Navios de apoio de combate

 
Uma tendência nos meios navais atuais são os navios de apoio de combate multifunção (Combat Support Ship) para apoiar missões em cenários de baixa intensidade com função secundária de atuar em cenários de média e alta intensidade. Os navios equivalentes usados em cenários de alta intensidade seriam os navios de apoio de frota.

Após o fim da Guerra Fria, as marinhas passaram a ter um número muito grande de navios para guerra convencional que não eram mais necessários ao mesmo tempo que a maioria das missões passaram a ser de baixa intensidade como apoiar missões de paz. As fragatas e contratorpedeiros eram muito caros de manter em operações tão simples. Um navio menos sofisticado se tornou necessário.

A primeira classe de navio de apoio de combate multifunção a entrar em serviço foi a Absalon da Dinamarca. Trata-se de um navio com deslocamento de um contratorpedeiro (6.600 toneladas) com um "flex deck", ou convés flexível, que permite receber módulos de missão conforme a tarefa pretendida. O convés flexível tem 90 metros de comprimento e 915m2 de área. Uma rampa roll-on/roll-off na popa é usada para desembarque de veículos.

O Absalon é propulsado por dois motores diesel de 22.300 hp, podendo atingir uma velocidade máxima de 24 nós. A tripulação é de 100 homens, mas tem acomodações para 170 pessoas e pode receber mais 130 pessoas em contêineres dormitórios no convés flexível. As instalações podem apoiar 300 pessoas como uma companhia com 200 tropas.

O convés flexível foi proposto para o transporte de unidades do exército, posto de comando de grupo de exército deslocado e plataforma para comandante de GT, base operacional avançada de forças especiais, e base para operações humanitárias. Um hospital em contêineres pode ser instalado no convés flexível. Como navio de transporte pode levar 55 veículos e sete carros de combate. As instalações de um estado maior de até 75 pessoas também podem ser levadas em contêineres.


Montagem destacando o convés flexível da classe Absalon.

O projeto Crossover do estaleiro Damen é outro navio de apoio de combate com formato de fragata e que usa conceito de modularidade. O navio não tem capacidade de atuar como navio tanque e se concentra nas funções de transporte e apoio logístico.

O Crossover na verdade são vários projetos que variam de 4.500 a 5.330 toneladas e capazes de levar de 150 a 200 tropas adicionais. As variantes têm especializações como segurança, apoio logístico, navio anfíbio e combatente. Dependendo dos equipamentos instalados e planejados, o Crossover pode realizar missões de guerra marítima (ASW, ASuW e AAW), operações anfíbias, apoio a forças especiais, ajuda humanitária, segurança marítima, transporte estratégico, busca e salvamento, apoio logístico, guerra de minas, apoio de drones aéreos e de superfícies e hidrografia.

O projeto Crossover do estaleiro Damen foi pensado desde o início como um navio modular.

Destaque do convés flexível do Crossover. O convés flexível do Crossover é mais curto que o da classe Absalon, mas é mais largo na popa e considera parte da área do hangar e porão de carga.

Corte interno da Crossover com mais detalhes do convés flexível.

A US Navy já estudou comprar os navios da classe Albion para substituir parte dos seus navios LCS nas missões de baixa intensidade e o Comando de Operações Especiais (SOCOM) está operando um navio mercante convertido como navio de apoio de combate.

O SOCOM já usou bases flutuantes improvisadas durante a operação Praying Maints no Golfo Pérsico em 1987. As bases eram balsas que apoiavam helicópteros do SOAR e lanchas rápidas contra embarcações iranianas que atacavam navios neutros no Golfo durante a Guerra Irã-Iraque e também lançavam minas. As embarcações iranianas disparavam foguetes de 107mm, RPG-7 e metralhadoras contra a ponte de comando dos navios mercantes. Os navios podiam ter escoltas, mas as ações ofensivas eram feitas pelas forças especiais americanas. As bases inimigas eram plataformas de petróleo abandonadas.

A experiência da Guerra do Vietnã mostrou que em guerra limitadas, as tropas devem ser baseadas na costa sempre que possível. Em 1969, o USMC começou a estudar o conceito Sea Base para poder operar sem bases em terra. As operações no Vietnã do Sul mostraram que o mar era um santuário para as tropas americanas assim como a selva ajudava o Vietcong. Durante um desembarque, os objetivos geralmente ficam bem dentro do território, mas a praia é usada mais como base de apoio logístico. Então tentariam manter o apoio logístico o máximo possível no mar.

Balsa Hercules atuando no Golfo Pérsico apoiando as forças especiais americanas em 1987.

O SOCOM agora opera o MV Ocean Trader (ex-Cragside), um navio de transporte capaz de apoiar até 200 tropas. O navio foi alugado e adaptado para apoiar missões na costa da Somália e Iêmen.

O MV Ocean Trader desloca 20 mil toneladas, tem 50 tripulantes civis e é capaz de sustentar 20 nós. A modernização inclui um FLIR, sistemas de comunicações e equipamento de inteligência de sinais (SIGINT). O convoo é capaz de operar helicópteros do tamanho de um CH-53E e pode levar 560 mil litros de combustível JP5 para os helicópteros. O navio tem espaço nas laterais para quatro embarcações de desembarque.



Foto do MV Ocean Trader operado pelo SOCOM. A furtividade visual é poder ser confundido com outro navio cargueiro civil. O melhor lugar para instalar um convoo é no meio do navio onde ocorre menos movimento do navio em mar agitado.


No início de 2019, a Royal Navy considerou a compra de navios similares ao MV Ocean Trader no programa Future Littoral Strike Ship (FLSS). O FLSS seria uma plataforma multifuncional baseada em navios comerciais adaptados. Poderiam até ser adaptados com mísseis e armas para ataque terrestre e atuar como bases flutuantes e navios de apoio. O objetivo no uso de plataformas comerciais seria diminuir os custos e acelerar a fabricação e entrada em operação.

Os fuzileiros britânicos estão colocando em operação duas unidades de nível Companhia chamadas de Vanguard Strike Companies (VSC). Cada VSC tem cerca de 150 fuzileiros e atuam junto com navios anfíbios para mobilidade. O membros do VSC também são treinados para operar em pequenas unidades de até quatro tropas. Sistemas de navegação e comunicações atuais permitem esta capacidade. Antes operavam em grupos de oito tropas.

O Prevail Multi-Role Vessel (MRV) do estaleiro FSG foi proposto para o programa FLSS. O MVR é resultado da conversão do MV Ocean Trader e inclui capacidade de apoiar 400 tropas.


A proposta do Future Littoral Strike Ship da Royal Navy faz parte de uma das configurações da Expeditionary Strike Force. O Littoral Strike Group seria o recurso mais simples para enviar uma Força Tarefa como resposta a um conflito de baixa intensidade. O próximo passo seria enviar uma força anfíbia (Amphibious Strike Group) e/ou um porta-aviões (Joint Strike Group).

As lanchas rápidas Offshore Raiding Craft (ORC) do UKSF que poderia ser levado pelo MRV. As placas de blindagem podem ser vistas ao redor da cabina. Durante a Primeira Guerra Mundial, duas ou três metralhadoras eram suficientes para barrar o avanço de um batalhão de infantaria em campo aberto. O aprendizado foi usado no projeto de embarcações anfíbias que receberam blindagem contra metralhadoras.

A Royal Navy já operou por alguns anos o RFA Reliant que era um navio mercante Ro/Ro convertido para apoiar helicópteros. O navio recebeu um hangar na proa, um convoo e podia levar até cinco Sea King.

O projeto das quatro fragatas F-125 da Alemanha teve uma abordagem diferente sendo uma fragata capaz de atuar em cenários de baixa intensidade como missões de estabilização, missões de paz, capacidade de apoio de fogo naval, apoio a forças especiais e controle de ameaça assimétrica. A tripulação é de 110 homens com capacidade adicional de 80 incluindo o pessoal de aviação. O navio tem quatro pequenos conveses flexível cada um podendo levar contêineres de missão ou embarcações RIBH de até 10 metros. O navio foi planejado para realizar missões de longa duração de até 2 anos com troca da tripulação no meio da missão.


A F-125 tem dois recessos nos costados para embarcações semirígidas infláveis (RHIB) usadas pelas tropas embarcadas em incursões em terra ou tomada de outras embarcações.

 

Apoio logístico

Um navio de apoio de combate de combate pode ser um navio bem útil para a MB por realizar a maioria das missões e as mais comuns. Realizaria principalmente missões de baixa intensidade, longa duração, em locais bem distantes da costa, com ou sem apoio de coalizão.

Marinhas oceânicas como a Royal Navy tem muitos navios de apoio logístico e praticamente todo grupo-tarefa tem pelo menos um, como um ou dois navios de escolta e um navio tanque, permitindo operações por períodos de até seis meses. Durante a guerra das Malvinas, a Royal Navy operou com um total de 25 navios tanque incluindo 15 convocados da marinha mercante. Uma fragata pesada chega a consumir 50 toneladas de combustível por dia em velocidade de cruzeiro. A 25 nós, o consumo chega a 5 toneladas por hora. Os navios reportam diariamente o nível de combustível e são ordenados a reabastecer quando estão abaixo de 70%, se for possível.

Durante a Guerra Fria, a US Navy operava com 15 grupos tarefas com porta-aviões (CVBG) e 10 grupos de apoio de reabastecimento (URG - Underway Replenishment Group). A US Navy investe muito em reabastecimento no mar, permitindo que suas escoltas levem menos suprimentos e armas. O espaço interno é melhor aproveitado evitando grandes áreas de armazenamento de armas, suprimentos e combustível. Por exemplo, a US Navy considera 600 tiros para cada peça de médio calibre (cano) enquanto a Royal Navy considera 300 tiros para economizar espaço. Levar água potável também consome muito espaço e preferem destilar a água do mar. Durante as operações de combate os tripulantes consomem pouca água pois ficam a maior parte do tempo de prontidão e nem perdem tempo trocando de roupa ou tomando banho.

A função principal dos navios de apoio é o reabastecimento de outros navios com combustível atuando como navio tanque (reabastecimento no mar). A US Navy iniciou as operações de reabastecimento ainda na Segunda Guerra quando suas escoltas no Atlântico estavam consumindo o dobro do normal devido ao mau tempo e a solução foi levar combustível extra nos navios mercantes e depois passar para as escoltas. Na década de 1930, calcularam que o contratorpedeiro USS Mahan usava 1.800hp para navegar a 15 nós, mas contra um vento de 25 nós frontal (40 nós no total) usava 2.335hp.

Os porta-aviões da US Navy operando no Vietnã ficavam em operação por cerca 30 dias no mar e uma semana em descanso em terra. As escoltas têm autonomia de 3 a 6 semanas e teoricamente poderiam reabastecer em terra, mas costumam reabastecer no mar com frequência para manter os estoques de combustível e armas sempre cheio. Em tempo de paz raramente ficam mais do que duas semanas direto no mar.

O porta-aviões São Paulo navegando na velocidade máxima consumia mais de 27 toneladas de óleo por hora. Em uma velocidade de cruzeiro de 22 nós gastava 7,5 toneladas. O navio levava 3.400 toneladas de óleo e 1,5 milhões de litros de QAV. Uma fragata classe Niterói leva 480 toneladas de combustível com autonomia de 45 dias.

A MB opera o navio tanque Almirante Gastão Motta (G23) desde 1990. Com um deslocamento máximo de 10 mil toneladas e velocidade máxima de 20 nós, pode levar 5 mil toneladas de carga. O G23 é o único navio tanque disponível da Esquadra e a MB pode precisar de outro navio tanque quando estiver indisponível em manutenção demorada. Outros navios maiores poderiam realizar reabastecer navios menores como o NAM Atlântico e o NDM Bahia, mas serve mais como treinamento.


O Gastão Motta reabastecendo um navio anfíbio da classe Mistral. O Gastão Motta pode levar 4.400 toneladas de combustível, sendo 5.100.000 litros de diesel MAR-C e 608.000 litros de JP-5, mais 200 toneladas de suprimentos diversos. O navio está equipado com uma estação de transferência de cargas (RAS - Replenishment at Sea) em cada bordo a meia nau.


O NDM Bahia reabastecendo uma fragata classe Niterói. A capacidade de operar por longas distâncias ou longa duração, sem precisar de apoio de outro navio ou base em terra é uma característica dos cruzadores.

O estaleiro polonês MMC & Remontowa propôs um navio de apoio logístico furtivo (Stealth Logistic Support Vessel) para a marinha da Polônia. O navio teria 116 metros de comprimento e um deslocamento de 6.100 toneladas e seria operado por 60 tripulantes. A propulsão é feita por dois motores diesel com 5.000 kW e dois motores elétricos de 2.500 kW. A velocidade máxima é de 20 nós e o alcance de 8.000 milhas a 15 nós com autonomia de 30 dias.

O navio tem um convés flexível capaz de levar 11 contêineres de 20 pés ou oito blindados ou caminhões com rampa traseira para desembarque. A capacidade de transporte de combustível é de 1.500 toneladas de combustível naval, 50 toneladas de combustível de helicóptero e 200 toneladas de água. Uma regra simples é considerar que um navio de reabastecimento pode apoiar o mesmo deslocamento, então o MMC poderia apoiar duas fragatas classe Niterói ou três corvetas da classe Barroso. Como a maioria das missões da MB é de treinamento, a pequena capacidade de apoio logístico do MMC seria suficiente ou então daria conta de apoiar um grupo tarefa pequeno com navios pequenos como corvetas. A maioria das missões operacionais são cenários de baixa intensidade como as missões de paz com um ou poucos navios.

As escoltas fazem reabatecimento de outros navios em uma escala bem menor. Podem transferir combustivel para outras escolta com nível critico de combustível assim como outros suprimentos e munições. Por exemplo, as peças de reposição dos helicópteros são espalhados em vários navios para evitar que a perda de um resulte na parada de todos e nem é possível levar todas peças em todos os navios. Os contratorpedeiros líderes de flotilhas de lanchas torpedeiras eram usados para reabastecer as lanchas.


O navio da MMC foi projetado para realizar várias missões como reabastecimento de líquidos e sólidos, operações de helicópteros, transporte de veículos, ajuda humanitária e patrulhas de longo alcance.


Montagem do projeto da MMC com maior tamanho incluindo um convés de armas no meio do navio para levar lançadores de mísseis.

Um navio de apoio com capacidade de reabastecimento de outros navios seria um tipo de navio de apoio de combate pois a maioria dos projetos tem função de apoio logístico ou transporte rápido. As missões de longo alcance/longa duração precisam também de suprimentos, água e manutenção. Contêineres de 20 ou 40 pés instalados no convés ou compartimento de carga podem ser usados para deslocar instalações modulares como hospital, centro de comando, dormitório e oficina de manutenção.

Além de apoiar outros navios no mar, os navios de apoio logístico estão apoiando tropas em terra, e transportando tropas, veículos e equipamento. Geralmente são missões de paz. A maioria das missões de paz tem um pequeno contingente e não precisa do apoio de um grande navio como NDM Bahia para serem transportados. Um navio de apoio de combate pode levar tropas, veículos e cargas para apoiar um contingente menor. Pode até permanecer no local para apoio logístico durante as fases iniciais. O convés flexível é um dos requisitos e precisa de instalações para apoiar a tropa como banheiros e cozinha.

Atuando como transporte de tropas, geralmente também levam veículos e suprimentos por um período de tempo, 20 ou 30 dias de operações. Por exemplo, um esquadrão do SAS deslocado para as Malvinas preparou 15 toneladas de equipamentos para um esquadrão com 65 tropas, mas ainda usou os suprimentos dos navios onde eram transportados.

Os navios anfíbios são projetados com a capacidade de levar tropas, cargas e veículos (espaço e volume) além dos meios de levar até a praia. No caso de um navio de apoio de combate, geralmente serão ações de baixa intensidade e podem até ir direto para um porto. Os veículos de desembarque podem ser botes de borracha ou os helicópteros que também irão levar as cargas. Os botes de borracha não têm capacidade de levar veículos até a praia e a única opção seriam pequenos veículos 4x4 levados pelos helicópteros.

Um doca alagável seria altamente desejável para as operações anfíbias, mas ocupa muito espaço. A doca alagável permite rapidez no desembarque e por isso acabou sendo adotada pelos navios anfíbios. Os navios de assalto anfíbio tem que desembarcar tropas e cargas o mais rápido possível para sair da área de assalto. Na Segunda Guerra Mundial, o requisito era desembarcar em 12 a 24 horas para diminuir a exposição a contra-ataques. Os navios da época ficavam cheios de embarcações de desembarque empilhadas no convés para poder levar as tropas em pelo menos duas vagas. Os navios que apóiam as fases posteriores de um assalto anfíbio não precisam desembarcar com rapidez. Os LST abicando na praia descarregava seus veículos em duas horas enquanto com embarcações de desembarque demorava de 4 a 6 dias. Os navios RO-RO aproveitam menos o espaço, mas carregam e descarregar mais rápido.

