Navios de apoio de combate

 
Uma tendência nos meios navais atuais são os navios de apoio de combate multifunção (combat support ship) para apoiar missões em cenários de baixa intensidade com função secundária de atuar em cenários de média e alta intensidade. Os navios equivalentes usados em cenários de alta intensidade seriam os navios de apoio de frota.

Após o fim da Guerra Fria, as marinhas passaram a ter um número muito grande de navios para guerra convencional que não eram mais necessários ao mesmo tempo que a maioria das missões passaram a ser de baixa intensidade como apoiar missões de paz. As fragatas e contratorpedeiros eram muito caros de manter em operações tão simples. Um navio menos sofisticado se tornou necessário.

A primeira classe de navio de apoio de combate multifunção a entrar em serviço foi a Absalon da Dinamarca. Trata-se de um navio com deslocamento de um contratorpedeiro (6.600 toneladas) com um "flex deck", ou convés flexível, que permite receber módulos de missão conforme a tarefa pretendida. O convés flexível tem 90 metros de comprimento e 915m2 de área. Uma rampa roll-on/roll-off na popa é usada para desembarque de veículos.

O Absalon é propulsado por dois motores diesel de 22.300 hp, podendo atingir uma velocidade máxima de 24 nós. A tripulação é de 100 homens, mas tem acomodações para 170 pessoas e pode receber mais 130 em contêineres dormitórios no convés flexível. As instalações podem apoiar 300 pessoas como uma companhia com 200 tropas.

O convés flexível foi proposto para o transporte de unidades do exército, posto de comando de grupo de exército deslocado e plataforma para comandante de GT, base operacional avançada de forças especiais, e base para operações humanitárias. Um hospital em contêineres pode ser instalado no convés flexível. Como navio transporte pode levar 55 veículos e sete carros de combate. As instalações de um estado maior de até 75 pessoas também podem ser levadas em contêineres.


Montagem destacando o convés flexível da classe Absalon.


A popa da Absalon tem um guindaste capaz de operar lanchas SRC-90E de 7,4 toneladas. Até duas lanchas podem ser levadas e apoiaria operações anfíbias e forças especiais.


A US Navy já estudou comprar os navios da classe Albion para substituir parte dos seus navios LCS nas missões de baixa intensidade e o Comando de Operações Especiais (SOCOM) está operando um navio mercante convertido como navio de apoio de combate.

O SOCOM já usou bases flutuantes improvisadas durante a operação Praying Maints no Golfo Pérsico em 1987. As bases eram balsas que apoiavam helicópteros do SOAR e lanchas rápidas contra embarcações iranianas que atacavam navios neutros no Golfo durante a Guerra Irã-Iraque e também lançavam minas. As embarcações iranianas disparavam foguetes de 107mm, RPG-7 e metralhadoras contra a ponte de comando dos navios. Os navios podiam ter escoltas, mas as ações ofensivas eram feitas pelas forças especiais americanas. As bases inimigas eram plataformas de petróleo abandonadas.

Balsa Hercules atuando no Golfo Pérsico apoiando as forças especiais americanas em 1987.
 


O SOCOM agora opera o MV Ocean Trader (ex-Cragside), um navio de transporte capaz de apoiar até 200 tropas. O navio foi alugado e adaptado para apoiar missões na costa da Somália e Iêmen.

O MV Ocean Trader desloca 20 mil toneladas, tem 50 tripulantes civis e é capaz de sustentar 20 nós. A modernização inclui um FLIR, sistemas de comunicações e equipamento de inteligência de sinais (SIGINT). O convoo é capaz de operar helicópteros do tamanho de um CH-53E e pode levar 560 mil litros de combustível JP5. O navio tem espaço nas laterais para quatro embarcações de desembarque.



Foto do MV Ocean Trader operado pelo SOCOM. A furtividade visual é poder ser confundido com outro navio cargueiro civil.



No início de 2019, a Royal Navy considerou a compra de navios similares ao MV Ocean Trader no programa Future Littoral Strike Ship (FLSS). O FLSS seria uma plataforma multifuncional baseada em navios comerciais adaptados. Poderiam até ser adaptados com mísseis e armas para ataque terrestre e atuar como bases flutuantes e navios de apoio. O objetivo no uso de plataformas comerciais seria diminuir os custos e acelerar a fabricação e entrada em operação.

O Prevail Multi-Role Vessel (MRV) do estaleiro FSG foi proposto para o programa FLSS. O MVR é resultado da conversão do MV Ocean Trader e inclui capacidade de apoiar 400 tropas.

As lanchas rápidas Offshore Raiding Craft (ORC) do UKSF que poderia ser levado pelo MRV.

A Royal Navy já operou por alguns anos o RFA Reliant que era um navio mercante Ro/Ro convertido para apoiar helicópteros. O navio recebeu um hangar na proa, um convoo e podia levar até cinco Sea King.


Apoio logístico

Um navio de apoio de combate de combate pode ser um navio bem útil para a MB por realizar a maioria das missões e as mais comuns. Realizaria principalmente missões de baixa intensidade, longa duração, em locais bem distantes da costa, com ou sem apoio de coalizão.

Marinhas oceânicas como a Royal Navy tem muitos navios de apoio logístico e praticamente todo grupo-tarefa tem pelo menos um, como um ou dois navios de escolta e um navio tanque, permitindo operações por períodos de até seis meses.

