzeiro de 22 nós gastava 7,5 toneladas. O navio levava 3.400 toneladas de óleo e 1,5 milhões de litros de QAV. Uma fragata classe Niterói leva 480 toneladas de combustível com autonomia de 45 dias.

A MB opera o navio tanque Almirante Gastão Motta (G23) desde 1990. Com um deslocamento máximo de 10 mil toneladas e velocidade máxima de 20 nós, pode levar 5 mil toneladas de carga. O G23 é o único navio tanque disponível da Esquadra e a MB pode precisar de outro navio tanque quando estiver indisponível em manutenção demorada. Outros navios maiores poderiam realizar reabastecer navios menores como o NAM Atlântico e o NDM Bahia, mas serve mais como treinamento.


O Gastão Motta reabastecendo um navio anfíbio da classe Mistral. O Gastão Motta pode levar 4.400 toneladas de combustível, sendo 5.100.000 litros de diesel MAR-C e 608.000 litros de JP-5, mais 200 toneladas de suprimentos diversos. O navio está equipado com uma estação de transferência de cargas (RAS - Replenishment at Sea) em cada bordo a meia nau.


O NDM Bahia reabastecendo uma fragata classe Niterói. A capacidade de operar por longas distâncias ou longa duração, sem precisar de apoio de outro navio ou base em terra é uma característica dos cruzadores.

O estaleiro polonês MMC & Remontowa propôs um navio de apoio logístico furtivo (Stealth Logistic Support Vessel) para a marinha da Polônia. O navio teria 116 metros de comprimento e um deslocamento de 6.100 toneladas e seria operado por 60 tripulantes. A propulsão é feita por dois motores diesel com 5.000 kW e dois motores elétricos de 2.500 kW. A velocidade máxima é de 20 nós e o alcance de 8.000 milhas a 15 nós com autonomia de 30 dias.

O navio tem um convés flexível capaz de levar 11 contêineres de 20 pés ou oito blindados ou caminhões com rampa traseira para desembarque. A capacidade de transporte de combustível é de 1.500 toneladas de combustível naval, 50 toneladas de combustível de helicóptero e 200 toneladas de água. Uma regra simples é considerar que um navio de reabastecimento pode apoiar o mesmo deslocamento, então o MMC poderia apoiar duas fragatas classe Niterói ou três corvetas da classe Barroso. Como a maioria das missões da MB é de treinamento, a pequena capacidade de apoio logístico do MMC seria suficiente ou então daria conta de apoiar um grupo tarefa pequeno com navios pequenos como corvetas. A maioria das missões operacionais são cenários de baixa intensidade como as missões de paz com um ou poucos navios.

As escoltas fazem reabastecimento de outros navios em uma escala bem menor. Podem transferir combustível para outras escoltas com nível critico de combustível assim como outros suprimentos e munições. Por exemplo, as peças de reposição dos helicópteros são espalhados em vários navios para evitar que a perda de um resulte na parada de todos e nem é possível levar todas peças em todos os navios. Os contratorpedeiros líderes de flotilhas de lanchas torpedeiras eram usados para reabastecer as lanchas.


O navio da MMC foi projetado para realizar várias missões como reabastecimento de líquidos e sólidos, operações de helicópteros, transporte de veículos, ajuda humanitária e patrulhas de longo alcance.


Montagem do projeto da MMC com maior tamanho incluindo um convés de armas no meio do navio para levar lançadores de mísseis.

Um navio de apoio com capacidade de reabastecimento de outros navios seria apenas um tipo de navio de apoio de combate pois a maioria dos projetos tem função de apoio logístico ou transporte rápido. As missões de longo alcance/longa duração precisam também de suprimentos, água e manutenção. As forças tarefas de apoio da US Navy na Segunda Guerra incluiam rebocadores de esquadra para rebocar navios danificados e navios tanque de água pois as operações anfíbias precisavam de muita água para as tropas. Os contêineres de 20 ou 40 pés instalados no convés ou compartimento de carga podem ser usados para deslocar instalações modulares como hospital, centro de comando, dormitório e oficina de manutenção.

Além de apoiar outros navios no mar, os navios de apoio logístico estão apoiando tropas em terra, e transportando tropas, veículos e equipamento. Geralmente são missões de paz. A maioria das missões de paz tem um pequeno contingente e não precisa do apoio de um grande navio como NDM Bahia para serem transportados. Um navio de apoio de combate pode levar tropas, veículos e cargas para apoiar um contingente menor. Pode até permanecer no local para apoio logístico durante as fases iniciais. O convés flexível é um dos requisitos e precisa de instalações para apoiar a tropa como banheiros e cozinha.

Atuando como transporte de tropas, geralmente também levam veículos e suprimentos por um período de tempo, 20 ou 30 dias de operações. Por exemplo, um esquadrão do SAS deslocado para as Malvinas preparou 15 toneladas de equipamentos para um esquadrão com 65 tropas, mas ainda usou os suprimentos dos navios onde eram transportados.

Os navios anfíbios são projetados com a capacidade de levar tropas, cargas e veículos (espaço e volume) além dos meios de levar até a praia. No caso de um navio de apoio de combate, geralmente serão ações de baixa intensidade e podem até ir direto para um porto. Os veículos de desembarque podem ser botes de borracha ou usam os helicópteros que também irão levar as cargas. Os botes de borracha não têm capacidade de levar veículos até a praia e a única opção seriam pequenos veículos 4x4 levados pelos helicópteros.