A doca permite melhorar a capacidade de modularidade ao permitir levar embarcações como caça-minas, navios patrulha ou drones com o navio atuando como navio-mãe. A outra opção é usar rampa ou gruas/turcos para embarcações menores. O conceito de basear drones de superfície em um navio-mãe remonta aos cruzadores que levavam lanchas torpedeiras no século XIX. Os torpedeiros eram inadequados para navegar em alto mar e precisavam de um navio maior para viagens longas e fazer bloqueio na costa inimiga.


A popa da Absalon tem um guindaste capaz de operar lanchas SRC-90E de 7,4 toneladas. Até duas lanchas podem ser levadas e apoiaria operações anfíbias e forças especiais.

Um drone de superfície Madfox operando a partir de uma doca de um navio anfíbio britânico. Inicialmente os navios doca levavam embarcações anfíbias, mas também passaram a levar lanchas torpedeiras, lanchas patrulhas e varredores de minas.

 

Apoio de aviação

Outra possível função dos navios de apoio de combate é atuar como plataforma de helicóptero apoiando ações no mar e em terra. As instalações de helicópteros incluem um convés de voo (convoo) e um grande hangar para manutenção e reabastecimento que agora fazem parte dos projetos dos navios de apoio. Para operar com helicópteros, o navio precisa ser idealmente estabilizado o que também irá facilitar o trabalho das armas e sensores.

Foi na década de 1950 que os helicópteros foram sugeridos para levar armas anti-submarino. Podiam substituir as armas da época como os morteiros Limbo e Squid. A Royal Navy investiu nos helicópteros Wessex equipados com um sonar que seria equivalente a um navio adicional equipado com sonar de profundidade variável (VDS). Testaram primeiro embarcados nos porta-aviões e queriam equipar suas escoltas com hangares para levar um helicóptero maior. A aeronave faria busca e ataque, mas precisaria de mais combustível nas escoltas (cerca de 20 toneladas).

As fragatas Type 22 podiam levar dois helicópteros Lynx que permitia manter uma patrulha contínua por 14 horas. Os navios de suprimento Fort Victoria foram projetados para levar cinco helicópteros Sea King para guerra antisubmarino para aumentar a capacidade de um Grupo Tarefa. Os helicópteros também chegam a triplicar o número de horas voadas durante os combates e ficar baseados no navio de reabastecimento já simplifica.

As missões de apoio aéreo aproximado consomem muito combustível e munição e podem ser realizadas por helicópteros embarcados. Os porta-aviões da US Navy costumam realizar operações aéreas por três a quatro dias e depois reabasteciam e rearmavam.

O porta-aviões Hermes foi usado para lançar helicópteros Sea King a noite para desembarcar patrulhas de reconhecimento do SAS e SBS ao redor das ilhas Malvinas. Se aproximava rápido com duas escoltas e depois fugia rápido antes do amanhecer. É uma tarefa que poderia ser passada para navios menores como os navios de apoio de combate sem arriscar uma unidade de alto valor.

Para conseguir um bom efeito de choque, o USMC planeja desembarcar o primeiro escalão de assalto em 90 minutos. Seria 5.500 tropas e 425 toneladas de carga equivalente a uma Brigada reforçada. O assalto aéreo atingiria pontos até 80km dentro da praia. Usariam helicópteros com capacidade de carga de 2 e 4 toneladas. Calcularam que seria necessário 300 saídas da aeronave menor ou 105 da aeronave pesada. Seria necessário uma frota de 100 helicópteros médios e 53 pesados. Uma força do tamanho de uma Companhia com 150 tropas seria 36 vezes menor e precisaria de 5 ou 6 helicópteros médios, mas a quantidade de aeronaves pode diminuir se aumentar o tempo para desembarcar. Um navio de apoio de combate leva poucos helicópteros, mas as escoltas podem levar helicópteros adicionais.

Além dos helicópteros, as escoltas estão sendo usados como navio-mãe de drones aéreos. Os drones tem vantagens como o tamanho menor e consomem menos combustível. Um exemplo prático de operação real apoiada por helicópteros seria a retomada das Ilhas Georgia do Sul em 1982 pelos britânicos. O GT enviado consistia de duas escoltas e dois navios de apoio equipados com helicópteros Wessex e 120 tropas dos fuzileiros, SAS e SBS. Foi uma incursão anfíbia que não necessitava de meios sofisticados pois não era esperado ameaça aérea e havia poucas tropas argentinas no local. A missão iniciou com o reconhecimentos de locais onde poderiam ter tropas argentinas. Primeiro tentaram infiltração com helicópteros, mas o mau tempo atrapalhou. Depois tentaram infiltrar com botes de borracha. A missão de reconhecimento poderia ser realizada agora por drones. Estimavam que demoraria cinco dias entre a inserção, movimentação até o ponto de observação e o reconhecimento, sendo que um drone poderia iniciar assim que chegassem e nos vários pontos suspeitos de terem tropas argentinas. O drone poderia ser lançado a cerca de 500 km da ilha para gravar imagens e depois ser recuperado sem precisar de linha de visada de rádio. Durante a noite até os helicópteros ou navios equipados com um FLIR de longo alcance poderiam ser usados. As tropas argentinas se renderam após duas horas de bombardeiro naval contínuo ao redor das suas posições para demontrar que seriam facilmente dominadas. As tropas britânicas foram desembarcada pelos três helicópteros dos navios em várias ondas.



O hangar da Classe Absalon é capaz de receber dois helicópteros de médio porte como o Merlin. Mais de um tipo de helicóptero pode ser necessário como um Esquilo ou H-135 para operações mais simples e uma aeronave mais sofisticada como o Lynx e MH-16 para tarefas mais complicadas. Por outro lado, duas tripulações de apoio seriam maiores que a de um modelo único.

s Os drones agora estão tomando o lugar de parte das missões dos helicópteros embarcados. A imagem é do lançador de um drone ScanEagle sendo lançado da fragata australiana HMAS Newcastle durante operações no Oriente Médio. O Scaneagle pode operar de embarcações bem pequenas. Foi testado no NaPaOc Amazônia e já está em operação na MB.

 

Transporte rápido

Os transportes de alta velocidade (Auxiliary Personnel Destroyer - APD) usados pela US Navy na Segunda Guerra mundial eram contratorpedeiros mais antigos adaptados para levar uma Companhia de fuzileiros de 120 soldados por 48 horas (podendo levar até 200) e 40 toneladas de cargas, como um obuseiro de 75mm e munição. Seriam usados em pequenas incursões contra as praias inimigas. Os navios também podiam realizar apoio de fogo naval com seus canhões se necessário. Quatro embarcações de desembarque LCPL eram levadas para desembarcar as tropas e cargas.

Apesar do termo "rápido", eram relativamente lentos, navegando a no máximo 25 nós, mas era bem mais rápido que a maioria dos navios transporte de tropas da época. A velocidade podia ser usada para fugir caso fosse necessário. Os APD também realizavam outras missões como escolta de navios de transporte, transporte de carga e passageiros e operações de minagem.

Os APD foram planejados para operar em ilhas defendidas por submarinos. Recebiam as tropas dos navios de transportes de tropas e levavam até a área de desembarque durante a noite a cerca de 350 km. O navio tinha requerimento de ser rápido e capacidade de apoio de fogo até com metralhadoras. Esta missão já tinha sido feito antes pela Royal Navy em Galipoli durante a Primeira Guerra Mundial quando dois couraçados foram afundados por submarinos e queriam evitar navios parados na costa. Então passaram a usar contratorpedeiros para levar tropas até a praia.

O Japão também usou contratorpedeiros, cruzadores e até submarinos para transportar tropas para reforçar suas ilhas no Pacífico por dois anos. As missões eram chamadas de Expresso de Tóquio e era realizada frequentemente a noite para fugir das aeronaves de reconhecimento. Os navios transportavam cargas e tropas ou evacuavam tropas e feridos. Os contratorpedeiros japoneses levavam entre 150 a 300 tropas dependendo da duração da viagem, mas as tropas só podiam levar equipamentos leves. Divisões de contratorpedeiros eram usados para levar divisões de infantaria em alguns dias. Para desembarcar as cargas mais rápido, lançavam em barris amarrados e esperavam que fossem levados pelas marés até a praia. Um contratorpedeiro podia levar cerca de 100 barris e eram lançados a 200-300 metros da praia. A maioria não era recuperado e as tropas japonesas ficaram sem suprimentos. O Japão decidiu evacuar as tropas e novamente foram usados os contratorpedeiros.

A Royal Navy estudou modificar alguns contratorpedeiros da classe River em 1943 para transportar passageiros. A Royal Navy já tinha usado navios de guerra para levar cargas críticas até a ilha de Malta e queriam navios dedicados. O navio levaria 200 toneladas e 52 passageiros, mas o projeto foi cancelado.

A Royal Navy depois adaptou alguns contratorpedeiros para atuar como Assault Group HQ , para apoiar uma Brigada até que o posto de comando possa se estabelecer na praia. Eram usados dois navios para cada divisão anfíbia. O navio levava 12 oficiais e seis praças adicionais, mais espaços para comunicações extras e tinha capacidade de direção de caças. Uma embarcação de desembarque era usada para levar material e pessoal para a praia. Seis contratorpedeiros foram convertidos para apoiar a invasão da Normandia e três para apoiar unidades no Pacífico.

Os lança minas britânicos da classe Agbdiel eram os navios que mais se aproximam aos APD da US Navy. O navio podia levar cerca de 150 minas em um convés coberto e o local era usado para transportar cargas e pessoal em locais isolados como Tobruk ou Malta. O navio era relativamente rápido e bem armado sendo até considerado um cruzador lança minas pois foram projetados para lançar minas nas águas inimigas, próximo de portos e tinham um tamanho relativamente grande.

O APD podia levar uma companhia de fuzileiros e cinco a nove APD levavam um batalhão, mas sem o equipamento pesado. Geralmente transporta por alguns dias ou só a curta distância. Até os contratorpedeiros não convertido realizavam a missão aproveitando as embarcações de desembarque outros navios. Em 1941, foi proposto operar por 30 dias levando 148 tropas. Foram usados para levar equipes de reconhecimento e demolição. Três APD apoiavam uma divisão de fuzileiros e podiam ser usados como navio de comando (flag ship).

Os APD mostraram ser bem úteis e 26 foram convertidos durante a Segunda Guerra. Faziam apoio de fogo localizado e liberavam os contratorpedeiros mais sofisticados para outras missões. Os APD continuaram a ter capacidade de guerra anti-submarino com cargas de profundidade e sonar de ataque. Também faziam escolta dos grupos anfíbios. Depois da Segunda Guerra, a US Navy queria converter mais contratorpedeiros pois mostraram ser bem úteis.

A US Navy operava 11 APD e queriam chegar a 100 navios. Em setembro de 1943 foi sugerido converter 100 contratorpedeiros de escolta para APD. No total foram 95 convertidos. Cada APD levaria 160 tropas, quatro LCVP, seis veículos 4x4, dois caminhões de 1 tonelada, quatro obuseiros de 75mm e quatro carretas de munição. O APD tinha capacidade de levar 170 metros cúbicos de munição, cerca de 3,5 toneladas de carga e mil litros de combustível. A missão do APD era tomar ilhas pequena ou uma cabeça de praia de até 5km de profundidade por duas semanas. Após a Segunda Guerra atuavam mais nas fases inicias de um assalto anfíbio como reconhecimento e lançando mergulhadores de combate.

Durante a Guerra da Coréia, os APD realizaram missões de infiltração de agentes, incursões e assaltos anfíbios e evacuação de tropas. O APD continuou sendo útil durante a guerra no Vietnã. Eram usados para transportar equipes de reconhecimentos e mergulhadores. Eram usados como centro coordenação de interdição no mar para bloqueio marítimo, interdição com apoio de fogo naval, vigilância e reconhecimento eletrônico, aleta aéreo com radar e operações de engodo. O último APD foi retirado de serviço em 1969. Quatro receberam modernização FRAM com dois lança-torpedos Mk32, sonar, contramedidas eletrônicas e um CIC maior. Sete APD foram usados como navio de comando (flagship), comandando uma divisão de contratorpedeiros ou flotilha de navios de assaltou com esquadrão de transporte.

Os APD não tiveram substitutos pois apareceram outros meios para apoiar incursões com pequenas unidades como os helicópteros e os submarinos lançando mini-submarinos para transporte de mergulhadores. Os navios escolta não levam helicópteros em número suficiente e os submarinos apoiando eram melhores para conseguir surpresa ou operar em local com muita ameaça, apesar de serem bem menos capazes que os APD. O USMC passou a considerar que a grande maioria das operações anfíbias será no nível de batalhão (MEU).

As escoltas britânicas também tinham função de apoiar pequenas operações na Guerra Fria. Eram armadas com um canhão médio para a missão. O projeto da Type 19 considerava levar um pelotão ou refugiados, um canhão de médio calibre, helicóptero para reconhecimento e comunicações, e um bote para com boa capacidade de desembarque. As fragatas Type 22 foram projetadas com acomodações adicionais para acomodar um destacamento de fuzileiros.

Foto do USS Begor, um transporte rápido da classe Crosley. Foi uma adaptação dos contratorpedeiros de Escolta. O navio desloca 1.450 tons e leva 160 tropas. A velocidade máxima era de 23 nós e a velocidade de cruzeiro de 15 nós. Para a época era um transporte "rápido" visto que os navios de transporte da época tinham velocidade máxima de 11 nós como a classe Liberty e 13 a 16 nós para os LST. A classe demorou a ficar pronta para atuar na Segunda Guerra, mas atuou na Guerra da Coréia levando os Commandos britânicos para atuar atrás das linhas sabotando linhas férreas (foto).

Durante a Segunda Guerra, a marinha japonesa perdeu muitos contratorpedeiros que eram usados para transporte na campanha de Guadalcanal (Expresso de Tóquio). A reação foi projetar um transporte rápido para penetrar a linha de frente com o navio de desembarque classe 1 baseado em um contratorpedeiro adaptado. Foi adicionado uma rampa traseira para descarregar rapidamente as embarcações de desembarque e até um lastro para baixar ainda mais a rampa. A função primária era transporte, mas eram boas escoltas e viraram navios multipropósito, atuando também como lança minas e escolta. Na imagem acima, o navio está levando minisubmarinos nos trilhos do convés.



Um navio equivalente atualmente aos APD seria os HSV como mesmo deslocamento, mas com dobro da velocidade de cruzeiro, mas o HSV só faz transporte ponto a ponto, de um porto ao outro.



Devido a falta de peças de reposição para os seus contratorpedeiros classe Type 42, a Argentina resolveu converter o ARA Hércules como navio de transporte rápido com capacidade de levar 238 fuzileiros. O navio recebeu um hangar capaz de levar dois helicópteros Sea King armados com mísseis AM-39 Exocet.

Módulos da Crossover na função de incursão anfíbia. A imagem mostra o sistema de lançamento e recuperação de um drone ScanEagle. O drone é usado para apoiar as missões de Comando & Controle de uma incursão anfíbia. Pode acompanhar as embarcações de desembarque, vigiar a zona de desembarque e detectar forças inimigas. As imagens de corte interno da Crossover mostram que o hangar recebe contêineres o que sugere que também é usado como convés flexível.


As escoltas atuais estão sendo projetadas com um pequeno convés flexível. A imagem é do convés flexível de uma fragata Type 26 da Royal Navy. O espaço permite levar contêineres modulares.

Contêiner dormitório adaptado.

Ainda na função de transporte estratégico, uma missão defensiva seria a evacuação de brasileiros em uma país em crise. O navio precisaria de uma boa velocidade para cobrir grandes distâncias e chegar rápido ao local se não for possível pré posicionar prevendo a possibilidade de uma missão de evacuação. Os navios de passageiros atuais fazem geralmente mais de 20 nós em cruzeiro. Seria uma velocidade de referência, mas a velocidade econômica dos comboios costuma ser de cerca de 15 nós e as escoltas manobram na velocidade de evolução de 18 nós para manter ou trocar a posição na formatura.

Na Segunda Guerra, os submarinos tinham velocidade média de 10 nós e um navio navegando a 15 nós estava relativamente protegido. No fim da Guerra apareceram os submarinos com velocidade de 16,5 nós submersos e aumentaram os requisitos dos navios anfíbios para 20 nós para acompanhar as escoltas. Os submarinos nucleares e os mísseis anti-navio deixou este requisito desnecessário. A velocidade de 20 nós foi mantida para dar versatilidade. Em distâncias mais curtas como no Atlântico e Mediterrâneo, a velocidade de 13 nós era suficiente.