A função principal dos navios de apoio é o reabastecimento de outros navios com combustível atuando como navio tanque (reabastecimento no mar).

Os porta-aviões da US Navy operando no Vietnã ficavam em operação por cerca 30 dias no mar e uma semana de descanso em terra. As escoltas têm autonomia de 3 a 6 semanas e teoricamente poderiam reabastecer em terra, mas costumam reabastecer no mar com frequência para manter os estoques de combustível e armas sempre cheio.

O porta-aviões São Paulo navegando na velocidade máxima consumia mais de 27 toneladas de óleo por hora. Em uma velocidade de cruzeiro de 22 nós gastava 7,5 toneladas. O navio levava 3.400 toneladas de óleo e 1,5 milhões de litros de QAV. Uma fragata classe Niterói leva 480 toneladas de combustível com autonomia de 45 dias.

A MB opera o navio tanque Almirante Gastão Motta (G23) desde 1990. Com um deslocamento máximo de 10 mil toneladas e velocidade máxima de 20 nós, pode levar 5 mil toneladas de carga. O G23 é o único navio tanque disponível da Esquadra e a MB pode precisar de outro navio tanque quando estiver indisponível em manutenção demorada. Outros navios maiores podem realizar reabastecer navios menores como o NAM Atlântico e o NDM Bahia, mas serve mais como treinamento.


O Gastão Motta reabastecendo um navio anfíbio da classe Mistral. O Gastão Motta pode levar 4.400 toneladas de combustível, sendo 5.100.000 litros de diesel MAR-C e 608.000 litros de JP-5, mais 200 toneladas de suprimentos diversos. O navio está equipado com uma estação de transferência de cargas (RAS - Replenishment at Sea) em cada bordo a meia nau.


O NDM Bahia reabastecendo uma fragata classe Niterói.

O estaleiro polonês MMC & Remontowa propôs um navio de apoio logístico furtivo (Stealth Logistic Support Vessel) para a marinha da Polônia. O navio teria 116 metros de comprimento e um deslocamento de 6.100 toneladas e seria operado por 60 tripulantes. A propulsão é por dois motores diesel com 5.000 kW e dois motores elétricos de 2.500 kW. A velocidade máxima é de 20 nós e o alcance de 8.000 milhas a 15 nós com autonomia de 30 dias.

O navio tem um convés flexível capaz de levar 11 contêineres de 20 pés ou 8 blindados ou caminhões com rampa traseira para desembarque. A capacidade de transporte de combustível é de 1.500 toneladas de combustível naval, 50 toneladas de combustível de helicóptero e 200 toneladas de água. Uma regra simples é que um navio de reabastecimento pode apoiar o mesmo deslocamento, então o MMC poderia apoiar duas fragatas classe Niterói ou três corvetas classe Barroso. A maioria das missões da MB é de treinamento então a pequena capacidade de apoio logístico do MMC seria suficiente ou então daria conta de apoiar um grupo tarefa pequeno com navios pequenos como corvetas. A maioria das missões operacionais são cenários de baixa intensidade como as missões de paz com um ou poucos navios.


O navio da MMC foi projetado para realizar várias missões como reabastecimento de líquidos e sólidos, operações de helicópteros, transporte de veículos, ajuda humanitária e patrulhas de longo alcance.


Montagem do projeto da MMC com maior tamanho incluindo um convés de armas no meio do navio para levar lançadores de mísseis.

 

Um navio de apoio com capacidade de reabastecimento de outros navios seria um tipo de navio de apoio de combate pois a maioria dos projetos tem função de apoio logístico ou transporte rápido. As missões de longo alcance/longa duração precisam também de suprimentos, água e manutenção. Contêineres de 20 ou 40 pés instalados no convés ou compartimento de carga podem ser usados para deslocar instalações modulares como hospital, centro de comando, dormitório e oficina de manutenção.

Além de apoiar outros navios no mar, os navios de apoio logístico estão apoiando tropas em terra, e transportando tropas, veículos e equipamento. Geralmente são missões de paz. A maioria das missões de paz tem um pequeno contingente e não precisa do apoio de um grande navio como NDM Bahia para serem transportados. Um navio de apoio de combate pode levar tropas, veículos e cargas para apoiar um contingente menor. Pode até permanecer no local para apoio logístico durante as fases iniciais. O convés flexível é um dos requisitos e precisa de instalações para apoiar a tropa como banheiros e cozinha.

O projeto Crossover do estaleiro Damen é outro navio de apoio de combate com formato de fragata e que usa conceito de modularidade. O navio não tem capacidade de atuar como navio tanque e se concentra nas funções de transporte e apoio logístico.

O Crossover na verdade são vários projetos que variam de 4.500 a 5.330 toneladas e capazes de levar de 150 a 200 tropas adicionais. As variantes têm especializações como segurança, apoio logístico, navio anfíbio, e combatente. Dependendo dos equipamentos instalados e planejados, o Crossover pode realizar missões de guerra marítima (ASW, ASuW e AAW), operações anfíbias, apoio a forças especiais, ajuda humanitária, segurança marítima, transporte estratégico, busca e salvamento, apoio logístico, guerra de minas, apoio de drones aéreos e de superfícies e hidrografia.