Um doca alagável seria altamente desejável para as operações anfíbias, mas ocupa muito espaço. A doca alagável permite rapidez no desembarque e por isso acabou sendo adotada pelos navios anfíbios. Os navios de assalto anfíbio tem que desembarcar tropas e cargas o mais rápido possível para sair da área de assalto. Na Segunda Guerra Mundial, o requisito era desembarcar em 12 a 24 horas para diminuir a exposição a contra-ataques. Os navios da época ficavam cheios de embarcações de desembarque empilhadas no convés para poder levar as tropas em pelo menos duas vagas. Os navios que apóiam as fases posteriores de um assalto anfíbio não precisam desembarcar com rapidez. Os LST abicando na praia descarregava seus veículos em duas horas enquanto com embarcações de desembarque demorava de 4 a 6 dias. Os navios RO-RO aproveitam menos o espaço, mas carregam e descarregar mais rápido.

A doca permite melhorar a capacidade de modularidade ao permitir levar embarcações como caça-minas, navios patrulha ou drones com o navio atuando como navio-mãe. A outra opção é usar rampa ou gruas/turcos para embarcações menores. O conceito de basear drones de superfície em um navio-mãe remonta aos cruzadores que levavam lanchas torpedeiras no século XIX. Os torpedeiros eram inadequados para navegar em alto mar e precisavam de um navio maior para viagens longas e fazer bloqueio na costa inimiga.

As lanchas semi-rígidas como as Zodiac são as mais usadas para infiltrar tropas na praia ou lançar mergulhadores de combate próximos do alvo/zona de desembarque. Se o alvo for próximo da base podem ir direto, mas se o alvo for distante precisam de um navio-mãe para aumentar o alcance e apoiar com velocidade, proteção, conforto e e meios de comunicações. Um navio doca apóia em distâncias muito longas. Um navio doca ainda pode levar um barco patrulha que depois leva as Zodiac até próximo do alvo e depois fornecem apoio na extração quando perdem o efeito surpresa. As operações reais dos mergulhadores de combate mostram que podem precisar de apoio ou pelo menos fugir rápido.


A popa da Absalon tem um guindaste capaz de operar lanchas SRC-90E de 7,4 toneladas. Até duas lanchas podem ser levadas e apoiaria operações anfíbias e forças especiais. Lanchas de alto desempenho são usadas em ações de maior alcance permitindo que o navio mãe fique longe da área de operação. A lancha ainda pode lançar botes de borracha menores que irão realizar o desembarque final. Durante a extração, a velocidade é importante pois a surpresa já foi perdida. Poder de fogo e blindagem leve pelo menos contra armas leves podem ser necessários em uma extração "quente".

Um drone de superfície Madfox operando a partir de uma doca de um navio anfíbio britânico. Inicialmente os navios doca levavam embarcações anfíbias, mas também passaram a levar lanchas torpedeiras, lanchas patrulhas e varredores de minas.

Foto do USS Wachapreague (AGP-8) reabastecendo lanchas torpedeiras em outubro de 1944 entre Palau até Leyte. Um exemplo de navio de apoio múltiplo da Segunda Guerra podem ser os navios-mãe de lanchas torpedeiras (Motor Torpedo Boat tender). A classe Barnegat apoiava as lanchas torpedeiras em locais remotos fornecendo combustível e provisões. Era armado como um contratorpedeiro de escolta com dois canhões de 127mm e artilharia de 40mm e 20mm, além de cargas de profundidade e sonar. Chegaram a realizar missões de apoio de fogo naval. Tinha acomodações adicionais para 150 pessoas. Levava 48 torpedos extras para as lanchas e tinha oficinas de reparo de torpedos e motores.

 

Apoio de aviação

Outra possível função dos navios de apoio de combate é atuar como plataforma de helicóptero apoiando ações no mar e em terra. As instalações de helicópteros incluem um convés de voo (convoo) e um grande hangar para manutenção e reabastecimento que agora fazem parte dos projetos dos navios de apoio. Para operar com helicópteros, o navio precisa ser idealmente estabilizado o que também irá facilitar o trabalho das armas e sensores.

Foi na década de 1950 que os helicópteros foram sugeridos para levar armas anti-submarino. Podiam substituir as armas da época como os morteiros Limbo e Squid. A Royal Navy investiu nos helicópteros Wessex equipados com um sonar que seria equivalente a um navio adicional equipado com sonar de profundidade variável (VDS). Testaram primeiro embarcados nos porta-aviões e queriam equipar suas escoltas com hangares para levar um helicóptero maior. A aeronave faria busca e ataque, mas precisaria de mais combustível nas escoltas (cerca de 20 toneladas).

As fragatas Type 22 podiam levar dois helicópteros Lynx que permitia manter uma patrulha contínua por 14 horas. Os navios de suprimento Fort Victoria foram projetados para levar cinco helicópteros Sea King para guerra antisubmarino para aumentar a capacidade de um Grupo Tarefa. Os helicópteros também chegam a triplicar o número de horas voadas durante os combates e ficar baseados no navio de reabastecimento já simplifica.

As missões de apoio aéreo aproximado consomem muito combustível e munição e podem ser realizadas por helicópteros embarcados. Os porta-aviões da US Navy costumam realizar operações aéreas por três a quatro dias e depois reabasteciam e rearmavam.

O porta-aviões Hermes foi usado para lançar helicópteros Sea King a noite para desembarcar patrulhas de reconhecimento do SAS e SBS ao redor das ilhas Malvinas. Se aproximava rápido com duas escoltas e depois fugia rápido antes do amanhecer. É uma tarefa que poderia ser passada para navios menores como os navios de apoio de combate sem arriscar uma unidade de alto valor.