A US Navy costuma enviar seus navios para locais em crise e ficam pré posicionados esperando serem chamados. Um exemplo foi a evacuação dos poucos americanos no Vietnã do Sul em 1975 quando previam a possibilidade de derrota das forças do Vietnã do Sul e estavam preparados com um grupo tarefa com um porta-aviões no local.

Enviar uma escolta como uma fragata para apoiar missões de evacuação implica em enviar também um navio de reabastecimento. Seria mais simples enviar o navio de reabastecimento com capacidade de realizar a evacuação ou os dois atuam juntos na missão com capacidades complementares.

Transporte de equipamentos e suprimentos em missões apoiando crise humanitária ou desastre (humanitarian assistance/disaster relief - HADR) seria outra missão dos navios de apoio de combate sendo um meio de resposta rápida contra desastres naturais ou não, realizando transporte de ajuda médica, alimentos, apoio logístico e meios de segurança. Seriam usados quando o tamanho e a quantidade de carga pode ser pequeno e a velocidade seria mais importante. Geralmente são enviados navios anfíbios nestas missões e continuam sendo necessários em caso de grandes cargas.

Um convés flexível pode ser transformado em um centro hospitalar de primeira linha embarcado apoiando ações próximo a costa como em caso de calamidade pública ou operações militares convencionais. Uma opção seria a possibilidade de deslocar o hospital para uma base em terra. A enfermaria deve ser capaz de apoiar cerca de 2% da tripulação ou poucos leitos. Para apoiar feridos durante um assalto anfíbio deve ter uma enfermaria maior e podem ser instalados no convés flexível.


Detalhes do projeto Crossover com módulos para atuar como navio hospital no convés flexível.


A classe Ary Parreira seria um exemplo de navio de apoio de combate da MB, mas sem muitas das capacidades citadas. A classe Ary Parreira desloca 7.433 toneladas e pode levar 4.000 toneladas de carga. A velocidade máxima era de 15 nós. As cargas são passadas para as embarcações de desembarque por guindaste o que é demorado. Os navios doca aproveitam menos o espaço interno, mas carregam e descarregam mais rápido o que é mais importante durante um assalto anfíbio. O desembarque tem que ser rápido para evitar contra-ataques e por isso tem que descarregar a carga de assalto em 12 a 24 horas.



Um exemplo mais recente de navio que poderia atuar como navio de apoio de combate seria o NDCC Almirante Saboia (G-25). O G-25 desloca 6.700 toneladas, tem 49 tripulantes e atinge uma velocidade máxima de 17 nós.



Comando & Controle

Outra função que está sendo adicionada aos navios de apoio de combate são as missões de Comando & Controle (C2). A classe Absalon foi projetada para apoiar um Estado Maior de Grupo Tarefa de 75 pessoas para missões de C2, ou o comando de um Batalhão de infantaria. Operam em contêineres adaptados para a missão e usam os sistemas de comunicações do navio. Os navios de comando de unidades de maior tamanho passaram para bases em terra graças as comunicações por satélite.

Levando uma Companhia de fuzileiros ou equivalente, a unidade de comando seria equivalente a um pelotão de comando enquanto está no navio. Depois passa a operar em terra dependendo da missão, incluindo os veículos. O Grupo Tarefa ou comboio também pode estar usando o navio como flag ship. As escoltas não são adequadas para apoiar operações anfíbias pois podem ter que se afastar para outra missão.

Atuar como flagship já foi uma das missões das escoltas. Os contratorpedeiros atuavam como líder de flotilha de torpedeiros enquanto os cruzadores atuavam como líder de flotilha de contratorpedeiro. Uma navio maior era necessário para contrapor ataque de navios equivalentes aos liderados e conseguir superioridade. Os contratorpedeiros eram tantos que os contratorpedeiros maiores tiveram que atuar como líder de esquadrão de contratorpedeiros. Os comboios eram liderados por contratorpedeiro, geralmente os mais bem equipados. Durante a Segunda Guerra, os APD já foram usados para C2 de operações anfíbias de menor escala.

Como centro de comando, o navio precisa de um COC (centro de operações de combate), sala reuniões (war room) e salas para oficiais como inteligência, operações e logística. As comunicações precisam estar operando 24 horas por dia. São necessários comunicações de longo alcance com a terra e navios, curto alcance com navios, unidades aéreas e tropas em terra. Pedir apoio de fogo é um exemplo e precisa de um centro de coordenação de armas. O navio precisaria de sistemas de COMINT (inteligência de comunicações) para apoiar as operações, mas podem estar disponíveis em outras escoltas.

Os primeiros torpedeiros e contratorpedeiros precisavam da ajuda de um navio maior com boas instalações de navegação e plotagem, meios de comunicações e melhores rádios. Os contratorpedeiros líderes de flotilha de torpedeiros tinham capacidade de rebocar os torpedeiros e as vezes reabastecer com combustível, davam apoio de fogo contra inimigos mais poderosos e ajudavam na navegação e comunicações. Um líder de flotilha ou divisão de contratorpedeiros podia coordenar fogo de concentração com todos os navios disparando contra um único alvo. Outra situação que o fogo de concentração era usado era quando um navio detectava um alvo e o mau tempo não permitia que todos vissem o alvo.

Um navio de comando precisava de espaço para o comandante do grupo (flotilha, esquadrão, divisão etc). O comandante precisa de espaço físico para seu Estado Maior assim como acomodações. Um contratorpedeiro líder tinha pelo menos seis oficiais a mais,ou 7 a 13 tripulantes a mais do grupo de comando do esquadrão. O Centro de Informações de Combate permitiu que qualquer navio realizasse esta função e o centro de comando pode até ficar baseado em terra com o uso de comunicações por satélite.

Os couraçados tinham armas leves contra os torpedeiros e contratorpedeiros, mas era difícil para os artilheiros distinguir entre amigos e inimigos no calor da batalha. As mesas de plotagem tática foram criadas para o comandante acompanhar os contratorpedeiros amigos. Já as flotilhas facilitavam acompanhar um grupo e apenas o líder informava a posição. Depois da Segunda Guerra Mundial, os contratorpedeiros passaram a atuar em esquadrões de quatro navios, como os cruzadores, para dar mais liberdade tática.

Antes do rádio, as marinhas transmitiam informações apenas com sinais visuais e por isso precisavam de muitos navios para manter a linha de visada. Antes do rádio, um navio que encontrasse o inimigo não podia ir na direção da frota amiga com risco de ser atacado. Os rádios passaram a operar embarcados no início do século XX e permitiram transmitir informações a até 200km.

Uma Força Tarefa (FT) pode ser dividida em vários Grupos Tarefas (GT). Os GT podem ser divididos em Unidades Tarefas como um grupo de ação de superfície (Surface Action Group - SAG). As Unidades Tarefas podem ser divididas em outros elementos menores. A composição está sempre mudando dependendo da situação. O GT pode destacar um SAG para avaliar um contato de superfície. As mensagens e ordens são passadas para os grupos e não para os navios.

A Royal Navy usa as escoltas SNO (Senior Naval Officer) para comandar comboio recebendo acomodações adicionais, instalações para controlar a cobertura antissubmarino, estado maior e direção de caças. Como exemplo temos os cruzadores da classe Tiger e as fragatas Type 22. Eram navios com meios mais sofisticados como comunicação e navegação por satélite e passavam a posições para outros navios.
 

Patrulha oceânica

As patrulhas de longo alcance e a patrulha oceânica costumam ser além das 12 milhas do mar territorial. Seria uma função secundária dos navios de apoio de combate pois estaria superdimensionado para a missão. Por outro lado, o navio-patrulha oceânico Apa (classe Amazonas) realizou patrulhas na costa do Líbano em 2015 durante 110 dias. Os navios da MB costumam operar por cerca de seis meses como parte da FTM-UNIFIL e um navio grande teria vantagens como no caso do conforto dos tripulantes em viagens muito longas. Um navio de apoio de combate pode ser usado como plataforma de apoio para operações de segurança marítima como proteção de navios como contra-terrorismo, combate ao tráfico de droga e outros atos ilícitos no mar, sanções marítimas, proteção ambiental, aplicação da lei e aplicações de bloqueio.

As operações de baixa intensidade (LIC - Limited Intensity Conflits) ou guerra assimétrica incluem a caça os piratas. Caçar piratas sempre foi uma das funções das marinhas sendo chamada de segurança marítima (Maritime Secutity Operations) ou interdição das linhas marítimas de comunicações (SLOC). As missões de interdição marítima (MIO - Maritime Interdiction Operations) são as operações como embargos, sanções e contra-terrorismo.

Desde a década de 2000 que a costa da Somália vem sendo um local de alto risco para ataques de piratas contra navios mercantes. A MB já estudou o envio de uma fragata para a região para combate a pirataria como parte de uma força tarefa mundial em ação no local. O MV Ocean Trader do SOCOM foi uma boa escolha por ter aparência de navio mercante e pode até ser uma isca para piratas. Os recursos adicionais necessários para a missão são drones de vigilância aérea, helicópteros e embarcações semi-rígidas (RHIB) para interceptação e abordagem.

Em 2009, a US Navy enviou uma fragata, um contratorpedeiro e um navio anfíbio para auxiliar no resgate dos tripulantes do navio mercante Maersk Alabama. Um navio de apoio de combate como o MV Ocean Trader operado pelo SOCOM, ou similar, seria necessário para apoiar os drones, helicópteros e forças especiais usados na operação.

Em 2011, piratas na Somália tomaram o navio indonésio MV Sinar Kudus para pedir resgate. O governo indonésio considerou um assalto anfíbio na Somália para resgatar os reféns dos piratas. A Força Tarefa incluía duas fragatas e um navio anfíbio com cinco blindados BMP-3, quatro obuseiros LG-1, sete botes semi-rígidos e 18 botes infláveis e um helicóptero Bell 412. O desembarque seria na praia de Cell Dhahanaan (El Dhanan) a 500 metros da vila onde viviam milhares de piratas e suas famílias. O governo da Somália autorizou a operação. O plano A era tomar navio ainda no mar. O plano B seria atacar o navio Sinar Kudus ao ancorar em terra e o plano C era tomar o local. Os tripulantes foram liberados ainda no navio.


Nas missões de abordagem são usadas Embarcações Tubulares Rígidas Híbrida.

Módulos da Crossover para missões anti-pirataria. O navio apóia a operação de forças de abordagem, embarcações rápidas, helicópteros e drones.

A Holanda usava fragatas para patrulhar suas colônias no caribe em missões anti-pirataria, anti-contrabando, estabilização e segurança. Eram navios caros de comprar e operar nesta função e resolveram projetar os navios patrulha oceânica da classe Holland com o tamanho de uma fragata para operações de longo alcance e longa duração. Outra função é fazer transporte emergencial. O navio tem espaço adicional para 40 tropas além dos 54 tripulantes. Os navios podem ser modificados para atuar como escoltas adicionando sensores e armas.


Busca e salvamento

Busca e salvamento em alto mar seria outra missão de um navio de apoio de combate. Um bom exemplo é o voo 447 que caiu no meio do Atlântico em junho de 2009. A MB enviou as escoltas Constituição e a Jaceguai para apoiar as buscas. Foram apoiados pelo navio tanque Gastão Motta. Também atuaram o navio-patrulha Grajaú e a corveta Caboclo. Navios franceses também auxiliaram nas buscas.

Não havia necessidade de enviar navios tão sofisticados e sim navios mais simples com grande autonomia capazes de operar em alto mar como os navios de patrulha oceânicos classe Amazônia que não estavam disponíveis na época.

A missão mais comum é enviar um fragata para evacuação de doente em navios mercantes em alto mar ou atuar como base de reabastecimento de helicóptero para aumentar o raio de ação em missões EVAM.

Um tipo de missão de busca e salvamento de combate (CSAR) pré-planejada é a "lifeguard" ou "plane guard". São navios preposicionados nas rotas de aeronaves operando sobre o mar para apoiar incursões aérea. O navio pode ser uma base para helicóptero CSAR apoiando aeronaves operando em terra. Na Segunda Guerra Mundial, a US Navy usava até submarinos em posição avançadas na frente de batalha na função de lifeguard. Durante a Guerra do Vietnã, contratorpedeiros e cruzadores da US Navy ficavam em posição avançada na costa do Vietnã do Norte para lançar helicópteros de resgate HH-3 ou HH-2 para resgatar pilotos abatidos.

O resgate do voo 447 foi apoiado por vários navios da MB. O local era no meio do Atlântico e precisava do apoio de navios de grande porte.


Navio Escola

O Navio Escola Brasil (U27) foi incorporado à Marinha do Brasil em 1986 e está chegando no fim da vida útil. Um navio de apoio de combate pode ser um dos substitutos aproveitando a modularidade para realizar mais uma missão. O navio escolta anterior eram navios de transporte de tropas adaptados como o Custódio de Mello. O navio tem como missão secundária atuar como como navio-hospital para evacuação de baixas ou não-combatentes.

O NE Brasil foi baseado no casco da fragata classe Niterói com o armamento removido e e o espaço interno modificado para alojar o pessoal adicional e instalar o equipamento necessário à instrução. O navio recebeu um Centro de Informações de Combate (CIC) equipado com Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA. Os recursos de ensino a bordo incluem: Sistema de Simulação Tática e Treinamento SSTT-2; simulador nacionalizado de controle de avarias; compartimento de direção de tiro; compartimento para ensino de navegação com diversos equipamentos de repetição; auditório com 206 lugares; duas salas de aula; e circuito fechado de TV.

O navio pode levar mais de 150 guardas-marinha além de 32 oficiais e 219 praças. O NE Brasil passa de cinco a seis meses por ano no exterior, adestrando a turma de guardas-marinha saída da Escola Naval em dezembro do ano anterior.

Um navio de apoio de combate com um grande convés flexível pode ter a área utilizada para formaturas, recepções diplomáticas ou instrução. O local receberia os contêineres especializados com o SSTT, além de salas de aula, laboratórios e estúdio de TV. Parte da área poderia ser convertida em auditório. Com um ritmo operacional alto, mais de um navio seria necessário para receber os módulos de ensino e dividir a função de navio escolta.

Várias marinhas operam com navio escolta. Um que merece nota é o cruzador de treinamento Deutschland de 5.600 toneladas que foi operado pela Marinha alemã. O navio atuaria como navio multipropósito em tempo de guerra podendo atuar como transporte de tropas, navio hospital, lança minas e navio escolta.


O navio escola Brasil está chegando no fim da sua vida útil.


Guerra convencional

Cenários de média ou alta intensidade não são a função principal de um navio de apoio de combate, mas eventualmente podem ter que operar nesta situação. Podem operar sozinhos, como parte de um grupo tarefa ou juntos com outros navios de apoio de combate. Em uma guerra convencional um navio de apoio de combate poderia atuar como escolta auxiliar em apoio a comboios ou em grupos de ação de superfície. O mais provável seria atuar como figurativo inimigo em tempo de paz, ou agressor, simulando navios de guerra inimigos em treinamentos de guerra convencional.

Na Segunda Guerra Mundial, os contratorpedeiros de escolta eram as os navios mais simples usados para defender os comboios de navios mercantes. Operavam no lado oeste e no meio do Atlântico onde a ameaça de aeronaves e submarinos era bem menor. Depois passavam o comboio para as escoltas mais capazes que dariam cobertura nas áreas com maior ameaça próximos da Europa. Os contratorpedeiros de escolta não precisavam de alta velocidade ou de armas sofisticadas e tinham capacidade limitada em todas as áreas. Os contratorpedeiros que operavam no mar Mediterrâneo estavam mais ameaçados por aeronaves baseadas em terra e lanchas torpedeira e por isso tiveram seus torpedos trocados por artilharia antiaérea.

Durante a Guerra Fria, os contratorpedeiros mais sofisticados eram usados para proteção de Grupos Tarefa com porta-aviões. Eram necessários de três ou quatro navios mais capazes com boa capacidade de defesa aérea e o resto das escoltas seriam navios mais simples.

As operações de rotina de uma escolta em um Grupo Tarefa são manter a posição na cobertura interna ou externa, ser destacada como parte de um Grupo de Ação de Superfície, ou ir para a retaguarda para reabastecer e rearmar. Durante a guerra das Malvinas, as escoltas faziam reconhecimento costeiro, infiltravam de forças especiais e faziam até varredura de minas. Os Grupo de Ação de Superfície eram destacados para missões de busca de superfície, apoio de fogo naval, busca de submarinos e até superioridade aérea. As buscas antisubmarino eram realizadas nas áreas suspeitas de presença dos submarinos argentinos. As missões de superioridade aérea eram próximas ao aeroporto de Port Stanley com fragatas Type 42 apoiadas pelas Type 22 usando seus mísseis Sea Dart para bloquear aeronaves de transporte levando cargas para a ilha. As fragatas também eram usadas para receber cargas especiais lançadas de aeronaves Hercules e distribuir para outros navios da frota.