O projeto Crossover do estaleiro Damen foi pensado desde o início como um navio modular.

Destaque do convés flexível do Crossover.

Outra possível função dos navios de apoio de combate é atuar como plataforma de helicóptero apoiando ações no mar e em terra. As instalações de helicópteros incluem convoo e um grande hangar para manutenção e reabastecimento que agora fazem parte dos projetos dos navios de apoio. As missões de apoio aéreo aproximado consomem muito combustível e munição. Os porta-aviões da US Navy costumam realizar operações aéreas por três a quatro dias e depois reabasteciam e rearmavam.

Um exemplo seria a retomada das Ilhas Georgia do Sul em 1982 pelos britânicos. O GT enviado consistia de algumas escoltas e navios de apoio equipados com helicópteros Wessex e 120 tropas do SAS e SBS. Foi uma incursão anfíbia que não necessitava de meios sofisticados pois não era esperado ameaça aérea e havia poucas tropas no local.

O porta-aviões Hermes foi usado para lançar helicópteros Sea King a noite para desembarcar patrulhas de reconhecimento do SAS e SBS ao redor das ilhas Malvinas. Se aproximava rápido com duas escoltas e depois fugia rápido antes do amanhecer. É uma tarefa que poderia ser passada para navios menores como os navios de apoio de combate sem arriscar uma unidade de alto valor.



O hangar da Classe Absalon é capaz de receber dois helicópteros de médio porte como o Merlin. Mais de um tipo de helicóptero pode ser necessário como um Esquilo ou H-135 para operações mais simples e uma aeronave mais sofisticada como o Lynx e MH-16 para tarefas mais complicadas.


Os drones agora estão fazendo tomando o lugar de parte dos helicópteros embarcados. A imagem é do lançador de um drone Scaneagle, que também está em operação na MB, sendo lançado da fragata australiana HMAS Newcastle durante operações no oriente médio. O Scaneagle pode operar de embarcações bem pequenas. Foi testado no NaPaOc Amazônia.


Os transportes de alta velocidade (Auxiliary Personnel Destroyer - APD) da US Navy na Segunda Guerra mundial eram contratorpedeiros mais antigos adaptados para levar uma Companhia de fuzileiros de 120 soldados (podendo levar até 200) e 40 toneladas de carga. Seriam usados em pequenas incursões em praias inimigas. Os navios também podiam realizar apoio de fogo naval com seus canhões se necessário. Quatro embarcações de desembarque LCPL eram levadas para desembarcar as tropas.

Apesar do termo "rápido", eram relativamente lentos, navegando a no máximo 25 nós, mas era bem mais rápido que a maioria dos navios transporte de tropas da época. A velocidade podia ser usada para fugir caso fosse necessário. Realizavam outras missões como escolta de navios de transporte, transporte de carga e passageiros e operações de minagem. Durante a Guerra da Coréia, os APD realizaram missões de infiltração de agentes, incursões e assaltos anfíbios e evacuação de tropas.

Foto do USS Begor, um transporte rápido da classe Crosley. Foi uma adaptação dos contratorpedeiros de Escolta. O navio desloca 1.450 tons e leva 160 tropas. A velocidade máxima era de 23 nós e a velocidade de cruzeiro de 15 nós. Para a época era um transporte "rápido" visto que os navios de transporte da época tinham velocidade máxima de 11 nós como a classe Liberty e 13 a 16 nós para os LST. A classe demorou a ficar pronta para atuar na Segunda Guerra, mas atuou na Guerra da Coréia levando os Commandos britânicos para atuar atrás das linhas sabotando linhas férreas (foto).



Um navio equivalente atualmente aos APA seria os HSV como mesmo deslocamento, mas com dobro da velocidade de cruzeiro.



Devido a falta de peças de reposição para os seus contratorpedeiros classe Type 42, a Argentina resolveu converter o ARA Hércules como navio de transporte rápido. O navio recebeu um hangar capaz de levar dois helicópteros Sea King armados com mísseis AM-39 Exocet e tem capacidade para levar 238 fuzileiros.

Módulos da Crossover na função de incursão anfíbia. A imagem mostra o sistema de lançamento e recuperação de um drone ScanEagle. O drone é usado para apoiar as missões de Comando & Controle de uma incursão anfíbia. Pode acompanhar as embarcações de desembarque, vigiar a zona de desembarque e detectar forças inimigas.



As quatro fragatas F-125 alemã teve uma abordagem diferente sendo uma fragata capaz de atuar em cenários de baixa intensidade como missões de estabilização, missões de paz, capacidade de apoio de fogo naval, capacidade de NGFS, apoio a forças especiais e controle de ameaça assimétrica. A tripulação é de 110 homens com capacidade adicional de 80 incluindo o pessoal de aviação. O navio tem quatro pequenos conveses flexível cada um podendo levar contêineres de missão ou embarcações RIBH de até 10 metros. O navio foi planejado para realizar missões de longa duração de até 2 anos com troca da tripulação no meio da missão.


A F-125 tem dois recessos nos costados para embarcações semirígidas infláveis (RHIB) usadas pelas tropas embarcadas em incursões em terra ou tomada de outras embarcações.


As escoltas atuais estão sendo projetadas com um pequeno convés flexível. A imagem é do convés flexível de uma fragata Type 26 da Royal Navy. O espaço permite levar contêineres modulares.