Para conseguir um bom efeito de choque, o USMC planeja desembarcar o primeiro escalão de assalto em 90 minutos. Seria 5.500 tropas e 425 toneladas de carga equivalente a uma Brigada reforçada. O assalto aéreo atingiria pontos até 80km dentro da praia. Usariam helicópteros com capacidade de carga de 2 e 4 toneladas. Calcularam que seria necessário 300 saídas da aeronave menor ou 105 da aeronave pesada. Seria necessário uma frota de 100 helicópteros médios e 53 pesados. Uma força do tamanho de uma Companhia com 150 tropas seria 36 vezes menor e precisaria de 5 ou 6 helicópteros médios, mas a quantidade de aeronaves pode diminuir se aumentar o tempo para desembarcar. Um navio de apoio de combate leva poucos helicópteros, mas as escoltas podem levar helicópteros adicionais.

Além dos helicópteros, as escoltas estão sendo usados como navio-mãe de drones aéreos. Os drones tem vantagens como o tamanho menor e consomem menos combustível. Um exemplo prático de operação real apoiada por helicópteros seria a retomada das Ilhas Georgia do Sul em 1982 pelos britânicos. O GT enviado consistia de duas escoltas e dois navios de apoio equipados com helicópteros Wessex e 120 tropas dos fuzileiros, SAS e SBS. Foi uma incursão anfíbia que não necessitava de meios sofisticados pois não era esperado ameaça aérea e havia poucas tropas argentinas no local. A missão iniciou com o reconhecimentos de locais onde poderiam ter tropas argentinas. Primeiro tentaram infiltração com helicópteros, mas o mau tempo atrapalhou. Depois tentaram infiltrar com botes de borracha. A missão de reconhecimento poderia ser realizada agora por drones. Estimavam que demoraria cinco dias entre a inserção, movimentação até o ponto de observação e o reconhecimento, sendo que um drone poderia iniciar assim que chegassem e nos vários pontos suspeitos de terem tropas argentinas. O drone poderia ser lançado a cerca de 500 km da ilha para gravar imagens e depois ser recuperado sem precisar de linha de visada de rádio. Durante a noite até os helicópteros ou navios equipados com um FLIR de longo alcance poderiam ser usados. As tropas argentinas se renderam após duas horas de bombardeiro naval contínuo ao redor das suas posições para demonstrar que seriam facilmente dominadas. As tropas britânicas foram desembarcada pelos três helicópteros dos navios em várias vagas.



O hangar da Classe Absalon é capaz de receber dois helicópteros de médio porte como o Merlin. Mais de um tipo de helicóptero pode ser necessário como um Esquilo ou H-135 para operações mais simples e uma aeronave mais sofisticada como o Lynx e MH-16 para tarefas mais complicadas. Por outro lado, duas tripulações de apoio seriam maiores que a de um modelo único.

s Os drones agora estão tomando o lugar de parte das missões dos helicópteros embarcados. A imagem é do lançador de um drone ScanEagle sendo lançado da fragata australiana HMAS Newcastle durante operações no Oriente Médio. O Scaneagle pode operar de embarcações bem pequenas. Foi testado no NaPaOc Amazônia e já está em operação na MB.

Um MH-60 e um Fire Scout operando de um LCS da US Navy. Os LCS foram projetados para serem navio mãe de drones.

 

Transporte rápido

Os transportes de alta velocidade (Auxiliary Personnel Destroyer - APD) usados pela US Navy na Segunda Guerra mundial eram contratorpedeiros mais antigos adaptados para levar uma Companhia de fuzileiros de 120 soldados por 48 horas (podendo levar até 200) e 40 toneladas de cargas, como um obuseiro de 75mm e munição. Seriam usados em pequenas incursões contra as praias inimigas. Após o desembarque, o navio continua apoiando as tropas com apoio de fogo naval, contra alvos em terra e no ar, e continua cobrindo a praia onde as tropas desembarcaram.Quatro embarcações de desembarque LCPL eram levadas para desembarcar as tropas e cargas.

Apesar do termo "rápido", eram relativamente lentos, navegando a no máximo 25 nós, mas era bem mais rápido que a maioria dos navios transporte de tropas da época. A velocidade podia ser usada para fugir caso fosse necessário. Os APD também realizavam outras missões como escolta de navios de transporte, transporte de carga e passageiros e operações de minagem.

Os APD foram planejados para operar em ilhas defendidas por submarinos. Recebiam as tropas dos navios de transportes de tropas e levavam até a área de desembarque durante a noite a cerca de 350 km. O navio tinha requerimento de ser rápido e ter capacidade de realizar apoio de fogo até com as metralhadoras a curta distância. Esta missão já tinha sido feito antes pela Royal Navy em Galipoli durante a Primeira Guerra Mundial quando dois couraçados foram afundados por submarinos e queriam evitar navios parados na costa. Então passaram a usar contratorpedeiros para levar tropas até a praia.

O Japão também usou contratorpedeiros, cruzadores e até submarinos para transportar tropas para reforçar suas ilhas no Pacífico por dois anos. As missões eram chamadas de Expresso de Tóquio e era realizada frequentemente a noite para fugir das aeronaves de reconhecimento. Os navios transportavam cargas e tropas ou evacuavam tropas e feridos. Os contratorpedeiros japoneses levavam entre 150 a 300 tropas dependendo da duração da viagem, mas as tropas só podiam levar equipamentos leves. Divisões de contratorpedeiros eram usados para levar divisões de infantaria em alguns dias. Para desembarcar as cargas mais rápido, lançavam em barris amarrados e esperavam que fossem levados pelas marés até a praia. Um contratorpedeiro podia levar cerca de 100 barris e eram lançados a 200-300 metros da praia. A maioria não era recuperado e as tropas japonesas ficaram sem suprimentos. O Japão decidiu evacuar as tropas e novamente foram usados os contratorpedeiros.