Gráfico descrevendo as missões que um navio de apoio de combate poderia realizar e a probabilidade de ocorrer.

 

Guerra antissubmarino

Um navio escolta com capacidade de guerra convencional precisa considerar quatro capacidades principais: guerra antiaérea, guerra de superfície, guerra anti-submarino e apoio de fogo naval.

A guerra antissubmarino exige muitos recursos. Na batalha do atlântico, os Aliados usaram cerca de 25 navios e 100 aeronaves para contrapor cada submarino alemão. Nas Malvinas, foram 20 helicópteros e 10 escoltas cobrindo o local de operação do submarino San Luis. Um navio de apoio de combate pode ser necessário.

O primeiro recurso a se pensar para transformar um navio de apoio de combate em uma arma antissubmarino é equipar o navio com helicópteros antissubmarino. O navio pode ser planejado para levar pelo menos dois helicópteros SH-16. O Reino Unido projetou os navios de reabastecimento da classe Fort Victoria com a capacidade de operar com cinco helicópteros antissubmarino Sea King. O navio apoiaria um comboio e poderia aproveitar o espaço para levar helicópteros maiores sem precisar de um porta-aviões dedicado.

A MB tinha sua capacidade de guerra antissubmarino centrada no NAe Minas Gerais e depois no NAe São Paulo para operar os helicópteros Sea King na missão. Se o navio estivesse inoperável, os helicópteros teriam que operar em navios anfíbios com limitação no número de aeronaves.

O ideal é manter dois helicópteros com sonar cobrindo o trajeto de um Grupo Tarefa ou Comboio em busca de submarinos inimigos em locais de grande ameaça. Enquanto um helicóptero faz busca com o sonar o outro está se posicionando. A regra é ter seis helicópteros para poder manter dois no ar por longos períodos. Então três navios de apoio de combate, com cada um capaz de levar dois MH-16, poderiam realizar a missão que antes era realizada pelo porta-aviões Minas Gerais. A capacidade das escoltas de levar o MH-16 deve ser considerada, mas a MB ainda não opera nenhuma escolta com esta capacidade. Um navio de apoio de combate seria uma forma de suprir esta limitação sem ter que deslocar um navio para apoiar helicópteros como um navio de desembarque ou caso o NAM Atlântico esteja indisponível.

As estações de cobertura ao redor de GT pode incluir dois de helicópteros que atuam como navios adicionais, com mais um em prontidão. Fazer busca com o sonar do helicóptero em posições fixas na cobertura do GT ficam previsíveis e um submarino tenta contornar ou evitar, então o helicóptero não pode ter estação fixa na formatura. Geralmente operam entre os navios onde os submarinos tentam penetrar, mas faze a busca de forma randômica, estressando possíveis submarinos. A emissão do sonar deixa de ser um navio previsível. Também fazem busca em locais possíveis de lançamento de torpedo dentro da cobertura do GT, assumindo que o submarino já deve ter penetrado. Outra estação é atrás do comboio procurando submarinos tentando perseguir, mas é usada menos frequentemente.

Os helicópteros fazem guerra anti-submarino realizando busca e ataque a submarinos de forma independente ou vetorado. Durante uma patrulha ASW, um helicóptero fica sempre de prontidão no convôo para identificar contatos detectados pelos sonares dos navios. É um meio de reação mais rápido disponível para detecção e identificação de longo alcance. A US Navy projetou as fragatas da classe FFG-7 com a capacidade de levar dois helicópteros já considerando a possibilidade de manter sempre um operacional. Os helicópteros poderiam conferir contatos com os sonares de longo alcance e poderia atacar a uma distância superior aos torpedos disparados pelo lança-foguete ASROC.

Os alarmes falsos são sempre altos e tem que avaliar todos os contatos. Geralmente são cardumes e aparecem por curto período nos sonares. Os helicópteros são ideais para avaliar contatos e atacar devido a grande mobilidade. Geralmente respondem em menos de 5 minutos até iniciarem a busca com o sonar. Para exemplificar, durante a guerra das Malvinas, nos 30 dias em que o submarino San Luis operou no local, os 33 helicópteros com capacidade antissubmarino britânicos realizaram 2.253 saídas com uma média de 75 por dia. Foram 6.847 horas de voo com uma média de 3 horas por saída. Foram 235 incidentes e 314 contatos submarinos (média de 10 por dia). Foram disparados 50 torpedos Mk46 e sete Mk44, além de 39 cargas de profundidade e 15 salvas de morteiros contra contados suspeitos.

Todos os sensores de um navio podem ser usados para guerra antissubmarino como o sonar passivo, sonar ativo, radar, MAGE, sensores FLIR e vigilância visual. Ainda na Primeira Guerra testaram a escuta de rádio para detectar submarinos e permitiu fugir dos locais onde havia submarinos. A análise das rotas dos submarinos levou ao uso de campos minados que foi a maior causa de baixas. Na Segunda Guerra, a escuta de rádio permitia detectar um submarino a até 50km. Os U-Boat usavam táticas de ataque em matilha e tinham que coordenar com o rádio. O kurier fazia transmissões em rajadas curtas que dificultou a triangulação. Os MAGE passaram a detectar os radares dos periscópios dos submarinos procurando alvos a noite. Os radares passaram a ser usados para detecção e os postos de vigilância visual era importante para detectar periscópios e trilhas de torpedos. O aparecimento do snorkel permitiu que o submarino operasse submerso com boa velocidade e dificultou a busca visual e radar.

Para um avio de apoio de combate ter capacidade dedicada de guerra antissubmarino o navio precisa de sensores (sonares) e armas (torpedos). Lançadores de torpedos são relativamente fácies de instalar. Um sonar vai ocupar espaço e vai exigir pessoal dedicado o que aumenta o custo. Os sonares podem ser modulares, sendo instalados nas aberturas na popa. Um sonar rebocado (Towed Array) é mais simples e barato, mas é usado mais em alto mar. Um sonar de casco pode ser de média frequência, ideal para operar no litoral, ou de baixa frequência, mais indicado para operar em alto mar. Um navio operando como picket é um alvo fácil operando isolado, mas grupos de dois ou três navios são mais difíceis para os submarinos. Os navios com sonar Towed Array costumam operar em posição bem avançada, cerca de duas zonas de convergência, e estão mais vulneráveis. O alcance de um sonar rebocado pode chegar a 180km. Um navio com sonar rebocado precisa ser silencioso pois o barulho do navio pode refletir no fundo do mar até os sensores. Geralmente o navio faz corridas entre períodos de escuta a baixa velocidade (para ficar bem silencioso) e poder acompanhar um GT ou comboio.

Já na Segunda Guerra perceberam que a guerra antissubmarino era muito difícil e 90% dos contatos era falso e a maioria dos ataques era contra cardumes, navios naufragados e correnteza. Mesmo no caso de contatos reais era difícil ter sucesso e precisava de muita persistência.

Em 1915, a Royal Navy iniciou o uso de hidrofones para detectar submarinos, mas eram de curto alcance e só eram usados na fase de ataque. Em 1920 era possível acompanhar um navio a 20km de distância. O primeiro sonar foi testado em 1927, mas só era usado para ataque igual a um farol de busca. Funcionavam mais para dissuadir ataques pois eram pouco eficientes. Contra um submarino, primeiro precisavam de uma indicação que havia um submarino na área. Para aumentar a área coberta os navios faziam escolta em linha para cobrir uma faixa maior. Os sonares com capacidade de busca só apareceram depois da Segunda Guerra.

Os sonares busca de baixa frequência permitem fazer busca a cerca de 18km e exigiu armas longo alcance como o torpedo de longo alcance, torpedos lançados por foguetes (como o ASROC) e torpedos lançados de helicópteros. Já os sonares de profundidade variável (VDS) são necessários pois dobram a probabilidade de detectar um submarino tentando penetrar a cobertura de um GT.

Os sonares de casco passaram a ter feixe pré-formado por computador permitindo criar vários feixes para acompanhar vários alvos. A tecnologia digital também passou a simplificar o trabalho do operador e diminuir o número de tripulantes. Sonares analógicos nem podiam ter toda sua capacidade aproveitada por serem complicados de operar. O alcance e a probabilidade de detecção aumentaram. Uma antena adicional no lado do casco permite aumentar o alcance em alto mar para cerca 50km. Sem ela ficam limitados a cerca de 18km. O alcance maior permite diminuir o número de escoltas para cobrir um GT.

Durante a Guerra Fria, a US Navy estudou equipar alguns navios mercantes com o sonar SQS-26. O calado maior era ideal para um sonar. Outra opção são os sonares rebocado passivo (Towed Array) que são mais baratos que o sonar de casco e não sofrem interferência de um navio barulhento.

Na Primeira Guerra Mundial, a primeira arma usada para atacar os submarinos era abalroar pois ainda não existia carga de profundidade. Os submarinos eram navios que podiam submergir para se esconderem. Operavam na superfície e desciam se um inimigo se aproxima, ou para preparar um ataque ou após disparar os torpedos. As táticas de guerra antissubmarino era forçar a operarem submersos. A assinatura visual era mais importante como detectar o periscópio, a trilha do torpedo e até a sombra do submarino em pouca profundidade. Até a cortina de fumaça era uma arma antissubmarino pois os sensores dos submarinos era apenas visual com periscópio. Os comboios desencorajavam os ataques ou ficavam menos efetivos pois concentrava as defesas ao invés de dispersar caçando submarinos. As cargas de profundidade mostraram serem eficientes ao disparar em local suspeito. A Royal Navy iniciou o uso em 1916. Em 1917, as escoltas levavam até 80 cargas de profundidade.

Os comboios deixaram poucos alvos para os submarinos, mas mesmo assim eram usados apenas nos dois diais finais até o porto pois os submarinos tinham limitação de alcance. A reação Alemanha foi atacar a noite na superfície quando os submarinos navegam mais rápido. Eram até mais rápidos que os comboios e não ficavam limitados a ataques no setor frontal. A reação foi adicionar mais escoltas em cada comboio e adicionar escoltas na traseira do comboio. A solução só apareceu com o radar.

Evadir um submarino com velocidade é efetivo e a velocidade pode ser considerado uma arma. Em área com ameaça submarina os navios navegam fazendo evasivas em zig-zag para complicar o disparo de torpedos. Os comboios eram divididos pela velocidade dos navios com os comboios rápidos e os lentos. Os submarinos navegavam entre 10 nós e os navios navegando a 15 nós estavam protegidos a não ser no setor frontal. Os submarinos ficaram mais rápidos depois da Segunda Guerra Mundial e forçou o uso de navios capazes de navegar a 20 nós em cruzeiro.

Os submarinos nucleares são capazes de atingir uma velocidade de 30 nós, mas não poderiam detectar alvos com o sonar passivo. Fazem busca a 15 nós e navegam mais raso para disparar torpedos. Depois de detectados que aceleram na velocidade máxima para evadir. As escoltas não conseguem alcançar e a reação tem que ser uma arma de longo alcance ou helicópteros. A velocidade ficou mais importante para evadir dos torpedos.

A doutrina indica afundar o submarino antes que ele consiga disparar suas armas. São usadas várias zonas de defesa, desde o porto inimigo, atacando os submarinos no porto com mísseis de cruzeiro, vigilância a longa distância com aeronaves de patrulha marítima, cobertura externa e cobertura interna de um Grupo Tarefa e a cobertura na zona de risco de torpedo. Os helicópteros costumam cobrir a primeira linha de convergência a cerca de 50km do grupo tarefa e ficam metade do tempo operando o sonar e a outra metade se deslocando entre as posições ou navios.

Se não for possível evitar um ataque de torpedos de um submarino, tem que conter com engodos. O engodo mais comum é rebocar um gerador de barulho atrás do navio. Um torpedo do submarino San Luis atingiu um gerador de ruído Nixie da fragata britânica Alacrit, mas não explodiu. Os britânicos nem perceberam o que causou a pane no Nixie. Em caso de detecção de um ataque de torpedo, a sonorização da água com explosivos atrapalha os sonares, mas ninguém consegue ouvir nada. Os navios atacados têm a chance de evadir, mas os submarinos também. Sistemas de defesa ativo, como um torpedo anti-torpedo, são muito difíceis de desenvolver e os alarmes falsos são muito comuns.

A US Navy usa o sistema Prairie-Masker para gerar bolhas no casco e nas hélices para abafar o barulho gerado. Ao invés de ouvirem o maquinário dos navios, os sonares passivos irão escutar um barulho similar a chuva. O sistema diminui o alcance dos sonares inimigos ao mesmo tempo que torna os próprios sonares mais eficientes. Outras contramedidas passivas são navegar em zig-zag, cerca de 20 graus para cada lado da rota, e variar a frequência entre as hélices em cerca de 20 RPM continuamente para atrapalhar a contagem da rotação.



A classe Absalon tem um compartimento interno onde ficam os tubos de torpedos. O paiol dos torpedos serve os tubos e os helicópteros. O padrão da US Navy é levar nove torpedos para cada um dos seus helicópteros de guerra antisubmarina.

Detalhes do sonar rebocado da Crossover. O sonar rebocado seria um módulo de missão opcional.

 

Guerra de superfície

Até meados do século XIX, a arma naval dominante era o canhão. Eram necessários vários acertos diretos para destruir ou afundar um navio blindado. A competição entre o canhão e a blindagem levou aos grandes encouraçados e poucos países eram capazes de operar navios tão caros. A Royal Navy planejava destruir a frota inimiga nos portos ou próximo, tomando a base ou realizando bloqueio naval. A proteção do comércio marítimo só seria viável se a frota inimiga não ameaçasse as forças mais fracas protegendo o comércio. As grandes batalhas navais eram realizadas nos portos ou estreitos como Tsushima. Antes do rádio, era mais fácil encontrar o inimigo nos portos e a batalha da Jutlândia só ocorreu em alto mar após a interceptação de comunicações de rádio dos alemães.

A invenção do torpedo criou um novo paradigma pois bastava apenas um acerto para fundar um navio grande e era uma arma que podia ser disparada por embarcações bem pequenas. Uma marinha costeira passou a ser capaz de se defender de uma grande marinha fazendo bloqueio. A tática era usar ataques furtivos a noite com os torpedeiros. A própria Royal Navy usava porta torpedeiros para levar os torpedeiros até os portos inimigos.

As lanchas torpedeiras precisavam ser contrapostas por um interceptador que foi o contratorpedeiro assim como as aeronaves torpedeiras eram contrapostas pelos caças interceptadores. O interceptador tinha que ser mais rápido que o alvo para alcançar ou cobrir uma grande área ao redor do encouraçado.

Os contratorpedeiros foram criados para proteger os couraçados contra os ataques das lanchas torpedeira, mas também podiam ser usados como torpedeiros aproveitando a grande velocidade e por isso foram armados com torpedos. Os torpedos eram a principal arma ofensiva dos contratorpedeiros e depois os porta-aviões passaram a ser a arma ofensiva principal com os contratorpedeiros atuando mais como escoltas.

Um engajamento frota contra frota ficou pouco provável após a Segunda Guerra. As ameaças na rota de um comboio seria o mais comum nas missões de proteção do comércio. Os contratorpedeiros seriam usados mais para cobertura com a capacidade de ataque com torpedos mantido devido a ameaça de cruzadores Soviéticos da classe Sverdlov ameaçando os comboios. Os torpedos permitiam que as escoltas confrontassem incursores de superfície. Era uma missão dos cruzadores mas eram poucos e a outra opção era usar os contratorpedeiros. Os incursores de superfície foram uma grande ameaça contra os comboios indo para a Rússia. Os ataques, e até mesmo a ameaça de ataques, levou Stalin a investir em cruzadores após a Segunda Guerra Mundial. Um ataque de torpedo era eficiente mesmo se não fosse realizado. O inimigo pode fugir como ocorreu na batalha da Jutlândia devido a simples ameaça. Em pelo menos três combates na Segunda Guerra Mundial, forças menores conseguiram superar forças superiores com ataques de torpedos.