Container dormitório adaptado.

Ainda na função de transporte estratégico, uma missão defensiva seria a evacuação de brasileiros em outro país em crise. O navio precisaria de uma boa velocidade para cobrir grandes distância e chegar rápido ao local se não for possível pré posicionar prevendo a possibilidade de uma missão de evacuação. Os navios de passageiros atuais fazem geralmente mais de 20 nós em cruzeiro. Seria uma velocidade de referência, mas a velocidade econômica dos comboios costuma ser de cerca de 15 nós e manobram na velocidade de evolução de 18 nós para manter ou trocar posição na formatura.

A US Navy costuma enviar seus navios para locais em crise e ficam pré posicionados esperando serem chamados. Um exemplo foi a evacuação do Vietnã do Sul em 1975 quando previam a possibilidade de derrota e estavam preparados com um grupo tarefa com um porta-aviões no local.

Enviar uma escolta como uma fragata para apoiar missões de evacuação implica em enviar também um navio de reabastecimento. Seria mais simples enviar o navio de reabastecimento com capacidade de realizar a evacuação ou os dois atuam juntos na missão com capacidades complementares.

Transporte de equipamentos e suprimentos em missões apoiando crise humanitária ou desastre (humanitarian assistance/disaster relief - HADR) seria outra missão. O tamanho e a quantidade de carga pode ser pequeno e a velocidade seria mais importante. Geralmente enviam navios Anfíbios na missão e continuam sendo necessários em caso de grandes cargas.

Um convés flexível pode ser transformado em um centro hospitalar de primeira linha embarcado apoiando ações próximo a costa como em caso de calamidade pública ou operações militares convencionais. Uma opção seria a possibilidade de deslocar o hospital para uma base em terra.


Detalhes do projeto Crossover com módulos para atuar como navio hospital no convés flexivel.

Outra função que está sendo adicionada aos navios de apoio o Comando & Controle (C2). A Absalon foi projetada para apoiar um Estado Maior de 75 pessoas para missões de C2. Operam em contêineres adaptados para a missão e usam os sistemas de comunicações do navio.



A classe Ary Parreira seria um exemplo de navio de apoio da MB, mas sem muitas das capacidades citadas. A classe Ary Parreira desloca 7.433 toneladas e pode levar 4.000 toneladas de carga. A velocidade máxima era de 15 nós.



Um exemplo mais recente de navio que poderia atuar como navio de apoio de combate seria o NDCC Almirante Saboia (G-25). O G-25 desloca 6.700 toneladas, tem 49 tripulantes e atinge uma velocidade máxima de 17 nós.

Patrulha oceânica

As patrulhas de longo alcance e a patrulha oceânica costumam ser além das 12 milhas do mar territorial. Seria uma função secundária dos navios de apoio de combate pois estaria superdimensionado para a missão. Por outro lado, o navio-patrulha oceânico Apa (classe Amazonas) realizou patrulhas na costa do Líbano em 2015 durante 110 dias. Os navios da MB costumam operar por cerca de seis meses como parte da FTM-UNIFIL e um navio grande teria vantagens como no caso do conforto dos tripulantes em vagens longas. Um navio de apoio de combate pode ser usado como plataforma de apoio para operações de contra-terrorismo, combate ao tráfico de droga e outros atos ilícitos no mar, sanções marítimas e aplicações de bloqueio.

Desde a década de 2000 que a costa da Somália vem sendo um local de alto risco para ataques de piratas contra navios mercantes. A MB já estudou o envio de uma fragata para a região para combate a pirataria como parte de uma força tarefa mundial em ação no local. O MV Ocean Trader do SOCOM foi uma boa escolha por ter aparência de navio mercante e pode até ser uma isca para piratas. Os recursos para a missão são drones para busca, helicópteros e embarcações RHIB para abordagem.

Em 2009, a US Navy enviou uma fragata, um contratorpedeiro e um navio anfíbio para auxiliar no resgate dos tripulantes do navio Maersk Alabama. Apenas o MV Ocean Trader ou similar seria necessário para apoiar os drones, helicópteros e forças especiais usados na operação.


Nas missões de abordagem são usadas Embarcações Tubulares Rígidas Híbrida.

Módulos da Crossover para missões anti-pirataria. O navio apóia a operação de forças de abordagem, embarcações rápidas, helicópteros e drones.

A Holanda usava fragatas para patrulhar suas colônias no caribe em missões anti-pirataria, anti-contrabando, estabilização e segurança. Eram navios caros de comprar e operar nesta função e resolveram projetar o navio patrulha oceânico classe Holland com tamanho de uma fragata para operações de longo alcance e longa duração. Outra função era fazer transporte emergencial. O navio tem espaço adicional para 40 tropas além dos 54 tripulantes. Os navios podem ser modificados para atuar como escoltas adicionando sensores e armas.


Busca e salvamento em alto mar seria outra missão de um navio de apoio de combate. Um bom exemplo é o voo 447 que caiu no meio do Atlântico em junho de 2009. A MB enviou as escoltas Constituição e a Jaceguai para apoiar as buscas. Foram apoiados pelo navio tanque Gastão Motta. Também atuaram o navio-patrulha Grajaú e a corveta Caboclo. Navios franceses também auxiliaram nas buscas.