A Royal Navy estudou modificar alguns contratorpedeiros da classe River em 1943 para transportar passageiros. A Royal Navy já tinha usado navios de guerra para levar cargas críticas até a ilha de Malta e queriam navios dedicados. O navio levaria 200 toneladas e 52 passageiros, mas o projeto foi cancelado.

A Royal Navy depois adaptou alguns contratorpedeiros para atuar como Assault Group HQ , para apoiar uma Brigada até que o posto de comando possa se estabelecer na praia. Eram usados dois navios para cada divisão anfíbia. O navio levava 12 oficiais e seis praças adicionais, mais espaços para comunicações extras e tinha capacidade de direção de caças. Uma embarcação de desembarque era usada para levar material e pessoal para a praia. Seis contratorpedeiros foram convertidos para apoiar a invasão da Normandia e três para apoiar unidades no Pacífico.

Os lança minas britânicos da classe Agbdiel eram os navios que mais se aproximam aos APD da US Navy. O navio podia levar cerca de 150 minas em um convés coberto e o local era usado para transportar cargas e pessoal para locais isolados como Tobruk ou Malta. O navio era relativamente rápido e bem armado sendo até considerado um cruzador lança-minas pois foram projetados para lançar minas nas águas inimigas, próximo de portos e tinham um tamanho relativamente grande.

O APD podia levar uma companhia de fuzileiros e cinco a nove APD levavam um batalhão, mas sem o equipamento pesado. Geralmente transporta por alguns dias ou só a curta distância. Até os contratorpedeiros não convertido realizavam a missão aproveitando as embarcações de desembarque outros navios. Em 1941, foi proposto operar por 30 dias levando 148 tropas. Foram usados para levar equipes de reconhecimento e demolição (UDT). Três APD apoiavam uma divisão de fuzileiros e podiam ser usados como navio de comando (flag ship). Faziam reconhecimento do local e demoliam obstáculos antes do assalto anfíbio principal.

Os APD mostraram ser bem úteis e 26 foram convertidos no início da Segunda Guerra a partir de contratorpedeiros da Primeira Guerra e depois . Faziam apoio de fogo localizado e liberavam os contratorpedeiros mais sofisticados para outras missões. Os APD continuaram a ter capacidade de guerra anti-submarino com cargas de profundidade e sonar de ataque. Também faziam escolta dos grupos anfíbios. Depois da Segunda Guerra, a US Navy queria converter mais contratorpedeiros pois mostraram ser bem úteis.

A US Navy operava 11 APD e queriam chegar a 100 navios. Em setembro de 1943 foi sugerido converter 100 contratorpedeiros de escolta para APD. No total foram 95 convertidos. Cada APD convertido levaria 160 tropas, quatro LCVP, seis veículos 4x4, dois caminhões de 1 tonelada, quatro obuseiros de 75mm e quatro carretas de munição (as tropas diminuíam para levar mais carga). O APD tinha capacidade de levar 170 metros cúbicos de munição, cerca de 3,5 toneladas de carga e mil litros de combustível. A missão do APD era tomar ilhas pequena ou uma cabeça de praia de até 5km de profundidade por duas semanas. Após a Segunda Guerra, atuavam mais nas fases inicias de um assalto anfíbio como reconhecimento e lançando mergulhadores de combate.

Durante a Guerra da Coréia, os APD realizaram missões de infiltração de agentes, incursões e assaltos anfíbios e evacuação de tropas. Uma incursão do USMC apoiado pelo Cruzador USS Juneau (CL 119) contra túneis ferroviários em Tanchon em 11/12 julho de 1950 mostrou que as incursões contra pontes e túneis podem ser efetivas. A missão passou para os mergulhadores de combate UDT que passaram a treinar para a missão. Os UDT eram apoiados por cinco APD. Dois pelotões UDT deslocado por APD em seis a oito semanas de cada vez. O APD podia levar uma equipe completa de 100 UDT. O APD era armado com um canhão de 127mm, seis de 40mm e oito de 20mm. Levavam duas lanchas de desembarque LCVP ou LCP(R) para apoiar o desembarque.

O APD se aproximava a até 4-5 km da praia e atuava como navio mãe. As LCV(P) e LCPR levavam os botes de borracha LCR(S) até 1 km da praia. Os UDT remavam até próximo da praia a cerca de 150 metros para reconhecimento e nadavam até a praia para sinalizar se está segura. Evitavam combate e se tem inimigo no alvo vão para o alvo secundário. Tropas do Force Recon do USMC podem cobrir o perímetro para os UDT colocarem as cargas de demolição. Os alvos eram pontes ferroviárias, entrada de túneis e cortes nos trilhos. Os explosivos levados podiam destruir tudo menos os túneis ferroviários. O APD também participava das incursões bombardeando pontes, fabricas e armazéns com o canhão de 127mm. A missão primária dos UDT ainda era avaliar se as praias eram adequadas para assalto anfíbio. Na Coréia já passaram a expandir as missões como limpar minas marítimas na costa, e incursões de demolição em terra a partir da praia e apoiar a infiltração de agentes e guerrilha.

O APD continuou sendo útil durante a guerra no Vietnã. Eram usados para transportar equipes de reconhecimentos e mergulhadores. Eram usados como centro coordenação de interdição no mar para bloqueio marítimo, interdição com apoio de fogo naval, vigilância e reconhecimento eletrônico, alerta aéreo com radar e operações de engodo. O último APD foi retirado de serviço em 1969. Quatro receberam modernização FRAM com dois lança-torpedos Mk32, sonar, contramedidas eletrônicas e um CIC maior. Sete APD foram usados como navio de comando (flagship), comandando uma divisão de contratorpedeiros ou flotilha de navios de assaltou com esquadrão de transporte. Um APD transferido para o México foi usado como navio escola.