Na Segunda Guerra Mundial, para cada engajamento contra outro navio, ocorria cerca de 20 engajamentos contra aeronaves. Durante a Guerra das Malvinas ocorreu apenas um engajamento navio contra navio. A fragata HMS Alacrity detectou o navio Isla de Los Estados a 10km enquanto patrulhava o estreito entre as ilhas. Primeiro disparou tiros de iluminação e tiros de advertência antes de atacar. Os outros ataques dos britânicos contra navios foram feitos com os Sea Harrier ou helicópteros Lynx armados com os mísseis Sea Skua ou os Wessex armados com os SS-12. A batalha de Latakia em 1973 e a Praire Fire em 1987 são outros exemplos, dos poucos, de batalha com engajamento entre navios de superfície.

Os mísseis anti-navio deram novamente capacidade ofensiva para as escoltas com os helicópteros equipados com mísseis sendo o componente aéreo. Os mísseis anti-navio viraram a opção barata para marinhas que não podiam operar com aeronaves de caça embarcados. A ameaça dos mísseis anti-navio Styx exigiu um interceptador que viraram os helicópteros armados com mísseis para detectar e atacar a plataforma lançadora antes que disparassem os mísseis. Na MB, o interceptador foi o Lynx com o míssil Sea Skua copiando o conceito da Royal Navy.

A Royal Navy iniciou estudos para armar seus navios com mísseis anti-navio em 1966 como reação as primeiras escoltas Soviéticas armadas com mísseis. Primeiro armou os helicópteros com mísseis mais leves contra lanchas rápidas. Seria comum seus navios operando sozinhos no início de um conflito e pode ter navios inimigos próximos. Foi planejado quatro mísseis por navio, mas queriam armar com oito mísseis mais leves que virou o Harpoon. Na vigilância da falha GIUK, os navios britânicos iriam seguir (marcar) os navios soviéticos. Era chamado de batalha do primeiro disparo. Também teriam que evitar ser seguidos (contra marcação). Tinham que ser rápidos para manter a posição contra navios mais rápidos e poder fugir se necessário.

Os mísseis anti-navio atuais permitem que as escoltas atuais tenham um poder ofensivo muito maior que os navios armados apenas com canhões, seja em alcance, precisão ou poder destrutivo. Na batalha da ilha Komandorski, dois cruzadores e quatro contratorpedeiros da US Navy enfrentaram quatro cruzadores e quatro contratorpedeiros japoneses. Foi a última grande batalha entre navios sem a participação da aviação. O cruzador americano USS Salt Lake City foi atingido cinco vezes em um combate de 3,5 horas. Outros 200 tiros explodiram a menos de 200 metros. O navio tinha um estoque de 1.500 tiros de 203mm e disparou mais da metade. Um míssil Exocet com uma ogiva de 160kg equivale a um projétil entre o calibre 203mm dos cruzadores pesados e 233mm dos couraçados menores, mas podendo armar navios bem menores e com um alcance bem maior. Uma fragata com quatro mísseis poderia fazer mais estrago no USS Salt Lake City, citado anteriormente, que toda a força japonesa, em um tempo bem menor. O míssil Harpoon tem uma ogiva maior equivalente a um canhão de 10 polegadas (254mm) dos encouraçados e com um alcance várias vezes maior.

Os navios da classe Absalon foram armados com 16 mísseis Harpoon para apoiar missões anti-navio. É o padrão atual já considerando que seria necessário um grande número de mísseis para saturar as defesas modernas. A capacidade anti-navio "modular" também pode vir na forma dos helicópteros. Os UH-15 da MB podem levar dois mísseis Exocet com alcance de 70km. Se for disparado de um helicóptero, o alcance aumenta em pelo menos 250 km. Em um combate navio contra navio significa que um navio de apoio de combate pode disparar bem antes que uma escolta. A capacidade do UH-15 pode ser adicionada aos MH-16 com os mísseis Penguin e os Lynx com os mísseis Spike.

As novas fragatas da US Navy da classe Constellation serão equipadas com 16 mísseis anti-navio NSM para ter capacidade de saturação. Quando o míssil Harpoon entrou em operação os requisitos eram dois mísseis nos lançadores ASROC mais duas recargas no paiol. O ASROC também podia ser equipado com o míssil anti-radar Standard-ARM que podia ser disparado contra emissores de radar no mar e em terra.

Os canhões de médio calibre passaram a ter capacidade anti-navio secundária, principalmente contra embarcações leves, com a função principal sendo o apoio de fogo naval. Para exemplificar, a torre de Mk 42 de 127mm tinha uma probabilidade de acerto de 6% contra um navio a 17 km de distância ou cerca de 2,5 acertos por minuto. Os mísseis superfície-ar Terrier e Tartar, os primeiros a equipar as escoltas da US Navy, tinham capacidade anti-navio, mas os canhões era um meio de evitar disparar um míssil muito caro contra um navio e seriam necessários vários disparos pois a ogiva dos mísseis era inadequada. Um contratorpedeiro da Segunda Guerra precisava ser atingido 20 a 30 vezes por tiros de outros navios semelhantes para ser totalmente posto fora de ação ou afundado. Alguns contratorpedeiros sobreviviam a contatos a curta distância com cruzadores pois a munição perfurante atravessava o navio sem explodir e sem atingir pontos vitais como os motores ou paiol.

Realizar tiro de advertência seria o uso mais provável dos canhões contra navios que não cooperam, mas pode ser feito até com canhões automáticos leves de 20mm ou 40mm. Geralmente fazem graduação de força com uma peça menos potente até uma peça mais potente. Na Segunda Guerra Mundial, os canhões de 40mm mostraram ser o ser ideal contra as lanchas torpedeiras tentando se aproximar para disparar torpedos. A US Navy considera o principal ameaça de superfície atual os ataques de saturação de pequenas embarcações suicidas e para isso está equipando suas escoltas com canhões automáticos de 57mm.

Em 1967, lanchas lança-mísseis do Egito afundaram o contratorpedeiro Eliat israelense com um míssil Styx. Equipar os helicópteros embarcados com um radar de busca e mísseis anti-navio foi uma reação. Ao invés de instalar um míssil de longo alcance em um navio para disparar contra os navios inimigos antes que fosse atacado, outra solução seria usar um helicóptero para encontrar e atacar os navios inimigos. O míssil poderia até ser bem menor no caso da ameaça serem as lanchas lança-mísseis como no caso do ataque contra o Eliat. A outra opção é usar o helicóptero para indicar alvos além do horizonte para os mísseis dos navios, realizando guerra de superfície ofensiva. Os contratorpedeiros concentravam os canhões na proa, pelo menos quatro canhões médios, para perseguir a ameaça. Agora ficou mais fácil com os helicópteros e mísseis e nem adianta ser rápido para tentar fugir.

A Royal Navy usava o helicóptero Lynx para esclarecimento. O radar Seaspray tinha alcance de 80km contra alvos no mar e era necessário fazer várias varreduras ao redor do navio para cobrir toda área de interesse. A versão mais atual AW159 Wildcat com radar Seaspray 7400E tem alcance de 180km. O helicóptero decola, sobe até 3 mil pés (cerca de mil metros) e já tem as informações ao redor do navio após poucas varreduras com o radar. Dados do MAGE e do FLIR podem ajudar a identificar os contatos.

Uma Força Tarefa pode destacar um grupo de ação de superfície (SAG) com 2 ou 3 navios para investigar contatos superfície enquanto a FT vira na direção contrária. A princípio seria enviado um helicóptero, mas o mau tempo pode impedir. A noite a ameaça de superfície é maior enquanto de dia a ameaça aérea é maior. Se o contato é sabidamente inimigo, pode ser enviado um Grupo de ataque de helicópteros (helicopter attack group - HAG).

O uso de aeronaves em navios de escolta foi testado ainda na década de 1920 com hidroaviões sendo lançado de contratorpedeiros sem muito sucesso. A US Navy operou cinco contratorpedeiros classe Fletcher com catapulta para um hidroavião para realizar reconhecimento para um grupo de contratorpedeiros (esquadrão ou divisão). O navio levava 7 mil litros de combustível de aviação. A Holanda operava com hidroaviões em alguns contratorpedeiros. O Japão construiu o navio de apoio de hidroaviões Nisshin pois os tratados limitavam a construção de cruzadores, mas não de navios tender (navio-mãe) de hidroaviões. O navio foi equipado com seis canhões de 14 polegadas que era equivalente a um cruzador leve. Os hidroaviões operavam nos cruzadores em missões de reconhecimento, ajuste de artilharia, busca e salvamente e ligação geral. Já a classe Chitose também podia levar minisubmarinos.

Na Primeira Guerra, os balões rebocados eram um meio de levar observadores a grande altitude para melhorar a linha de visada ao redor das escoltas. Só eram usados em combate, mas para escolta anti-submarina eram usados continuamente.


O UH-15B Caracal da MB pode ser armado com dois mísseis Exocet AM39 B2M2 para missões anti-navio.

Um UH-15B disaprando um míssil Exocet durantes testes em 2021.


O convés de armas da classe Absalon pode receber até 16 mísseis Harpoon em quatro lançadores quádruplos.


Convés de armas da fragata classe Formidable de Cingapura. Os mísseis foram retirados e no local foram instalados um guincho em uma base modular para operação com embarcações RHIB em operações de baixa intensidade.

 

Apoio de fogo naval

A capacidade de atacar alvos em terra pode ser feita com um canhão de médio calibre. Os canhões médios eram armas multifuncionais para atacar alvos em terra, mar e no ar, mas passaram a ter como função principal atacar alvos em terra para apoio de fogo naval ou interdição.

As fragatas F-125 alemãs foram equipadas com um canhão Otobreda 127mm com munição guiada Vulcano com alcance 100km e futuramente receberá mísseis RBS-15 Mk4 com capacidade de ataque terrestre. Na MB, a prioridade seria armar as escoltas com armas sofisticadas enquanto um navio de apoio de combate teria a vantagem de ter muito espaço disponível para levar munição ou lançadores em container.

Os britânicos usaram muito o apoio de fogo naval para atacar alvos ao redor de Port Stanley durante a Guerra das Malvinas. Eram ações realizadas quase todas as noites. No início eram mais missões de interdição e no fim da campanha deram apoio direto para as tropas avançando.

As posições de artilharia eram prioridade e logo responderam ao detectar o local de operação dos navios britânicos. Outros alvos eram o aeroporto local, posições de artilharia antiaérea e radares. As peças em terra ficam enterradas enquanto a proteção dos navios é manobrar e fugir rápido. Nos treinos, as corridas de tiro são lentas e em linha reta. Em combate era feito a 20 nós e em evasivas em zig-zag se existe ameaça de contra-bateria em terra. Mudavam sempre a direção e a posição dos disparos para dificultar a contrabateria. Os radares dos navios detectavam contatos muito rápidos indo para o centro do radar. Alguns chegavam a 200 metros e raramente bem próximo. Os canhões de 155mm tinham um alcance maior e os navios demoravam alguns minutos para sair do alcance durante a fuga. A munição de 114mm pesa 25kg contra 45kg de um projétil de 155mm.

O GT destacava um grupo, geralmente um navio de comando e duas Type 21. Cada navio disparava entre 50 a 150 tiros por missão com média de cerca de 10 tiros por alvo. A precisão era de cerca de 180 metros. Uma missão com 150 tiros descarregava quase quatro toneladas de explosivos, ou a carga de explosivos de cerca de 8 mísseis de cruzeiro Tomahawk por navio. Os helicópteros embarcados Wessex ou Lynx podiam fazer correção dos disparos.

Uma missão foi a operação Tornado como parte da distração do desembarque em San Carlos. As missões de tiros foram combinadas com transmissões de rádio e lançamento de flares enquanto o helicóptero fazia barulho, lançava cargas de profundidade, transmissões de rádio, radar e sonar. O objetivo era simular um desembarque no sul de Port Stanley.

O canhão Mk8, em uso nas fragatas da MB, era menos confiável que os Mk6 duplos, mas o Mk8 era mais preciso e concentrava mais os tiros enquanto o Mk6 era melhor para atacar uma área. O Mk8 tinha alcance de alcance 19km contra 16,5km do Mk6. Os navios britânicos não tinham mísseis de cruzeiro, mas dispararam o míssil Seaslug guiado por método beam riding. O alcance do míssil era de 36km, mas era disparado a 15km para ser seguido do disparo dos canhões. Foram seis disparos no total e um atingiu uma base de helicópteros com seis aeronaves destruídas.

O Mk8 é totalmente automático e precisa de menos tripulantes. Foi projetado para missões de apoio de fogo naval, anti-navio, lançar munição de iluminação ou Chaff e policiamento na Guerra Fria. Custava metade do concorrente que na época era o 127/54 americano.

A Royal Navy enviou três fragatas para realizar apoio de fogo naval contra alvos na Líbia em 2011. Foram disparados 240 tiros de 114mm contra alvos entre Zlitan e Misrata. Os alvos eram postos de segurança, veículos armados e lança-foguetes BM-21. As granadas iluminativas eram usadas em situações onde as tropas leais a Kadafi colocavam os lança foguetes próximos a prédios. Os flares caindo de pára-quedas na posição servia para demonstrar que suas posições eram conhecidas pela OTAN. Já os navios franceses dispararam um total de três mil projéteis de 100mm e 76mm.

Nas operações anfíbias com oposição, o apoio de fogo naval é crucial nas primeiras horas e dias de operações até a artilharia orgânica se fixar na praia. O alcance dos canhões navais é a maior limitação e piora em caso de assalto aéreo. Os mísseis com capacidade de ataque terrestre tem longo alcance, mas são limitados para fogo sustentado. Um canhão naval apoiando operações anfíbias pode ser usado para apoiar pequenas incursões anfíbias, desembarques anfíbios antes da artilharia desembarcar, apoiar retirada anfíbia após a artilharia reembarcar, reforçar a artilharia baseada em terra, e realizar ataques punitivos.

Os primeiros transportes de tropas eram armados para com canhões de 127mm ou 155mm para dar apoio de fogo durante o desembarque. Os canhões podiam ser levados para a terra para defesa de bases. Os canhões também eram usados para autodefesa se o navio navegasse sem escolta por isso eram instalados prioritariamente na popa para fugir e atirar ao mesmo tempo. Com a ameaça aérea aumentando começaram a receber mais canhões antiaéreos que substituíram a maioria das peças de maior calibre.

Durante o desembarque, a maior ameaça são as casamatas na praia e tem que ser atacadas por um canhão de maior calibre de pelo menos 76mm. Um canhão estabilizado é necessário para disparar em mar agitado. Geralmente é uma missão das escoltas que protegem o desembarque contra alvos em terra, no mar e no ar. Na Segunda Guerra usaram pequenos canhoneiras LCS para se aproximar a cerca de 2 km da costa para apoiar as primeiras fazes do desembarque. Os LCS controlavam as vagas de embarcações de desembarque, lançavam cortina de fumaça e atacavam alvos na praia acerca de 2km. Eram equipados com lança-foguetes, morteiros, canhões de 76mm e armas antiaéreas. Contra as defesas pesadas dos japoneses os canhões de 76mm não foram muito eficientes e precisavam de peças mais potentes de 127mm dos contratorpedeiros. Blindados anfíbios LVT também foram armados com peças de 37mm e 76mm para atacar posições defensivas mesmo antes de chegarem na praia.

A experiência da Guerra no Pacífico mostrou que sempre sobra defesas na praia sobrevivendo aos ataques de artilharia inicial e precisam de navios para apoio de fogo direto de curto alcance. O navio tinha que ter blindagem leve e uma arma potente para atacar as casamatas. Sentiram falta de um radar anti-morteiro pois foi a principal causa de baixas.

Na Segunda Guerra, cada batalhão de fuzileiros era apoiado por um contratorpedeiro que dava apoio de fogo. O comandante do batalhão tinha comunicação direta com o navio e levava 2 a 3 minutos para responder ao pedido de apoio. Um cruzador cobria uma brigada/regimento e um couraçado cobria uma divisão, mas os pedidos demoravam de 10 a 15 minutos. Um radar anti-morteiro mostrou ser necessário nos navios fazendo apoio de fogo pois os morteiros eram a maior ameaça durante o desembarque. As novas corvetas classe Tamandaré equipadas com um canhão automático de 76mm teriam capacidade equivalente a uma bateria de morteiros de 81mm para operações de apoio de fogo naval.

Os foguetes de curto alcance eram usados em ataques pouco antes do desembarque para saturação de área. Demoravam a recarregar e por isso não eram adequados para as fases posteriores para tiro sustentado.

Devido a geografia do Vietnã, 80% dos alvos estavam no alcance dos canhões de 406mm dos couraçados classe Iowa (cerca de 32km). O uso de canhões de longo alcance poderia diminuir as baixas nos caças causadas pela artilharia antiaérea e mísseis SAM e o cenário foi considerado no projeto dos novos canhões pesados assim como o uso de munição guiada e mísseis. O alcance passou a ser necessário depois para poder disparar além do horizonte fora do alcance de mísseis baseados na costa. Apoiar assalto de helicóptero dentro da costa era outro motivo para investir na artilharia de longo alcance. O apoio aéreo acabou realizando a maioria dessas missões.