Não havia necessidade de enviar navios tão sofisticados e sim navios mais simples com grande autonomia e poder operar em alto mar como os navios de patrulha oceânicos classe Amazônia que não estavam disponíveis na época.

A missão mais comum é enviar um fragata para evacuação de doente em navios mercantes em alto mar ou atuar como base de reabastecimento de helicóptero para aumentar o raio de ação em missões EVAM.

Um tipo de missão de busca e salvamento de combate (CSAR) pré-planejada é a "lifeguard". São navios preposicionados na rota de ingresso e egresso sobre o mar para apoiar incursões aérea. O navio pode ser uma base para helicóptero CSAR. Na Segunda Guerra Mundial, a US Navy usava até submarinos em posição avançadas na frente de batalha na função de lifeguard.

O resgate do voo 447 foi apoiado por vários navios da MB. O local era no meio do Atlântico e precisava do apoio de navios de grande porte.



Navio Escola

Navio Escolta Brasil (U27) foi incorporado à Marinha do Brasil em 1986 e está chegando no fim da vida útil. Um navio de apoio de combate pode ser um dos substitutos aproveitando a modularidade para realizar mais uma missão. O navio escolta anterior eram navios de transporte de tropas adaptados como o Custódio de Mello. O navio tem como missão secundária atuar como como navio-hospital para evacuação de baixas ou não-combatentes.

O NE Brasil foi baseado no casco da fragata classe Niterói com o armamento removido e e o espaço interno modificado para alojar o pessoal adicional e instalar o equipamento necessário à instrução. O navio recebeu um Centro de Informações de Combate (CIC) equipado com Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA. Os recursos de ensino a bordo incluem: Sistema de Simulação Tática e Treinamento SSTT-2; simulador nacionalizado de controle de avarias; compartimento de direção de tiro; compartimento para ensino de navegação com diversos equipamentos de repetição; auditório com 206 lugares; duas salas de aula; e circuito fechado de TV.

O navio pode levar mais de 150 guardas-marinha além de 32 oficiais e 219 praças. O NE Brasil passa de cinco a seis meses por ano no exterior, adestrando a turma de guardas-marinha saída da Escola Naval em dezembro do ano anterior.

Um navio de apoio de combate com um grande convés flexível pode ter a área utilizada para formaturas, recepções diplomáticas ou instrução. O local receberia os contêineres especializados com o SSTT, além de salas de aula, laboratórios e estúdio de TV. Parte da área poderia ser convertida em auditório. Com um ritmo operacional alto, mais de um navio seria necessário para receber os módulos de ensino e dividir a função de navio escolta.


O navio escola Brasil está chegando no fim da sua vida útil.


Guerra convencional

Cenário de média ou alta intensidade não é a função principal, mas eventualmente pode ter que operar nesta situação. Pode operar sozinho, como parte de um grupo tarefa ou junto com outros navios de apoio de combate. Em uma guerra convencional um navio de apoio de combate poderia atuar como escolta auxiliar em apoio a comboios ou em grupos de ação de superfície. O mais provável seria atuar como figurativo inimigo, ou agressor, em treinamentos de guerra convencional.

A MB tinha sua capacidade de guerra antisubmarino centrada no NAe Minas Gerais e depois no NAe São Paulo para operar os helicópteros Sea King na missão. Se o navio estivesse inoperável, teria que operar em navios anfíbios com limitação no número de aeronaves.

O ideal é manter dois helicópteros com sonar cobrindo o trajeto de um Grupo Tarefa ou Comboio em busca de submarinos inimigos em local de grande ameaça. Enquanto um helicóptero faz busca com o sonar o outro está se posicionando. A regra é ter seis helicópteros para poder manter dois no ar por longos períodos. Então três navios de apoio de combate com capacidade de levar dois MH-16 poderiam realizar a missão que antes era realizada pelo porta-aviões Minas Gerais. A capacidade das escoltas de levar o MH-16 deve ser considerada, mas a MB ainda não opera nenhuma escolta com esta capacidade. Um navio de apoio de combate seria uma forma de suprir esta limitação sem ter que deslocar um navio para apoiar helicópteros como um navio de desembarque ou caso o NAM Atlântico esteja indisponível.



A classe Absalon tem um compartimento interno onde ficam os tubos de torpedos.

Detalhes do sonar rebocado da Crossover. O sonar rebocado seria um módulo de missão opcional.
 

Os navios da classe Absalon foram armados com 16 mísseis Harpoon para apoiar missões anti-navio. É o padrão atual já considerando que seria necessário um grande número de mísseis para saturar defesas modernas. A capacidade anti-navio "modular" também pode vir na forma dos helicópteros. Os UH-15 da MB podem levar dois mísseis Exocet com alcance de 70km. Se for disparado de um helicóptero o alcance aumenta em pelo menos 250 km. Em um combate navio contra navio significa que um navio de apoio de combate pode disparar bem antes que uma escolta. A capacidade do UH-15 pode ser adicionada aos MH-16 com os mísseis Penguin e os Lynx com os mísseis Spike.


O UH-15B Caracal da MB pode ser armado com dois mísseis Exocet AM39 B2M2 para missões anti-navio.


O convés de armas da classe Absalon pode receber até 16 mísseis Harpoon.