Os APD não tiveram substitutos pois apareceram outros meios para apoiar incursões de pequenas unidades como os helicópteros e os submarinos lançando mini-submarinos para transporte de mergulhadores. Os navios escolta adaptados não levam helicópteros em número suficiente e os submarinos apoiando forças especiais eram melhores para conseguir surpresa ou operar em local com muita ameaça, apesar de serem bem menos capazes que os APD. A US Navy adaptou dois submarinos da Segunda Guerra para transportar 123 tropas cada e planejava operar 12 submarinos para levar um batalhão de fuzileiros reforçados. O USMC passou a considerar que a grande maioria das operações anfíbias será no nível de batalhão (MEU).

O couraçado North Carolina foi proposto para conversão em navio anfíbio com capacidade de levar 1.880 tropas e 28 helicópteros. Os canhões de 406mm seriam retirados e só seria mantido oito torres duplas de 127mm. Na década de 1960, a ênfase passou para operação com forças dispersas e ações de pequena escala e os couraçados seriam úteis.

Os couraçados da classe Iowa foram propostos depois para conversão como Commando Ship com capacidade secundária de reabastecer outros navios. Levaria 1.800 tropas e 32 helicópteros. O projeto virou o Heavy Assaullt Ship. Na época a US Navy precisava de muitos navios anfíbios já prevendo que a frota de navios anfíbios construídos na Segunda Guerra Mundial teria baixa prevista para 1969 a 1972. Os grupos anfíbios da época eram acompanhados por um cruzador para apoiar missões de apoio de fogo naval e os grupos com o Commando Ship seria menores e mais baratos. Os couraçados da US Navy já tinham sido usados para trazer as tropas americanas da Europa e Pacífico.

Os 55 navios LCS da US Navy foram planejados para substituir 10 navios anfíbios maiores para realizar guerra irregular no litoral. A US Navy usa seus navios anfíbios para apoiar forças especiais, mas são superdimensionados para a missão. A capacidade do LCS inclui operar com helicópteros de ataque do USMC como o UH-1Y Venom e AH-1W Super Cobra. O convés flexível pode receber módulos de dormitório e as cabinas de dois lugares podem ser convertidos para três pessoas.

As escoltas britânicas também tinham função de apoiar pequenas operações na Guerra Fria. Eram armadas com um canhão médio para a missão. O projeto da Type 19 considerava levar um pelotão ou refugiados, um canhão de médio calibre, helicóptero para reconhecimento e comunicações, e um bote com boa capacidade de desembarque. As fragatas Type 22 foram projetadas com acomodações adicionais para acomodar um destacamento de fuzileiros.

Sem os helicópteros Chinook que foram perdidos com o afundamento do Atlantic Conveyor, os britânicos tiveram que enviar dois navios anfíbios, o RFA Sir Tristram e o RFA Sir Galahad, para realizar um desembarque secundário em Bluff Cove levando tropas da 5a Brigada. Os navios foram avistados por tropas no Monte Harriet e chamaram um ataque aéreo. Os dois navios foram atingidos. O desembarque seria um exemplo de missão mais atual para um navio de apoio de combate atuando com transporte rápido. Desembarcaria as tropas a noite e fugiria antes do amanhecer para não ser detectado. Também teria maior capacidade de autodefesa pois os navios britânicos operaram sem escoltas. Um lançador de mísseis Rapier foi desembarcado, mas estava com pane.

Foto do USS Begor, um transporte rápido da classe Crosley. Foi uma adaptação dos contratorpedeiros de Escolta. O navio desloca 1.450 tons e leva 160 tropas. A velocidade máxima era de 23 nós e a velocidade de cruzeiro de 15 nós. Para a época era um transporte "rápido" visto que os navios de transporte da época tinham velocidade máxima de 11 nós como a classe Liberty e 13 a 16 nós para os LST. A classe demorou a ficar pronta para atuar na Segunda Guerra, mas atuou na Guerra da Coréia.

Durante a Segunda Guerra, a marinha japonesa perdeu muitos contratorpedeiros que eram usados para transporte na campanha de Guadalcanal (Expresso de Tóquio). A reação foi projetar um transporte rápido para penetrar a linha de frente com o navio de desembarque classe 1 baseado em um contratorpedeiro adaptado. Foi adicionado uma rampa traseira para descarregar rapidamente as embarcações de desembarque e até um lastro para baixar ainda mais a rampa. A função primária era transporte, mas eram boas escoltas e viraram navios multipropósito, atuando também como lança minas e escolta. Na imagem acima, o navio está levando minisubmarinos nos trilhos do convés.



Um navio equivalente atualmente aos APD seria os HSV como mesmo deslocamento, mas com dobro da velocidade de cruzeiro, mas o HSV só faz transporte ponto a ponto, de um porto ao outro.



Devido a falta de peças de reposição para os seus contratorpedeiros classe Type 42, a Argentina resolveu converter o ARA Hércules como navio de transporte rápido com capacidade de levar 238 fuzileiros. O navio recebeu um hangar capaz de levar dois helicópteros Sea King armados com mísseis AM-39 Exocet.

Módulos da Crossover na função de incursão anfíbia. A imagem mostra o sistema de lançamento e recuperação de um drone ScanEagle. O drone é usado para apoiar as missões de Comando & Controle de uma incursão anfíbia. O drone pode acompanhar as embarcações de desembarque, vigiar a zona de desembarque e detectar forças inimigas. As imagens de corte interno da Crossover mostram que o hangar pode receber contêineres.


As escoltas atuais estão sendo projetadas com um pequeno convés flexível. A imagem é do convés flexível de uma fragata Type 26 da Royal Navy. O espaço permite levar contêineres modulares.