Uma versão navalizada do lança-foguetes Armadillo TA-2 poderia ser uma opção para armar um navio de apoio de combate. O lança-foguetes SCLAR-H ODLS da Leonardo pesa 2,4 toneladas carregado e serve para exemplificar como seria um Armadillo naval. O peso já permite levar dois lançadores no lugar de um canhão de 76mm que pesa 7,5 toneladas. Para comparação, um canhão Mk45 de 127mm pesa 21 toneladas e leva até 600 tiros no paiol.

Um lança-foguetes pode ter vários calibres como 70mm e 127mm, podendo chegar a potência de um canhão de 127mm, mas com um peso quase dez vezes menor. Os lança-foguetes não causavam recuo e por isso não precisam de reforço na estrutura. O foguete SS-30 de 127mm da Avibrás tem alcance de até 40km. O lança-foguetes terrestre LAU-97 com 40 foguetes de 70mm tinha alcance de até 8 km cobrindo uma área de 200x300 metros no alcance máximo.

Uma vantagem do lança-foguete é poder disparar foguetes com kit de guiamento a laser. O Zuni Laser de 127mm e o APKWS de 70mm seriam bons exemplos. Um canhão de 127mm tem baixa probabilidade de acertar um navio a grande distância enquanto um foguete guiado teria alta probabilidade com um designador em um drone ou helicóptero. Os foguetes guiados seriam os mesmos que poderiam ser levados por um helicóptero embarcado permitindo a padronização da munição. Para comparação, um morteiro de 120mm tem CEP de 120 metros que cai para 10metros com guiamento por GPS e 5 metros com guiamento a laser.

Nas missões de apoio de fogo naval pode ser necessário atacar defesas na praia e um foguete guiado de 127mm seria o mais indicado contra posições bem protegidas como casamatas. Durante a Segunda Guerra, os lança-foguetes mostraram serem ideais para fogo de saturação durante um desembarque anfíbio, mas demoravam para carregar, tinham pouca precisão e não eram adequados para fogo contínuo.

O USMC testou o lançador de foguetes HIMARS com foguetes guiados por GPS no navio anfíbio USS Anchorange em 2017. A munição GMRLS tem alcance de até 70km. O sistema Astros da Avibrás tem capacidade semelhantes com foguetes AV-SS-40G guiado por GPS e alcance de até 40km. O lançador poderia ser guardado no hangar de helicópteros e movido para o convoo para disparo. Se equipado com o míssil Matador seriam quatro mísseis por escolta.

O SCLAR-H foi citado, mas a função principal é disparar foguetes de Chaff e flares. O Armadilho naval também poderia ter esta função se o cenário exigir mais sistemas defensivos. Os primeiros lançadores de Chaff eram foguetes e lançadores de foguete de aeronaves com ogiva de Chaff como o foguete Zuni de 127mm. Foram usados para equipar escoltas atuando no Vietnã onde havia o risco de mísseis Styx lançados de baterias de mísseis na costa.

Um lança-foguetes é bem mais simples que um canhão automático e pode ser mais simples e barato de manter e operar. Os canhões Mk42 que equipavam os contratorpedeiros da US Navy foram usadas para atacar alvos na costa do Vietnã do Norte. O Mk42 tinha uma falha em média a cada 20 tiros e levava entre 2 a 30 minutos para consertar. As peças de reposição demoravam 2 a 3 semanas para chegar. O procedimento era disparar apenas um canhão e se falhasse mudavam para a outra peça enquanto o canhão com defeito era consertado. O cano durava em média cinco dias, mas usavam 200% da vida útil. Os navios remuniciavam a cada dois dias (600 tiros por peça) e demorava 3 horas para transferir a carga de munição dos navios de suprimentos.

A US Navy estuda o uso de armas guiadas para apoio de fogo naval desde a década de 1960 quando previam que os cruzadores da segunda guerra precisariam de um substituto para a missão. A princípio seria um míssil que seria disparado nos lançadores de mísseis Terrier. Foi estudado o uso de projéteis de 127mm guiado a laser sem sucesso e até o uso da Copperhead em uso no US Army. O lança-foguetes MRLS do US Army foi estudado para operar embarcado com um estoque de 1.200 foguetes de pequeno calibre, 300 de médio calibre e 300 mísseis ATACAMS. Na década de 1980, o requerimento inicial do USMC era ter um navio para cobrir um setor, mas com poucos meios especializados aceitou cobrir um número de alvos e nível de destruição. A efetividade seria o número de alvos em terra para neutralizar e atuaria na moral inimiga, como manter o inimigo de cabeça baixa durante um assalto, ou forçaria a mudar de táticas.

Na década de 1980, o USMC estudava comprar dois navios especializados em apoio de fogo naval para cada uma dos sete Grupo Anfíbios (ARG - Amphibious Ready Group) que apóia um batalhão reforçado (MEU). O navio seria equipado com canhões de 203mm e lança-foguetes. A capacidade foi passada para os contratorpedeiros equipados com canhões de 127mm. O navio especializado em apoio de fogo naval da US Navy se tornou o cruzador Zumwalt. Foi equipado com dois canhões de 155mm Advanced Gun System com um estoque de 920 tiros de 155mm além de 70 a 100 projeteis guiados LRLAP. Os dois canhões AGS tem a cadência de tiro de uma bateria de seis obuseiros de 155mm. No caso de um navio de apoio de combate, o convés flexível permite levar contêineres de munição com foguetes de 127mm e 180mm em quantidade equivalente a munição de 155mm, guiadas ou não.

Substituir a munição não guiada por munição guiada diminuiria o estoque de munição em 5 a 10 vezes, mas não poderia substituir todos pois ainda existe a necessidade de usar munição de fumaça, iluminativa, saturação de área e realizar tiro de advertência. Um lançador de foguetes conteirável seria necessário para disparar munição não guiada enquanto a munição guiada pode ser disparada em contêineres fixos que podem ser disparados apontando o navio para a direção geral do alvo.

A Elbit comercializa o TRIGON Naval Rocket Launcher. São lançadores de foguetes fixos instalados em embarcações. Os foguetes Acullar no calibre 160mm tem alcance de 40km e ogiva de 35kg com precisão de 10 metros com guiamento por GPS. A AVIBRAS disponibiliza uma versão guiada do SS-40 com guiamento por GPS que também poderia ser lançado em um contêiner fixo. A versão SS-80 com alcance de 90km também poderia receber kit de guiamento por GPS e laser com a opção de ser usado contra navios com a designação do alvo sendo feita por um drone ou helicóptero.

O lança-foguetes SCLAR é um exemplo de como seria um Armadillo TA2 navalizado. Os modelos mais atuais tem formato mais furtivo. O modelo mais simples do Armadillo naval poderia ser rebocado para o convoo para uso em missões de apoio de fogo naval.

A Avibras já fabrica foguetes de 127mm, 180mm e 300mm que poderiam armar navios de superfície.



Canhão Bofor 57mm/70 Mark 1 com lançadores de foguetes de flares de 51mm nas laterais. Os lançadores eram fixos, mas um lançador móvel alinhado em elevação com o canhão permitiria disparar foguetes contra alvo na superfície e em terra. Com dois lançadores de quatro foguetes de 127mm, o total de explosivos seria equivalente ao de um míssil Exocet (160kg), mas com um custo várias vezes menor. Alguns contratorpedeiros britânicos da Segunda Guerra tinham lança foguetes de iluminação (snowflake) nas laterais das torres de canhão na proa.



Uma torreta de blindado Cockerill com casulos lança-foguetes de 70mm integrado para ilustrar como seria uma torreta de canhão naval com lança-foguete.

Imagem de um lançador de mísseis Iron Dome em uma corveta Saar 5. O container serve para ilustrar como seria um lançador de foguetes modular instalado no convoo. Uma carreta capaz de ser rebocada para o hangar permitiria manter a capacidade de operações aéreas. O Iron dome tem calibre 160mm, pesa 90kg e tem alcance de 70km.

Os canhões navais atuais podem disparar armas guiadas como a Vulcano italiana no calibre 127mm com alcance de 100km. Até um canhão de 76 mm pode disparar uma Vulcano a até 40 km de distância. Bastaria dois projéteis guiados para bater um alvo que precisaria de pelo menos 15 disparos com munição convencional a uma distância bem menor. As funções das tropas em terra seria fazer reconhecimento e indicar alvos ao invés de fazer ação direta com maior risco de baixas.

Drones letais

Com os canhões médio tendo mais uso para apoio de fogo naval, uma opção bem mais leve seriam os drones letais (munição vagante). Um exemplo é o Switchblade 60 com alcance de 80 km e raio de ação de 40km. A munição pesa 22kg e tem ogiva capaz de destruir veículos blindados.

Um cenário que permite exemplificar o uso dos drones letais seriam os bombardeios navais feitos pelos navios britânicos contra as forças argentinas durante a guerra das Malvinas. Os navios britânicos disparavam a 15-18km do alvo. Um drone letal permite aumentar a distância para até 40km podendo ficar fora do alcance da artilharia em terra e até dos mísseis Exocet. Eram usados 10 a 20 tiros contra cada alvo, ou cerca de 10 alvos por navio (150 tiros). Eram realizados bombardeiros quase todas as noites por por três navios. No caso do uso de drone letal, seria necessário apenas um drone, ou talvez dois, para cada alvo com grande probabilidade de acerto, com opção de um drone avaliar os danos causados por outro drone e mudar de alvo caso não encontre o alvo original. Antes de atingir um alvo, o drone pode procurar outros alvos ao redor e atacar alvos de oportunidade mais valiosos. As imagens gravadas no caminho até o alvo pode ser aproveitado para reconhecimento e serem analisadas após o ataque.

Existe o risco dos drones serem atacado pelas defesas em terra, mas pode ser até um dos objetivo para forçar o inimigo a gastar os mísseis e ao mesmo se expor para depois ser atacado pelos drones kamikase.

O ponto fraco do uso de drones é a possibilidade do inimigo interferir nas comunicações e tornar o uso inviável. O uso dos drones letais só pode ser garantido em cenários de baixa intensidade ou caso o local não seja protegido por bloqueadores eletrônicos e nem com risco do navio de controle ter a posição triangulada.

O Switchblade 60 foi citado pois foi comprado pelas forças especiais americanas (SOCOM) para equipar embarcações de infiltração (Combatant Craft Medium (CCM) e Combatant Craft Heavy (CCH) o que significa que um navio de apoio de combate pode atuar como navio mãe da plataforma de lançamento, podendo ficar ainda mais distante e protegido de ameaças em terra.

Um drone letal também pode ter capacidade secundária contra embarcações leves e talvez até helicópteros voando lento. Outra capacidade é poder fazer apenas missões de reconhecimento, sendo lançado no lugar do helicóptero por ser bem mais barato de operar.



Os drones HAROP foram usados com sucesso em conflitos recentes entre a Armênia e o Azerbaijão. A versão lançada de navios já foi comprado por um país na Ásia.


 

Projeção de força

Antes da Segunda Guerra Mundial as forças navais davam pouca importância para atacar alvos em terra, mas mudou depois com os porta aviões atacando bem dentro do território inimigo. Os alvos principais deixaram de ser os navios e passou a ficar em terra, incluindo com operações anfíbias e bombardeiro de artilharia.

As missões de projeção de força consistem na ameaça ou ataque direto longe da costa contra adversários e por períodos sustentados. São necessários uma grande quantidade de armas guiadas de longo alcance para realizar estas missões. Os meios mais indicados são os grandes porta-aviões. A US Navy usava três porta-aviões para realizar ataques sustentados por grandes períodos contra o Vietnã do Norte. No caso de um navio de apoio de combate seria o equivalente a manter sempre um em posição avançada com pelo menos dois se revezando na base para rearmar, mas seriam incursões de curta duração com mísseis de cruzeiro. Até mesmo os helicópteros embarcados poderiam ser considerados como plataformas de mísseis de cruzeiro.

Um exemplo do uso de mísseis de cruzeiro contra alvos terrestre pode ser a incursão de retaliação dos EUA contra o Japão após o ataque a Pearl Harbour quando um porta-aviões americano lançou 16 bombardeiros B-25 contra ao Japão. Uma missão equivalente atual poderia ser feita com mísseis de cruzeiro. A precisão dos mísseis atuais permite que os danos sejam até bem maiores que os bombardeiros da época que tiveram mais efeito psicológico do que estratégico. Na época, os porta-aviões eram bem rápidos para fazer incursões contra alvos em terra se aproximando a noite e fugindo após o ataque. Um navio navegando por 6 horas a 40km/h pode se aproximar 250km e depois fugir a mesma distância durante a noite.

Cerca de 75% da população mundial vive a menos de 500 km do mar e 80% da produção industrial está localizada a menos de 200km da costa. Uma força naval capaz de operar próximo da costa com mísseis de cruzeiro é um meio de lançar ataques contra alvos estratégicos bem dentro do território inimigo. A cidade do Amapá ficou sem energia elétrica por 22 dias depois de um incêndio em um transformador em novembro de 2020. A população ficou sem água, telefone, internet e acesso a caixas eletrônicos. Os transformadores são um exemplo de alvo de mísseis cruise que poderia deixar um pais de joelho.

Foram os mísseis de cruzeiro Tomahawk deram capacidade ofensiva para os navios que tinha sido perdida para os aviões embarcados. Foi uma resposta as grandes perdas de caças durante a Guerra no Vietnã. Os mísseis Harpoon também foram outra arma ofensiva das escoltas. Um Grupo Tarefa com navios equipados com mísseis de cruzeiro de longo força o inimigo a dispersar as defesas em terra ao invés de concentrar contra Grupo Tarefa com porta-aviões. Os lançadores quádruplos de mísseis Tomahawk (Armored Box Launchers - ABL) foram instalados inicialmente nos quatro couraçados classe Iowa e depois em oito contratorpedeiros Spruance e quatro cruzadores classe Virginia, além do cruzador Long Beach. Depois passaram a ser levados em lançadores verticais VLS que equipava um número muito maior de navios.

Os ARG (Amphibious Ready Group) eram um Grupo Tarefa de navios anfíbios capazes de transportar um batalhão de fuzileiros reforçados (MEU). Inicialmente era composto por cinco navios (um LPH, um LPD, dois LSD e dois LST) e agora são apenas um LHA, um LSD e um LPD. Com três navios de escoltas e um submarino passou a se chamar Expeditionary Strike Group (ESG) e podia substituir um grupo de ataque com porta-aviões (Carrier Strike Group) em cenários com ameaças mais limitadas. A capacidade ofensiva é fornecida pelos mísseis Tomahawk.

Os 16 mísseis NSM das novas fragatas Constellation da US Navy também tem capacidade de atacar alvos em terra. Durante a Guerra das Malvinas, a Royal Navy fazia muitos ataques de incomodação contra as tropas argentinas, mas sem causar muitos danos. Os navios ficavam expostos por muito tempo a ataques da aviação argentina e o contratorpedeiro HMS Coventry foi atingido por um míssil Exocet disparado da costa. Com o NSM seria possível atingir alvos bem fora do alcance das defesas.

A Avibras está desenvolvendo o Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 Matador com alcance de 300km. Lançadores em contêiner poderiam ser instalados em um navio de apoio de combate para ataques contra alvos pouco defendidos na costa. Já os alvos bem defendidos precisariam de um submarino equipado com mísseis de cruzeiro pois teria capacidade de se aproximar e atacar sem risco de ser detectado. Os cenários seriam alvos fora do alcance da aviação baseada em terra como países na costa da África.

Testes do sistema HIMARS com foguetes guiados em um navio anfíbio da US Navy. Sem um lançador estabilizado para disparo no mar, um sistema de lança-foguetes fica limitado ao disparo de foguetes guiados capazes de corrigir a trajetória. Em 2016, a França estudou o uso de lança-foguetes MLRS nos seus porta-helicópteros da classe Mistral para o disparo de foguetes guiados.

Um Contêiner com mísseis de cruzeiro KLUB pode ser instalado em navios mercantes para uso contra alvos em terra. O míssil Matador da Avibrás também poderia ser instalado em contêineres semelhantes para equipar um navio de apoio de combate.
 