Convés de armas da fragata classe Formidable de Cingapura. Os mísseis foram retirados e no local foram instalados um guincho para operação com embarcações RHIB em operações de baixa intensidade.

 

A capacidade de atacar alvos em terra seria com um canhão. As F-125 alemãs foram equipadas com um canhão Otobreda 127mm com munição guiada Vulcano com alcance 100km e futuramente receberá mísseis RBS-15 Mk4 com capacidade de ataque terrestre. Na MB, a prioridade seria armar as escoltas enquanto um navio de apoio de combate teria a vantagem de ter muito espaço disponível para levar munição ou lançadores em container.

A Royal Navy enviou três fragatas para realizar apoio de fogo naval contra alvos na Líbia em 2011. Foram disparados 240 tiros de 114mm contra alvos entre Zlitan e Misrata. Os alvos eram postos de segurança, veículos armados e lança-foguetes BM-21. As granadas iluminativas eram usadas em situações onde tropas leais a Kadafi colocavam os lança foguetes próximos a prédios. Os flares caindo de paraquedas na posição servia para demonstrar que suas posições eram conhecidas pela OTAN. Já os navios franceses dispararam um total de três mil projéteis de 100mm e 76mm.

A Avibras está desenvolvendo o Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 Matador com alcance de 300km. Lançadores em contêiner poderiam ser instalados em um navio de apoio de combate para ataques contra alvos pouco defendidos na costa. Já os alvos bem defendidos precisariam de um submarino que teria capacidade de se aproximar e atacar sem risco de ser detectado. Os cenários seriam alvos fora do alcance da aviação baseada em terra como países na costa da África.

Um exemplo do uso de mísseis de cruzeiro contra alvos terrestre pode ser a incursão de retaliação dos EUA contra o Japão após o ataque a Pearl Harbour quando um porta-aviões americano lançou 16 bombardeiros B-25 contra ao Japão. Hoje poderia ser uma missão com mísseis de cruzeiro. A precisão dos mísseis atuais permite que os danos sejam até bem maiores que os bombardeiros da época que tiveram mais efeito psicológico do que estratégico. Na época os porta-aviões eram bem rápidos para fazer incursões contra alvos em terra se aproximando a noite e fugindo após o ataque. Um navio navegando por 6 horas a 40km/h pode se aproximar 250km e depois fugir a mesma distância.

O USMC testou o lançador de foguetes HIMARS com foguetes guiados por GPS no navio anfíbio USS Anchorange em 2017. A munição GMRLS tem alcance de até 70km. O sistema Astros da Avibrás tem capacidade semelhantes com foguetes AV-SS-40G guiado por GPS e alcance de até 40km. O lançador poderia ser guardado no hangar de helicópteros e movido para o convoo para disparo. Se equipado com o míssil Matador seriam quatro mísseis por escolta.

Os canhões navais atuais podem disparar armas guiadas como a Vulcano italiana no calibre 127mm com alcance de 100km. Até um canhão de 76 mm pode disparar uma Vulcano a até 40 km de distância. Bastaria dois projéteis guiados para bater um alvo que precisaria de pelo menos 15 disparos com munição convencional a uma distância bem menor. As funções das tropas em terra seria fazer reconhecimento e indicar alvos ao invés de fazer ação direta com maior risco de baixas.

Um Contêiner com mísseis de cruzeiro KLUB pode ser instalado em navios mercantes para uso contra alvos em terra. O míssil Matador da Avibrás também poderia ser instalado em contêineres semelhantes para equipar um navio de apoio de combate.

Testes do sistema HIMARS com foguetes guiados. Sem um lançador estabilizado para disparo no mar, um sistema de lança-foguetes fica limitado ao disparo de foguetes guiados capazes de corrigir a trajetória.

 

A capacidade de ataque terrestre de um navio tem que incluir a capacidade dos meios aéreos. A Royal Navy usou o HMS Ocean, atual NAM Atlântico, como base de helicópteros de ataque Apache do Exército britânico. Os Apaches realizaram 48 saídas e dispararam 99 mísseis Hellfire, 4.800 tiros de canhão de 30mm e 16 foguetes de 70mm contra 116 alvos. Realizaram apenas 1,5% das saídas da OTAN, mas atingiram 18% dos alvos. Os alvos eram blindados T-72, Shilka, lançadores de foguetes BM-21, prédios e veículos 4x4 armados. Os Apaches operavam apenas a noite para evitar a ameaça principal que eram armas guiadas visualmente como a artilharia antiaérea e mísseis portáteis. Operavam sempre atrás das linhas para evitar fogo amigo. Eram lançados e recolhidos entre 30 a 50km da costa.

A França realizou missões semelhantes com um navio anfíbio da classe Mistral equipado com helicópteros Gazelle e Tigre armados com mísseis. Os franceses se concentraram na região de Breda contra alvos na costa. Os Gazelle usaram mísseis Hot e os Tiger usaram mísseis Hellfire.

A MB está equipando os helicópteros Wild Lynx com os mísseis Spike capazes de atacar alvos no mar e em terra. Outros helicópteros podem receber os Spike como os H-135, MH-16 e UH-15. Foguetes guiados a laser de 70mm são outra opção de arma guiada mais barata que os mísseis Spike. Para realizar missões próximo da costa seria ideal que a aeronave esteja equipada com sistemas defensivos como um alerta radar e alerta de aproximação de mísseis (MAWS). Os UH-15 são os únicos helicópteros da MB equipados com o MAWS.