Contêiner dormitório adaptado.

Ainda na função de transporte estratégico, uma missão defensiva seria a evacuação de brasileiros em uma país em crise. O navio precisaria de uma boa velocidade para cobrir grandes distâncias e chegar rápido ao local se não for possível pré posicionar prevendo a possibilidade de uma missão de evacuação. Os navios de passageiros atuais fazem geralmente mais de 20 nós em cruzeiro. Seria uma velocidade de referência, mas a velocidade econômica dos comboios costuma ser de cerca de 15 nós e as escoltas manobram na velocidade de evolução de 18 nós para manter ou trocar a posição na formatura.

Na Segunda Guerra, os submarinos tinham velocidade média de 10 nós e um navio navegando a 15 nós estava relativamente protegido. No fim da Guerra apareceram os submarinos com velocidade de 16,5 nós submersos e aumentaram os requisitos dos navios anfíbios para 20 nós para acompanhar as escoltas. Os submarinos nucleares e os mísseis anti-navio deixou este requisito desnecessário. A velocidade de 20 nós foi mantida para dar versatilidade. Em distâncias mais curtas como no Atlântico e Mediterrâneo, a velocidade de 13 nós era suficiente.

A US Navy costuma enviar seus navios para locais em crise e ficam pré posicionados esperando serem chamados. Um exemplo foi a evacuação dos poucos americanos no Vietnã do Sul em 1975 quando previam a possibilidade de derrota das forças do Vietnã do Sul e estavam preparados com um grupo tarefa com um porta-aviões no local.

Enviar uma escolta como uma fragata para apoiar missões de evacuação implica em enviar também um navio de reabastecimento. Seria mais simples enviar o navio de reabastecimento com capacidade de realizar a evacuação ou os dois atuam juntos na missão com capacidades complementares.

Transporte de equipamentos e suprimentos em missões apoiando crise humanitária ou desastre (humanitarian assistance/disaster relief - HADR) seria outra missão dos navios de apoio de combate sendo um meio de resposta rápida contra desastres naturais ou não, realizando transporte de ajuda médica, alimentos, apoio logístico e meios de segurança. Seriam usados quando o tamanho e a quantidade de carga pode ser pequeno e a velocidade seria mais importante. Geralmente são enviados navios anfíbios nestas missões e continuam sendo necessários em caso de grandes cargas.

Um convés flexível pode ser transformado em um centro hospitalar de primeira linha embarcado apoiando ações próximo a costa como em caso de calamidade pública ou operações militares convencionais. Uma opção seria a possibilidade de deslocar o hospital para uma base em terra. A enfermaria deve ser capaz de apoiar cerca de 2% da tripulação ou poucos leitos. Para apoiar feridos durante um assalto anfíbio deve ter uma enfermaria maior e podem ser instalados no convés flexível.


Detalhes do projeto Crossover com módulos para atuar como navio hospital no convés flexível.


A classe Ary Parreira seria um exemplo de navio de apoio de combate da MB, mas sem muitas das capacidades citadas. A classe Ary Parreira desloca 7.433 toneladas e pode levar 4.000 toneladas de carga. A velocidade máxima era de 15 nós. As cargas são passadas para as embarcações de desembarque por guindaste o que é demorado. Os navios doca aproveitam menos o espaço interno, mas carregam e descarregam mais rápido o que é mais importante durante um assalto anfíbio. O desembarque tem que ser rápido para evitar contra-ataques e por isso tem que descarregar a carga de assalto em 12 a 24 horas.



Um exemplo mais recente de navio que poderia atuar como navio de apoio de combate seria o NDCC Almirante Saboia (G-25). O G-25 desloca 6.700 toneladas, tem 49 tripulantes e atinge uma velocidade máxima de 17 nós.



Comando & Controle

Outra função que está sendo adicionada aos navios de apoio de combate é a missão de Comando & Controle (C2). A classe Absalon foi projetada para apoiar um Estado Maior de Grupo Tarefa de 75 pessoas para missões de C2, ou o comando de um Batalhão de infantaria. Operam em contêineres adaptados para a missão e usam os sistemas de comunicações do navio. Os navios de comando de unidades de maior tamanho passaram para bases em terra graças as comunicações por satélite.

Levando uma Companhia de fuzileiros ou equivalente, a unidade de comando seria equivalente a um pelotão de comando enquanto está no navio. Depois passa a operar em terra dependendo da missão, incluindo os veículos. O Grupo Tarefa ou comboio também pode estar usando o navio como flag ship. As escoltas não são adequadas para apoiar operações anfíbias pois podem ter que se afastar para outra missão.

Atuar como flagship já foi uma das missões das escoltas. Os contratorpedeiros atuavam como líder de flotilha de torpedeiros enquanto os cruzadores atuavam como líder de flotilha de contratorpedeiro. Uma navio maior era necessário para contrapor ataque de navios equivalentes aos liderados e conseguir superioridade. Os contratorpedeiros eram tantos que os contratorpedeiros maiores tiveram que atuar como líder de esquadrão de contratorpedeiros. Os comboios eram liderados por contratorpedeiro, geralmente os mais bem equipados. Durante a Segunda Guerra, os APD já foram usados para C2 de operações anfíbias de menor escala.

Como centro de comando, o navio precisa de um COC (centro de operações de combate), sala reuniões (war room) e salas para oficiais como inteligência, operações e logística. As comunicações precisam estar operando 24 horas por dia. São necessários comunicações de longo alcance com a terra e navios, curto alcance com navios, unidades aéreas e tropas em terra. Pedir apoio de fogo é um exemplo e precisa de um centro de coordenação de armas. O navio precisaria de sistemas de COMINT (inteligência de comunicações) para apoiar as operações, mas podem estar disponíveis em outras escoltas.