A capacidade de ataque terrestre de um navio tem que incluir a capacidade dos meios aéreos embarcados. A Royal Navy usou o HMS Ocean, atual NAM Atlântico, como base de helicópteros de ataque Apache do Exército britânico. Os Apaches realizaram 48 saídas e dispararam 99 mísseis Hellfire, 4.800 tiros de canhão de 30mm e 16 foguetes de 70mm contra 116 alvos. Realizaram apenas 1,5% das saídas da OTAN, mas atingiram 18% dos alvos. Os alvos eram blindados T-72, Shilka, lançadores de foguetes BM-21, prédios e veículos 4x4 armados. Os Apaches operavam apenas a noite para evitar a ameaça principal que eram armas guiadas visualmente como a artilharia antiaérea e mísseis portáteis. Operavam sempre atrás das linhas para evitar fogo amigo. Eram lançados e recolhidos entre 30 a 50km da costa.

A França realizou missões semelhantes com um navio anfíbio da classe Mistral equipado com helicópteros Gazelle e Tigre armados com mísseis. Os franceses se concentraram na região de Breda contra alvos na costa. Os Gazelle usaram mísseis Hot e os Tiger usaram mísseis Hellfire.

A MB está equipando os helicópteros Wild Lynx com os mísseis Spike capazes de atacar alvos no mar e em terra. Outros helicópteros podem receber os Spike como os H-145, MH-16 e UH-15. Foguetes guiados a laser de 70mm são outra opção de arma guiada mais barata que os mísseis Spike. Para realizar missões próximo da costa seria ideal que a aeronave esteja equipada com sistemas defensivos como um alerta radar e alerta de aproximação de mísseis (MAWS). Os UH-15 são os únicos helicópteros da MB equipados com o MAWS.

HMS Ocean equipado com helicópteros Apache durante ações na Líbia em 2011. A FAB poderia fornecer os AH-2 Sabre para equipar o NCAM Atlântico para realizar missões semelhantes aos Apaches britânicos. Os helicópteros HH-60 da USAF estão no convés em alerta CSAR.

Helicóptero Lynx coreano equipado com mísseis Spike NLOS com capacidade de ataque contra alvos terrestres e marítimos. O US Army está equipando parte da frota de helicópteros AH-64 Apache com os Spike NLOS para atacar defesas aéreas.
 

Guerra antiaérea

As defesas antiaéreas de uma escolta dependem da ameaça esperada. Durante a Segunda Guerra, as escoltas operando no oeste e no meio do Atlântico não tinham muita ameaça aérea. Perto da costa usavam até navios patrulhas leves na escolta de comboios. Já os contratorpedeiros operando no Mar Mediterrâneo tinham muita ameaça de aeronaves baseadas em terra, além de lanchas torpedeira, e tiveram parte dos tubos de torpedos substituídos por peças de artilharia antiaérea.

As escoltas atuais podem ser equipadas com mísseis de defesa de área ou de ponto, ou seja, para auto-defesa ou para proteger outros navios ao redor. As novas corvetas da classe Tamandaré serão equipadas com 12 lançadores de mísseis Sea Ceptor, mas pode ser o lançador quádruplo, o que significa que serão 48 mísseis no total. Por ser um míssil com capacidade de defesa de área curta, com alcance de cerca de 25km, é possível adicionar novas capacidades não disponíveis com os mísseis de curto alcance. Os mísseis Sea Wolf que equipam as fragatas Type 22 da MB só podem atacar alvos se aproximando. Na Guerra das Malvinas já foi observado a falta de um míssil para atacar alvos cruzados e virou um requisito do novo míssil. A nova capacidade permitiria atacar até alvos se afastando e proteger navios ao redor ao invés de ser usado apenas para auto-defesa.

As escoltas atuam em grupos e tem que considerar a capacidade dos meios de um Grupo Tarefa. Os navios costumam defender setores e um navio pode até coordenar as defesas de um setor. A cobertura externa pode manter aeronaves longe do corpo principal evitando que os navios protegidos sejam detectados e podem até derrubar aeronaves tentando penetrar. Já na Segunda Guerra os contratorpedeiros usavam seus canhões de médio alcance para atacar bombardeiros a média altitude ou torpedeiros voando baixo indo atacar outros alvos. Os contratorpedeiros raramente eram os alvos principais a não ser que estivessem sozinhos.

Os avanços tecnológicos permitiram miniaturizar os sistemas eletrônicos resultando em sensores e mísseis bem menores. Para exemplificar, as corvetas israelenses SAAR 5 com apenas 1.200 toneladas de deslocamento foram equipados com 16 mísseis Barak 8 para terem capacidade de defesa aérea de área, além de 32 mísseis C-DOME de curto alcance. A quantidade de mísseis permite até se defender de ataques de saturação. Ataques de saturação forma comuns na Segunda Guerra, mas depois foram raros. A fragata Ardent foi atacada por 14 aeronaves argentinas, mas não foram todas de uma vez só.

Na Segunda Guerra Mundial, os canhões de 127mm tinham função dupla atuando contra alvos na superfície e antiaéreos. Eram usados contra bombardeiros a média altitude ou contra aeronaves passando próximas para atacar outro alvo. As armas automáticas só eram úteis contra bombardeiros de mergulho ou torpedeiros voando bem baixo se usassem munição traçante ou com explosivo de tempo para dissuadir os bombardeiros de mergulho ou induzir a ataques prematuros. Na prática, nem as defesas e nem as aeronaves conseguiam bons resultados.

Em 1940, a ameaça principal na guerra naval passou a ser os ataques aéreos. A primeira reação da US Navy foi armas os navios com canhões de 20mm e 40mm. Os Kamikases foram uma surpresa e levou os americanos a reforçar seus navios com peças duplas de 20mm e canhões quádruplos de 40mm. Os canhões de 76mm guiados por radar para disparo cego a noite só ficou pronto depois da guerra e era a principal reação contra os Kamikases. O calibre 76mm era a menor arma que podia usar espoleta de proximidade.

Os controladores aéreos nos Centro de Operação de Combate era outro recurso para direcionar patrulhas de combate aéreo contra as aeronaves inimigas. Os contratorpedeiros operando em pickets de radar a frente da frota tinham patrulhas de combate aéreo dedicadas para proteger o local. Os radares de busca de superfície têm menor alcance, mas fazem varredura mais rápida de 30 rotações por minuto (RPM) cobrindo alvos se aproximando muito rápido e baixo. O alcance de detecção é de 20 a 25 km contra alvos voando muito baixo como os mísseis do tipo sea skimming. Os radares de longo alcance fazem busca mais lenta de 3 a 15 RPM, mas tem alcance bem maior. O controle de caças geralmente é feito por aeronaves mais capazes.

A ameaça dos mísseis anti-navio apareceu ainda na Segunda Guerra e os canhões foram logo considerados obsoletos contra a nova ameaça, principalmente em caso de ataques de saturação. As duas torres duplas de 127mm da Classe Gearing com munição com espoleta de proximidade e com diretor de tiro por radar era letal contra uma aeronave da Segunda Guerra, mas contra um míssil anti-navio era estimado uma probabilidade de acerto de apenas 20%. Os navios da Classe Gearing modernizados com o padrão FRAM I na década de 1960 não tinham artilharia antiaérea e operariam apenas na retaguarda. A única defesa contra os mísseis Styx eram os interferidores ULQ-6. Já a classe Garcia recebeu um lançador Tartar com 16 mísseis no lugar de uma torre de 127mm e virou a classe Brooke dando capacidade limitada de defesa aérea para os contratorpedeiros de escolta.

Os canhões de 76mm foram substituídos pelos Sea Sparrow e Phalanx enquanto parte das torres de 127mm foram substituídas por lançadores de mísseis Tartar. Os mísseis Terrier foram projetados para equipar contratorpedeiros, mas ficaram muito grandes e só puderam equipar cruzadores. Responder a ataques de saturação exigia muitos mísseis e muitos radares diretores de tiro. Os Terrier foram substituídos pelos Standard que ocupavam menos espaço.

Uma guerra convencional exige muitos recursos e foi o que os britânicos aprenderam após ter perdas pesadas para a aviação argentina durante a Guerra das Malvinas. O resultado foi o contratorpedeiro Type 45 equipado com 48 mísseis Aster. Um navio capaz de contrapor ataques aéreos precisa ter meios sofisticado para detectar e atacar. Estudos anteriores a Guerra das Malvinas já mostrava que seriam necessários muitos recursos para defender um Grupo Tarefa de ameaças aéreas. Os jatos mostraram repetidamente nos exercícios navais da década de 1950 e 1960 que os navios eram muito vulneráveis as novas aeronaves voando muito baixo.

O primeiro navio britânico a ser armado com o míssil de defesa aérea de área Sea Dart seria a classe Type 82. Para estimar a necessidade do novo navio, um estudo de defesa de Força Tarefa foi feito em 1962 em um cenário no canal de Suez. As ameaças esperadas seriam aliados da URSS como o Egito e a Indonésia.

A força britânica consistia de dois grupos de batalhas com os porta-aviões (o novo CVA-01) operando a 80km um do outro para apoio mútuo, além de um grupo de apoio e um grupo anfíbio a 350km de distância e atrás do grupo de ataque. A tarefa primária dos porta-aviões seria ataque e por isso não manteriam patrulhas de combate aéreo no ar. Os caças seriam lançados após o alerta de três navios atuando como picket radar, cada um a 180km de distância. Na época estimaram que um navio equipado com o Sea Dart equivaleria a oito caças F-4 Phantom fazendo patrulhas de combate aéreo. Os picket seriam os novos navios equipados com os novos mísseis Sea Dart (os Type 82). Outro navio no centro defenderiam todos os setores, mas o alcance contra aeronaves voando baixo era de 18km.

Os navios estavam dispersos para evitar a destruição por uma bomba nuclear de 1 kt e por isso seria necessárias três escoltas de defesa aérea em um raio de 8km do centro. O novo porta-aviões poderia receber o Sea Dart e permitiria ter um navio de defesa aérea no centro do GT. O porta-aviões também poderia ter uma escolta próxima com um cruzador com mísseis Sea Dart. Os grupos de apoio e anfíbio vindo mais atrás precisariam de três navios com o Sea Dart cada um. O total seriam 14 navios armados com o Sea Dart operando ao mesmo tempo o que significa que mais sete deveriam estar em manutenção ou descanso.

Ao detectar uma aeronave de ataque, os navios de defesa aérea tinham 2 minutos de apreciação, para acompanhar e analisar, depois 2 minutos para um caça voar cerca de 35km do NAE, depois 1 minuto para o caça manobrar e um minuto para interceptar o alvo. Em seis minutos, uma aeronave a 800km/h voou cerca de 80km. Para destruir a aeronave a 35km do alvo, um navio realizando picket radar deve estar a pelo menos 100km do centro do GT. Um picket a 200km do GT podem detectar alvos a 350km do porta-aviões, dando alerta valoroso para interceptadores contra alvo voando baixo.

Em 1964, os custos das Type 82 levou a redução do número de navios. Três ou quatro defenderiam um Grupo Tarefa enquanto os grupos de apoio teriam apenas um navio cada. Um navio menor com menos mísseis e apenas um radar de controle de tiro poderia complementar o navio maior, e a quantidade total de navios do tipo Type 82 poderia ser de seis a oito navios. O navio navegaria a 5km a frente do corpo principal, mas com uma capacidade de defesa aérea bem menor que o esperado. Em 1966, o novo porta-aviões britânico foi cancelado e apenas um Type 82, o HMS Bristol, foi fabricado.

A ameaça aérea principal logo passou a ser os mísseis anti-navio. As aeronaves de ataque podiam disparar os mísseis fora do alcance dos mísseis SAM e depois voltar para rearmar. Os ataques de saturação podiam ser apoiada por interferidores eletrônicos. Até os submarinos podiam lançar mísseis de curto alcance.

Sem cobertura de caças, a primeira linha de defesa ativa de um navio são os mísseis superfície-ar que tem que ter uma velocidade de reação muito alta para atingir o alvo na maior distância possível. Se errar ainda deve dar tempo de lançar outro míssil ou então engajar outro alvo. Os mísseis têm uma precisão alta que não muda com a distância, mas tem limitação de alcance mínimo e por isso ainda são usados os canhões antiaéreos.

Contra mísseis a distâncias maiores que 600 metros a probabilidade de acerto direto com um canhão antiaéreo cai muito e pode ser usado espoleta de proximidade para fazer o míssil perder o controle e cair após ser danificado. A menos de 600 metros é necessário explodir o míssil com acerto direto para evitar que a inércia mantenha um míssil desgovernado na direção do navio. Um míssil com uma ogiva com 200kg de explosivos RDX precisa ser destruído a mais de 150 metros ou a explosão ainda vai causar muitos danos no navio. Os canhões de 40mm e 57mm podem começar a disparar a cerca de 3,5km enquanto os calibres menores que 30mm começam a disparar a cerca de 1.200 metros para maximizar a probabilidade de acerto.

As armas de um navio de apoio de combate teriam mais função defensivas junto com os sistemas de guerra eletrônica. A primeira defesa a ser pensada em um cenário com maior ameaça é evitar o local. Se não for possível, o próximo passo é ser acompanhado por uma ou mais escoltas mais capazes.

Um navio de apoio de combate operaria principalmente em cenários de baixa intensidade e as ameaças principais seriam lanchas rápidas, minas e baterias costeiras de mísseis. Drones aéreos e de superfície podem se tornar mais frequentes no futuro. Um canhão automático de 40 mm contrapõe a maioria dos alvos esperados em cenários de baixa intensidade como lanchas rápidas, drones de superfície e drones aéreos, além de realizar tiro de advertência. As baterias de mísseis devem ser detectadas e atacadas na praia. Um helicóptero com MAGE e FLIR é o melhor meio de vigilância e reconhecimento.

O conflito no Iêmen é um exemplo de cenário de baixa intensidade com ameaça de baterias de mísseis anti-navio sem a expectativa de ataques de saturação. No dia primeiro de outubro de 2016, o navio de transporte rápido HSV-2 Swift foi atingido por um míssil C-802 disparado da costa do Iêmen enquanto realizava missões de ajuda humanitária.

Como reação, a US Navy enviou os contratorpedeiros USS Mason e USS Nitze além do navio anfíbio USS Ponce para a região. O Mason e o Ponce foram atacados no dia 9 de outubro no estreito de Bab el-Mandeb. O Mason disparou dois mísseis SM-2 e um ESSM contra os dois mísseis. Depois disparou engodos ativos Nulka. Foram dois mísseis disparados em um intervalo de seis minutos. O interferidor SLQ-32 deu alerta da presença de radares de mísseis e disparou foguetes de Chaff automaticamente. Um dos mísseis caiu a 19km e outro a 14 km após serem atingidos pelos mísseis SAM.

O Mason foi atacado novamente em 12 e 15 de outubro. No ataque de 12 de outubro, próximo a cidade de Al Hudaydah, dois mísseis foram derrubados a 13 km do navio. No ataque do dia 15 de outubro, o navio foi atacado por por cinco mísseis no norte do Mar Vermelho. O Mason disparou despistadores e vários mísseis SM-2 neutralizaram e interceptando os ataques.

No dia 13 de outubro os contratorpedeiros da US Navy já tinham atacado sites de radar em território controlados pelos Houti. Três sites foram destruídos com mísseis de cruzeiro Tomahawk para evitar que fizessem busca e indicação de alvos para os lançadores de mísseis.

O cenário dos combate no Iêmen é o pior possível. A primeira defesa contra as baterias de mísseis anti-navio e radares na costa é ficar longe da ameaça, além do horizonte radar na costa, sem ser detectado. O navio precisa tem meios para operar a longa distância como armas de longo alcance como canhões ou foguetes para apoio de fogo naval e interdição. A capacidade de busca de alvos em terra é feita com drones ou helicópteros e inclui a capacidade de detectar radar com um MAGE.

As ações no Iêmen são um exemplo recente da uma ameaça de mísseis anti-navio lançados de baterias costeiras pois são relativamente comuns tendo ocorrido em mais três ocasiões. Em 1982, os Argentinos adaptaram com sucesso dois mísseis Exocet em um trailer para ser disparado de terra. Um míssil atingiu o contratorpedeiro HMS Glamorgan. Outro míssil passou perdido da fragata HMS Avenger. Durante a guerra do Golfo em 1991, os iraquianos dispararam dois mísseis Silkworm contra os navios aliados no Golfo Pérsico. Um não atingiu nenhum alvo e outro trancou no couraçado USS Wisconsing, mas foi derrubo antes por um míssil Sea Dart disparado pelo contratorpedeiro HMS Gloucester. O disparo foi uma resposta a uma simulação de assalto anfíbio realizado por 10 helicópteros no Kuwait. Em 2006, a corveta israelense Hanit foi atingida por um míssil C-802 disparado pelo Hezbola a partir da costa.

O míssil Sea Ceptor que irá equipar as novas corvetas da MB pesa apenas 99 kg contra 220kg dos mísseis Aspide que equipam as fragatas da classe Niterói. O alcance é o mesmo (25km), mas a versão com alcance estendido chega a 45km e pesa 160kg.