HMS Ocean equipado com helicópteros Apache durante ações na Líbia em 2011. A FAB poderia fornecer os AH-2 Sabre para equipar o NCAM Atlântico para realizar missões semelhantes aos Apaches britânicos. Os helicópteros HH-60 da USAF estão no convés em alerta CSAR.

Lynx coreano equipado com mísseis Spike NLOS com capacidade de ataque contra alvos terrestres e marítimos.


Outra missão de guerra convencional é a guerra de minas. O convés flexível do Absalon pode levar até 300 minas e pode receber trilhos para lançamento de minas. Opcionalmente, Absalon pode levar drones ou embarcações caça-minas. A US Navy está usando os seus helicópteros MH-60S para caçar minas com casulos detectores de minas e um navio de apoio de combate seria uma das bases dos helicópteros.



Um LCS da US Navy lançando um drone caça-minas.

CUSTOS

Navios de apoio logístico usam padrões de fabricação civil ao invés do padrão militar resultando em um custo menor. Os navios da classe Absalon custaram US$ 333 milhões cada comparado com US$ 447 milhões de uma fragata FREEM francesa ou US$ 878 milhões da F125 alemã. Um navio comercial adaptado como o Prevail Multi-Role Vessel pode chegar a custar três vezes menos em relação a Absalon. O NAM Atlântico foi construído com critérios de fabricação civil.

A MB planejava comprar cinco fragatas médias no programa PROSUPER. Quatro corvetas e três navios da classe Absalon poderiam custar aproximadamente o mesmo valor das cinco fragatas. Um grupo tarefa com três FREEM e um navio tanque poderia ser comparado com um grupo tarefa de três corvetas e duas Absalon. Por exemplo, o navio tanque não leva helicópteros enquanto as duas Absalon levariam até quatro helicópteros de médio porte como o MH-16 e UH-15 Caracal.

Outra justificativa para a operação de navios de apoio de combate pela MB é orçamentária. A MB já está com número reduzido de escoltas e precisa otimizar recursos. Se por um lado pode diminuir número de escoltas para missões de alta intensidade, por outro pode aumentar o número total de navios ao aproveitar os recursos disponíveis com meios mais simples e flexíveis para as missões de baixa intensidade de tempos de paz do dia a dia.

Para reduzir os custos, o melhor sistema de propulsão são os motores a diesel. Já a propulsão CODLAG (diesel e elétrica) tem a vantagem de diminuir em muito a assinatura acústica pois as engrenagens entre os motores e hélices causam muito barulho.

Os sistemas de armas de um navio de apoio de combate seriam pouco sofisticados para diminuir os custos. Para exemplificar, a MB comprou quatro canhões Otomelara 76mm com um custo de 7,5 milhões de Euros cada um.O tamanho do navio pode ser similar ao de um contratorpedeiro como a classe Absalon, mas as armas, sensores e sistemas defensivos seriam equivalentes a uma corveta mais simples ou um navio de patrulha oceânico. Se o cenário exige recursos mais sofisticados então tem que ser acompanhado por escoltas mais capazes.

A modularização é muito exigente em termos de treinamento. Pode ser necessário uma tripulação maior se revezando nas missões para treinar várias capacidades. Por outro lado, o número de meios para realizar uma vasta gama de missões pode ser menor. Por exemplo, as missões de guerra antisubmarino precisariam apenas de novos módulos de sonar e lançadores de torpedos.

Os critérios para a escolha dos sensores, armas e sistemas defensivos de um navio de apoio de combate seria determinado pelo baixo custo e não pela capacidade. Os navios operam em Grupos Tarefas e tem que considerar a capacidade dos outros navios.

A grande maioria das missões citadas anteriormente, ou pelo menos as missões principais, são cenários de baixa intensidade e não precisam de meios sofisticados que podem e devem ser deixados para as escoltas.

O radar de busca não precisa ter alta capacidade, mas precisa ser capaz de detectar pequenos drones aéreos que estão se tornando uma ameaça cada vez mais frequente. A MB está desenvolvendo o radar Gaivota-X capaz de fazer busca aérea com alcance de até 200km. O radar foi testado em um contêiner no NDM Bahia. A MB estuda a capacidade de usar o radar para controle de tiro.

Uma torreta FLIR de longo alcance com designador a laser agora pode ser considerado um item obrigatório. A torreta CORSED tem um FLIR de pontaria e pode ser usado como sensor. Uma estação de controle na ponte permite o uso como sensor noturno em mau tempo. Os óculos de visão permitem visualizar um grande navio a até 80km em tempo bom.

No caso do uso de sensores sofisticados, os sensores comprados para as novas corvetas classe Tamandaré seriam uma opção para equipar um novo navio de apoio de combate como o radar Artisan, a diretora de tiro STIR 1.2 e as alças optrônicas PASEO XLR. O Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA Mk III do IPqM seria instalado no CIC.

A classe Absalon foi projetada com a capacidade de uma fragata.



A Ares produz o sistema CORCED equipada com um FLIR. As corvetas da classe Tamandaré serão equipadas com a torreta Sea Defender calibre 12.7 mm.