Os primeiros torpedeiros e contratorpedeiros precisavam da ajuda de um navio maior com boas instalações de navegação e plotagem, meios de comunicações e melhores rádios. Os contratorpedeiros líderes de flotilha de torpedeiros tinham capacidade de rebocar os torpedeiros e as vezes reabastecer com combustível, davam apoio de fogo contra inimigos mais poderosos e ajudavam na navegação e comunicações. Um líder de flotilha ou divisão de contratorpedeiros podia coordenar fogo de concentração com todos os navios disparando contra um único alvo. Outra situação que o fogo de concentração era usado era quando um navio detectava um alvo e o mau tempo não permitia que todos vissem o alvo.

Um navio de comando precisava de espaço para o comandante do grupo (flotilha, esquadrão, divisão etc). O comandante precisa de espaço físico para seu Estado Maior assim como acomodações. Um contratorpedeiro líder tinha pelo menos seis oficiais a mais,ou 7 a 13 tripulantes a mais do grupo de comando do esquadrão. O Centro de Informações de Combate permitiu que qualquer navio realizasse esta função e o centro de comando pode até ficar baseado em terra com o uso de comunicações por satélite.

Os couraçados tinham armas leves contra os torpedeiros e contratorpedeiros, mas era difícil para os artilheiros distinguir entre amigos e inimigos no calor da batalha. As mesas de plotagem tática foram criadas para o comandante acompanhar os contratorpedeiros amigos. Já as flotilhas facilitavam acompanhar um grupo e apenas o líder informava a posição. Depois da Segunda Guerra Mundial, os contratorpedeiros passaram a atuar em esquadrões de quatro navios, como os cruzadores, para dar mais liberdade tática.

Antes do rádio, as marinhas transmitiam informações apenas com sinais visuais e por isso precisavam de muitos navios para manter a linha de visada. Antes do rádio, um navio que encontrasse o inimigo não podia ir na direção da frota amiga com risco de ser atacado. Os rádios passaram a operar embarcados no início do século XX e permitiram transmitir informações a até 200km.

Uma Força Tarefa (FT) pode ser dividida em vários Grupos Tarefas (GT). Os GT podem ser divididos em Unidades Tarefas como um grupo de ação de superfície (Surface Action Group - SAG). As Unidades Tarefas podem ser divididas em outros elementos menores. A composição está sempre mudando dependendo da situação. O GT pode destacar um SAG para avaliar um contato de superfície. As mensagens e ordens são passadas para os grupos e não para os navios.

A Royal Navy usa as escoltas SNO (Senior Naval Officer) para comandar comboio recebendo acomodações adicionais, instalações para controlar a cobertura antissubmarino, estado maior e direção de caças. Como exemplo temos os cruzadores da classe Tiger e as fragatas Type 22. Eram navios com meios mais sofisticados como comunicação e navegação por satélite e passavam a posições para outros navios.
 

Patrulha oceânica

As patrulhas de longo alcance e a patrulha oceânica costumam ser além das 12 milhas do mar territorial. Seria uma função secundária dos navios de apoio de combate pois estaria superdimensionado para a missão. Por outro lado, o navio-patrulha oceânico Apa (classe Amazonas) realizou patrulhas na costa do Líbano em 2015 durante 110 dias. Os navios da MB costumam operar por cerca de seis meses como parte da FTM-UNIFIL e um navio grande teria vantagens como no caso do conforto dos tripulantes em viagens muito longas. Um navio de apoio de combate pode ser usado como plataforma de apoio para operações de segurança marítima como proteção de navios como contra-terrorismo, combate ao tráfico de droga e outros atos ilícitos no mar, sanções marítimas, proteção ambiental, aplicação da lei e aplicações de bloqueio.

As operações de baixa intensidade (LIC - Limited Intensity Conflits) ou guerra assimétrica incluem a caça os piratas. Caçar piratas sempre foi uma das funções das marinhas sendo chamada de segurança marítima (Maritime Secutity Operations) ou interdição das linhas marítimas de comunicações (SLOC). As missões de interdição marítima (MIO - Maritime Interdiction Operations) são as operações como embargos, sanções e contra-terrorismo.

Desde a década de 2000 que a costa da Somália vem sendo um local de alto risco para ataques de piratas contra navios mercantes. A MB já estudou o envio de uma fragata para a região para combate a pirataria como parte de uma força tarefa mundial em ação no local. O MV Ocean Trader do SOCOM foi uma boa escolha por ter aparência de navio mercante e pode até ser uma isca para piratas. Os recursos adicionais necessários para a missão são drones de vigilância aérea, helicópteros e embarcações semi-rígidas (RHIB) para interceptação e abordagem.

Em 2009, a US Navy enviou uma fragata, um contratorpedeiro e um navio anfíbio para auxiliar no resgate dos tripulantes do navio mercante Maersk Alabama que tinha sido tomado por pirátas da Somália. Um navio de apoio de combate como o MV Ocean Trader operado pelo SOCOM, ou similar, seria necessário para apoiar os drones, helicópteros e forças especiais usados na operação.

Em 2011, piratas na Somália tomaram o navio indonésio MV Sinar Kudus para pedir resgate. O governo indonésio considerou um assalto anfíbio na Somália para resgatar os reféns dos piratas. A Força Tarefa incluía duas fragatas e um navio anfíbio com cinco blindados BMP-3, quatro obuseiros LG-1, sete botes semi-rígidos e 18 botes infláveis e um helicóptero Bell 412. O desembarque seria na praia de Cell Dhahanaan (El Dhanan) a 500 metros da vila onde viviam milhares de piratas e suas famílias. O governo da Somália autorizou a operação. O plano A era tomar navio ainda no mar. O plano B seria atacar o navio Sinar Kudus ao ancorar em terra e o plano C era tomar o local. Os tripulantes foram liberados ainda no navio.