O projeto de um navio de apoio de combate dedicado tem a vantagem de ser projetado desde o início para ter formato furtivo. O formato furtivo da proposta da MMC é bem mais parecido com um navio de guerra. Os radares conseguem distinguir os alvos pequenos dos grandes facilmente. Os alvos principais são obviamente os de grande RCS. Com um pequeno RCS, o navio de apoio deixa de ser o alvo principal e vira um entre vários alvos. Alvos falsos com grande RCS podem ser bem atrativos.

A assinatura térmica pode ser diminuída com coberturas especiais que até diminuem o calor interno. Os sprinkler usados para apagar incêndios nas partes externas do navio podem ser usados em caso de ataque para diminuir a temperatura externa do navio no caso de ameaça de mísseis guiados por calor.

A ELEBRA fabrica o bloqueador ET/SLQ-1A que equipa as corvetas Barroso. Também recebeu o lançador de Chaff/Flare SLDM (sistema de lançamento de despistadores de mísseis). Os dois foram integrados com o Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA MK.II que também recebe dados de um MAGE Cutlass B1BW que dá alerta de ameaças. Os bloqueadores e o MAGE são necessários contra ameaças de drones pois podem dar alerta da presença do link de comunicação e depois interferir nas comunicações.



A corveta Tamandaré será equipada com o lançador de Chaff/Flare TERMA C-GUARD.
 

As armas de um navio de apoio de combate teriam mais função defensivas junto com os sistemas eletrônicos. A primeira defesa a ser pensada em um cenário com maior ameaça é evitar o local. Se não for possível, o próximo passo é ser acompanhado por uma ou mais escoltas mais capazes.

Um exemplo recente a ser considerado é o conflito na região do Iêmen quando o navio de transporte rápido HSV-2 Swift dos Emirados Árabes Unidos foi atacado por um míssil anti-navio lançado da costa. A resposta da US Navy foi um ataque com mísseis de cruzeiro Tomahawk contra três estações de radar que faziam busca e indicação de alvos. Os navios da US Navy também foram atacados por mísseis antes de silenciarem os radares.

O MV Ocean Trade do SOCOM tem como defesa apenas seis pedestais para metralhadoras e lança-granadas mais as armas das tropas embarcadas como fuzil de sniper, metralhadoras, canhão sem recuo Carl Gustav e mísseis Javelin.

O conceito de modularidade pode abranger também as armas de um navio de apoio de combate. As opções de armas provisórias mais sofisticadas que podem ser instaladas já estão disponíveis na forma de blindados como os Leopard 1, Guepard e Guarani com torre Remax do EB que ficariam no convés superior para defesa do navio. O USMC testou o uso de blindados LAV-25 contra ameaça de pequenas embarcações rápidas em navios anfíbios. Os testes incluíram o uso de snipers, veículos Humvee armados com mísseis TOW e os LAV-25. A US Navy usava mísseis portáteis Stinger para defesa dos seus navios de apoio. Nossas forças armadas tem a opção dos mísseis IGLA, RBS-70 e Mistral.



Danos no Catamarã Swift do UAE após ser atacado por mísseis anti-navio do Iêmen. Outros vídeos mostram pequenas lanchas de controle remoto atacando uma fragata saudita.

Blindado LAV-25 em um navio anfíbio da US Navy durante testes de defesa contra ameaça de embarcações rápidas.



Soldado do USMC operando um míssil anti-carro Javelin em um navio da US Navy operando na costa do Iêmen.



O navio australiano HMAS Kanimbla participou da Guerra do Golfo em 2003. Uma defesa do navio era um destacamento de mísseis RBS-70 do exército australiano similar ao usado pelo EB.

Lançadores de mísseis Stinger em um navio de apoio da US Navy.


Caso o navio seja projetado com defesas permanentes mais sofisticadas, o padrão da MB é usar canhões de 40 mm para se defender de alvos aéreos e mísseis. Podem ser usados também contra alvos navais como lanchas rápidas. As fragatas classe Tamandaré serão equipadas com um canhão Bofors 40 Mk4 enquanto o canhão Leonardo 76/62 mm pode ser usado contra alvos no mar, ar e terra. Estes canhões precisam de um radar de controle de tiro para serem efetivos o que poderia aumentar consideravelmente o custo de um navio.

Atuando como plataforma de helicópteros, podem ser considerados armas ofensivas e defensivas. Os helicópteros podem ser armados com metralhadoras, casulos com foguetes não guiados, mísseis Spike e mísseis Exocet.



Canhão antiaéreo calibre 40mm é o padrão da MB.



Helicóptero Lynx armado com uma metralhadora M3 calibre 12,7mm usado para apoiar missões de abordagem.
 

Conclusão

Os navios multiemprego podem maximizar a capacidade de qualquer Marinha, pela ampla diversidade de operações e missões que são capazes de executar. As opções de tamanho são bem variadas, indo desde um grande navio mercante adaptado como a classe Prevail, um navio bem armado como uma fragata com convés flexível como a classe Absalon e um navio de apoio logístico furtivo como o projeto da MMC. Os sistemas de armas também são bem variados em termos de capacidades e custos. Até mais de um tipo pode ser adquirido para ampliar ainda mais a flexibilidade.

Os navios de apoio de frota de grande porte estão sendo chamados de navios de apoio conjunto (Joint Support Ship - JSS) para apoiar forças no mar, terra e no ar.
 

 

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