Nas missões de abordagem são usadas Embarcações Tubulares Rígidas Híbrida. No caso de prisioneiros, um navio de apoio de combate precisa de um local para a cadeia pra os prisioneiros (Captured personnel - CPERS).

Módulos da Crossover para missões anti-pirataria. O navio apóia a operação de forças de abordagem, embarcações rápidas, helicópteros e drones.

A Holanda usava fragatas para patrulhar suas colônias no caribe em missões anti-pirataria, anti-contrabando, estabilização e segurança. Eram navios caros de comprar e operar nesta função e resolveram projetar os navios patrulha oceânica da classe Holland com o tamanho de uma fragata para operações de longo alcance e longa duração. Outra função é fazer transporte emergencial. O navio tem espaço adicional para 40 tropas além dos 54 tripulantes. Os navios podem ser modificados para atuar como escoltas adicionando sensores e armas.

Fragata ANZAC australiana. Um detalhe é a blindagem aplicada ao redor da ponte de comando. Os mísseis anti-navio deixaram a blindagem dos navios obsoleta. Agora a blindagem voltou a ter importância contra ameaças assimétricas como terroristas, piratas, drones e armas portáteis. A blindagem pode ser adicionada ao redor da propulsão para evitar a perda da mobilidade, no CIC, depósitos de munição para evitar uma explosão catastrófica e nas acomodações. Durante a Guerra das Malvinas, os tripulantes dos navios britânicos atingidos pelos canhões de 30mm viam que não tinham como se proteger se escondendo atrás de locais aparentemente resistentes.



Busca e salvamento

Busca e salvamento em alto mar seria outra missão de um navio de apoio de combate. Um bom exemplo é o voo 447 que caiu no meio do Atlântico em junho de 2009. A MB enviou as escoltas Constituição e a Jaceguai para apoiar as buscas. Foram apoiados pelo navio tanque Gastão Motta. Também atuaram o navio-patrulha Grajaú e a corveta Caboclo. Navios franceses também auxiliaram nas buscas.

Não havia necessidade de enviar navios tão sofisticados e sim navios mais simples com grande autonomia capazes de operar em alto mar como os navios de patrulha oceânicos classe Amazônia que não estavam disponíveis na época.

A missão mais comum é enviar um fragata para evacuação de doente em navios mercantes em alto mar ou atuar como base de reabastecimento de helicóptero para aumentar o raio de ação em missões de evacuação médica (EVAM).

Um tipo de missão de busca e salvamento de combate (CSAR) pré-planejada é a "lifeguard" ou "plane guard". São navios preposicionados nas rotas de aeronaves operando sobre o mar para apoiar incursões aérea. O navio pode ser uma base para helicóptero CSAR apoiando aeronaves operando em terra. Na Segunda Guerra Mundial, a US Navy usava até submarinos em posição avançadas na frente de batalha na função de lifeguard. Durante a Guerra do Vietnã, contratorpedeiros e cruzadores da US Navy ficavam em posição avançada na costa do Vietnã do Norte para lançar helicópteros de resgate HH-3 ou HH-2 para resgatar pilotos abatidos.

O resgate do voo 447 foi apoiado por vários navios da MB. O local era no meio do Atlântico e precisava do apoio de navios de grande porte.


Navio Escola

O Navio Escola Brasil (U27) foi incorporado à Marinha do Brasil em 1986 e está chegando no fim da vida útil. Um navio de apoio de combate pode ser um dos substitutos aproveitando a modularidade para realizar mais uma missão. O navio escolta anterior eram navios de transporte de tropas adaptados como o Custódio de Mello. O navio tem como missão secundária atuar como como navio-hospital para evacuação de baixas ou não-combatentes.

O NE Brasil foi baseado no casco da fragata classe Niterói com o armamento removido e e o espaço interno modificado para alojar o pessoal adicional e instalar o equipamento necessário à instrução. O navio recebeu um Centro de Informações de Combate (CIC) equipado com Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA. Os recursos de ensino a bordo incluem: Sistema de Simulação Tática e Treinamento SSTT-2; simulador nacionalizado de controle de avarias; compartimento de direção de tiro; compartimento para ensino de navegação com diversos equipamentos de repetição; auditório com 206 lugares; duas salas de aula; e circuito fechado de TV.

O navio pode levar mais de 150 guardas-marinha além de 32 oficiais e 219 praças. O NE Brasil passa de cinco a seis meses por ano no exterior, adestrando a turma de guardas-marinha saída da Escola Naval em dezembro do ano anterior.

Um navio de apoio de combate com um grande convés flexível pode ter a área utilizada para formaturas, recepções diplomáticas ou instrução. O local receberia os contêineres especializados com o SSTT, além de salas de aula, laboratórios e estúdio de TV. Parte da área poderia ser convertida em auditório. Com um ritmo operacional alto, mais de um navio seria necessário para receber os módulos de ensino e dividir a função de navio escolta.

Várias marinhas operam com navio escola. Até a Segunda Guerra Mundial eram os cruzadores obsoletos onde os cadetes treinavam todas as habilidades necessárias. Um navio que merece nota é o cruzador de treinamento Deutschland de 5.600 toneladas que foi operado pela Marinha alemã após a Segunda Guerra. O navio atuaria como navio multipropósito em tempo de guerra podendo atuar como transporte de tropas, navio hospital, lança minas e navio escolta.


O navio escola Brasil está chegando no fim da sua vida útil.
 

 

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