Danos no Catamarã Swift do UAE após ser atacado por mísseis anti-navio do Iêmen. Outros vídeos mostram pequenas lanchas de controle remoto atacando uma fragata saudita.



O canhão antiaéreo calibre 40mm é o padrão da MB.
A versão mais atual do Bofors 40 Mk4 tem opção de ser controlado direto da ponte de comando.

O canhão automático leva da corveta classe Tamandaré será o Canhão Rheinmetall Sea Snake de 30mm.

Operador de metralhadora MAG na fragata Argonaut durante a Guerra das Malvinas. Foi ainda na Primeira Guerra Mundial que os navios de guerra começaram a receber metralhadoras leves contra a ameaça aérea. Uma arma de grande razão de tiro tem mais chances de acerto, mas o dano é menor. As posições de armas leves costumam receber blindagem no local pois seriam um alvo prioritário por ser bem visível. A corveta Guerrico foi muito danificada por metralhadoras durante o desembarque na Georgia do Sul.

 

Anti-drone

Os drones tiveram uma participação importante no conflito entre o Azerbaijão e a Armênica, além de outros conflitos no Oriente Médio. Espera-se que sejam também esperados nos cenários navais.

Os sistemas anti-drones aéreos (C-UAV) consiste de radares, torreta FLIR para identificação, sistemas de COMINT para detectar o datalink do drone, interferidores das comunicações, e uma arma antiaérea. Todos estes sistemas já são parte dos navios de guerra como uma fragata ou corveta. No caso da corveta Tamandaré, os canhões de 30mm e 76mm podem ser usados contra drones. São os mesmos recursos que podem ser usadas contra aeronaves lentas suicidas (LSF - Low Slow Flyer).

Os drones de superfície também devem ser esperados. As ameaças de superfície em cenários de baixa intensidade são as lanchas rápidas e pequenas embarcações costeiras (FIAC - Fast Inshore Attack Craft e SSAV - Slow Speed Attack Vessel), embarcações suicidas, explosivos flutuantes e ataques vindo da costa. São contrapostos pelos mesmos sistemas usados contra drones aéreos.

Contra ameaças de superfície de curto alcance, a razão de disparo de um canhão é considerado mais importante que o alcance. Já na Primeira Guerra perceberam que, para se defender de uma lancha torpedeira, uma armas de tiro rápido era mais importante que o calibre. Os torpedos tinham que ser disparados a cerca de 2km para serem efetivos e na maior parte do tempo a menos de 4 km. Agora as ameaças podem ser lanchas com explosivos como lanchas suicidas ou drones de superfície com a ameaça sendo chamada de FAC/FIAC (fast attack craft/fast inshore attack craft). O contratorpedeiro USS Cole foi atacado por uma embarcação com explosivos no ano 2000 e uma fragata saudita foi ataca por três lanchas drone com explosivos em 2017.

Imagem do ataque de drone de superfície contra uma fragata saudita. A fragata foi ataca por três lanchas drone com explosivos em 2017. O vídeo original foi filmado de uma pequena embarcação próxima que pode ter guiado o drone até o alvo. No outono de 1917, os alemães usaram barcos de controle remoto com explosivos no canal da mancha para atacar os contratorpedeiros britânicos.

A imagem é de um submersível furtivo usado por traficantes de drogas, mas pode ser um exemplo de como seria um drone com furtividade frontal para atacar navios, sendo praticamente uma mina motorizada. O inventor do torpedo pensava inicialmente em uma arma guiada por cabos disparada da costa, mas a tecnologia da época era insuficiente.

 

Guerra eletrônica

O primeiro uso da guerra eletrônica pelos navios foi a interceptação de comunicações permitindo indicar a direção da frota inimiga. Logo perceberam que podiam interferir nas comunicações. Assim nasceram as medidas de apoio a guerra eletrônica (MAGE).

A análise manual dos dados de um MAGE dura cerca de 1 minuto, enquanto a análise automática chegou a menos de um segundo na década de 1980. A automação dos sistemas de guerra eletrônica permite diminuir o pessoal. Um MAGE manual precisava de dois operadores e agora só precisa de um e são bem menores e mais leves. Os dados são passados para o CIC diretamente enquanto antes era manual. Os MAGE atuais podem analisar sinais bem curtos e determinar a direção de origem com mais precisão. Os dados podem ser gravados para atuar como sistema de inteligência eletrônica.

Os novos sistemas de inteligência de comunicação (COMINT) automático apareceram na década de 1970 e permitia localizar unidades navais além do horizonte. Vários navios trocam dados por datalink para serem analisados e triangular a posição automaticamente. Um MAGE permite triangula alvos para o disparo de um míssil anti-navio Exocet no alcance máximo.

Na década de 1960 o MAGE virou um sensor antiaéreo podendo detectar as emissões de uma aeronaves a 400km, até a baixa altitude, contra 220km do radar. Também eram sensores antisubmarino pois detectavam o radar dos periscópios.

Os interferidores eletrônicos começaram a ser usados pelos navios assim que os primeiros navios foram afundados por mísseis guiados por rádio na Segunda Guerra Mundial. Os Interferidores eletrônicos podem ser usados para auto-defesa ou para proteger outros navios ao redor como cobertura de frota ou de comboio. No modo de cobertura (counter-targeting), um interferidor protege contra radares inimigos forçando as plataformas aéreas a se aproximar a menos de 50km. Um radar de caça ou míssil só detecta navios a menos de 20km e dentro do alcance de mísseis SAM de defesa de área. Pode esconder uma escolta em um raio de 10 km na banda S ou completamente na banda X. Um navio com baixo RCS facilita ainda mais o funcionamento dos interferidores eletrônicos e por isso os navios de guerra atuais tem formas furtivas.

Durante a Guerra das Malvinas, os britânicos tinham os lançadores de Chaff dos navios (Chaff delta), projéteis de Chaff dos canhões de 114mm (Chaff charlie) e os Chaff lançados por helicópteros (Chaff hotel). Os Chaff hotel eram lançados para confundir radares longo alcance e até para confundir satélites de busca radar Soviéticos.

O Chaff delta tem que criar uma nuvem rapidamente para o caso de ataque de mísseis. Geralmente é lançado com a ameaça a 15 km de distância ou cerca de um minuto de vôo no caso de um míssil. Depois de disparar o Chaff, os navios tinham que se mover para se colocar entre a nuvem e a ameaça e virar na direção do vento e manter a mesma velocidade para ser confundido como uma das nuvens e não se destacar. Os Chaff eram disparados em salva de 16 foguetes. Os navios tinham um estoque de 64 foguetes de Chaff e poderiam ficar sem defesas após quatro alarmes falsos e eram muito comuns. Não tinham meios de saber se era um alarme falso. Com o estoque de Chaff diminuindo, os navios passaram a disparar salvas de oito Chaff e depois 2 ou 3 foguetes. Os Israelenses usam o lançador de Chaff Deseaver com 72 foguetes. As corvetas classe SAAR 5 usam três lançadores com um total de 216 foguetes.

O Chaff charlie era lançado pelos canhões de 114mm a longa distância para criar confusão. Passaram a ser disparados com pequenas salvas de Chaff delta com o estoque diminuindo. Geralmente eram os primeiros a serem disparados em caso de contatos radar distantes. O Chaff charlie também era usado para simular contatos falsos para confundir radares na costa. Eram levados pelo vento para simular um alvo móvel. Podiam simular a infiltração de uma embarcação, mas depende da direção e velocidade do vento no momento para surtir efeito.

Novos foguetes de engodo foram adicionados aos lançadores como os flares, usados em caso de ameaça de mísseis guiados por calor, e foguetes de fumaça. Os refletores de canto são outro tipo e ficam flutuando. Os mais caros são os interferidores ativos. Até mesmo despistadores de torpedos podem ser lançados pelos lançadores de Chaff.

A ELEBRA fabrica o bloqueador ET/SLQ-1A que equipa a corveta Barroso. Também recebeu o lançador de Chaff/Flare SLDM (sistema de lançamento de despistadores de mísseis). Os dois foram integrados com o Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA MK.II que também recebe dados de um MAGE Cutlass B1BW que dá alerta de ameaças. Os bloqueadores e o MAGE são necessários contra ameaças de drones pois podem dar alerta da presença do link de comunicação e depois interferir nas comunicações.



A corveta Tamandaré será equipada com o lançador de Chaff/Flare TERMA C-GUARD.

Lançador de engodos Deseaver usado pelas fragatas israelenses da classe SAAR 5 (aqui instalado em uma SAAR 4.5). Cada navio tem três lançadores com um total de 216 engodos. 



A MB selecionou o C-ESM para ser o novo MAGE das corvetas da classe Tamandaré. A capacidade de gravar dados permite que o navio realize missões de inteligência eletrônica.
 


Guerra de minas

Uma das possíveis funções de um navio de apoio de combate é a Guerra de Minas. O navio pode ser usado como navio lança minas ou como varredor/caça minas. Os navios dedicados costumam ser pequenos e precisam ser transportados por um navio maior em missões de longo alcance. A outra opção é usar um navio escolta maior, não tão sofisticado, para missões de longo alcance, acompanhando a frota, e com capacidade de auto-defesa contra ameaças no ar, mar e na costa.

A minagem pode ser ofensiva ou defensiva. A minagem ofensiva é geralmente realizada em águas controladas pelo inimigo para atrapalhar suas linhas de suprimento e a movimentação de navios com o bloqueio de estreitos e acessos a suas bases e portos. A minagem defensiva é realizada nas águas controladas ou de aliados, mas também em áreas de disputa pelo controle marítimo. O objetivo é proteger as águas costeiras, bases, portos e rotas das forças navais e navios mercantes. São campos minados secretos.

As minas podem ser lançadas por praticamente qualquer navio, submarinos ou aeronaves, navios comerciais, pesqueiros, e navios de pequeno porte. Os navios de superfície são mais utilizados para a minagem defensiva. A vantagem em relação aos submarinos e aeronaves é a autonomia e capacidade de carga. Por outro lado, são lentos e mais vulneráveis a ataques vindo do mar e terra. Por serem fáceis de detectar, não são a primeira escolha para criar um campo minado secreto.

Os submarinos são melhores para lançar minas em locais controlados pelo inimigo, podendo fazer minagem ofensiva sem serem detectados. Podem fazer reconhecimento do tráfego local para determinar o ponto ideal para lançar as minas.

As aeronaves de asa fixa são consideradas mais adequados para fazer minagem ofensiva por serem rápidos, tem um raio de ação adequado e curto tempo de reação. Podem minar qualquer local e são invulneráveis as minas defensivas do inimigo. Podem realizar reminagem sem se preocupar com minas já lançadas no local. A precisão do lançamento não costuma ser adequado, mas com navegação por GPS, mira computadorizada, sensores de imagem que gravam o local da queda ou minas aéreas guiadas por GPS podem criar campos com precisão. Uma desvantagem das aeronaves é não ter garantia que o inimigo perceba a criação do campo minado.

O Japão usou muitas minas contra os Russos na guerra de 1905. Os contratorpedeiros lançaram minas no trajeto da frota russa e forçou a desviar. Os navios lançavam as minas entre 1 a 2 km do inimigo e depois fugia rápido. Lançavam até minas falsas como sacos de palha e funcionava. A ameaça de minas fez os britânicos evitarem perseguir a frota alemã fugindo na batalha da Jutlândia. Os alemães usavam seus contratorpedeiros e cruzadores para lançar minas nas águas controladas pelos inimigos na Primeira Guerra.

Na Segunda Guerra Mundial, as minas eram lançadas por contratorpedeiros, lanchas torpedeiras e aeronaves. Raramente era lançada por cruzadores ou mercantes armados (comerce raider). Alguns contratorpedeiros da US Navy da Primeira Guerra foram convertidos para lançar minas durante a Segunda Guerra devido a falta de navios especializados rápidos. Quatro navios eram usados para criar um campo minado. Os campos de minas criados pelos alemães não eram defendidos e os britânicos conseguia limpar. Obstáculo não defendido não é obstáculo. Os EUA usaram muitas minas contra Japão lançadas do ar com muito sucesso pois o Japão tinha pouca capacidade varredura e resultou na redução de 90% da atividade marítima, fechando completamente seus portos principais. Foram mais de 12 mil minas lançadas pelos B-29.

O uso de minas é relativamente comum comparado, por exemplo, com o disparo de mísseis anti-navio. Nos últimos 75 anos, desde a Segunda Guerra Mundial, as minas afundaram mais navios em conflitos armados do que qualquer outra arma naval. Após a Segunda Guerra Mundial, A US Navy teve 15 navios afundados ou avariados por minas. Em 1988, a fragata Samuel B Robert quase afundou após ser atingida por mina iraniana SADAF-02. Durante a Guerra do Golfo em 1991, o navio de assalto USS Tripoli atingiu em uma mina LUGM 145 que custava US$ 1.900, mas causou danos de US$ 5 milhões. O Cruzador USS Princetown foi danificado por uma mina Manta de US$ 20 mil que causou danos de mais de US$ 100 milhões. O uso de minas na costa do Kuwait inviabilizou o desembarque anfíbio no local. Os iraquianos plantaram cerca de 1.300 minas no local. A limpeza das minas no Golfo Pérsico durou até 1997.

Os argentinos plantaram um campo minado na costa a frente de Port Stanley que atrapalhou as missões de bombardeio naval dos britânicos. Foram criados dois campos a 10 km do cabo Pembroke, um com oito minas em duas filas e o segundo com 13 minas, para atrapalhar possíveis desembarques anfíbios no local. Os navios operando no local sentiram falta de varredores. As traineiras Cordelia e Northella foram convertidas como varredores e enviados para o sul no navio de transporte Pict para limpar o local. A fragata HMS Alacrity foi destacada no dia 10 de maio para transitar no estrito das Falklands atuando como varredor rápido para garantir que o local não estava minado.

O convés flexível do Absalon pode levar até 300 minas e pode receber trilhos para lançamento de minas. As novas fragatas japonesas da classe Mogami tem capacidade de atuar como navio mineiro ou caça minas. Foram equipadas com um sonar antimina OQQ-11, drones de superfície e submarinos para caçar minas, e podem lançar minas defensivas ou ofensivas. A marinha japonesa planeja operar 22 navios da classe Mogami.


Imagem do lançamento de uma fragata da classe Mogami do Japão. A imagem mostra a abertura da rampa traseira para lançar e recolher drones caça minas e da porta para lançar minas.


Popa do lança-minas sul coreano Wosan. O navio é capaz de levar até 500 minas.

Outra missão dos navios de apoio de combate é a contramedida de minas atuando como caça-minas. A classe Absalon foi pensada para atuar com navio-mãe levando drones ou embarcações caça-minas. A US Navy está usando os seus helicópteros MH-60S para caçar minas com casulos detectores de minas e um navio de apoio de combate pode ser uma base para helicópteros caça-minas. Na Segunda Guerra Mundial, os contratorpedeiros também foram adaptados como caça-minas rápidos indo na frente da frota em locais com ameaça. Os contratorpedeiros também fizeram varredura ofensiva na invasão norte da África aproveitando a capacidade de se defender de submarinos e ataques aéreos.

Os drones são os novos meios usados para contramedidas de minas. Pode ser na forma de veículos subaquáticos e de superfície não-tripulados. São usados para fazer a varredura de minas, evitando expor os navios-mãe e tripulações aos perigos na área minada ou suspeita. Um drone caça-minas pode ser uma embarcação semi-rígida (RHIB) de 11 metros, já levados pelas escoltas, capaz de rebocar um sonar caça minas e um drone (ROV) para neutralização de minas, realizando caça e destruição. O objetivo é criar uma rota segura para a passagem de navios. Os drones de superfície navegam a cerca de 500 metros à frente do navio fazendo a varredura do fundo à frente do navio com seus próprios sensores, como sonares, câmeras de TV e telêmetro laser, transmitindo os dados ao navio-mãe.

O primeiro uso de aeronaves para detectar e destruir minas navais foi na Segunda Guerra com o uso de bombardeiros equipados para detonar minas magnéticas em águas rasas. A US Navy usou helicópteros HO3S-1 e hidroaviões PBM para detectar e limpar minas no porto de Wonsan antes do assalto anfíbio no local durante a Guerra na Coréia. Depois da Guerra da Coréia, a US Navy usou o helicóptero HSL Tandem para testar trenós para varredura de minas em 1952. Em 1964, o SH-3A foi convertido para guerra de minas como RH-3A em 1966. O CH-53 entrou em operação em 1971 pois a missão exigia um helicóptero potente. Os RH-53 foram usados para varrer minas no porto de Haifong no fim da guerra do Vietnã em 1973. Foram usados novamente em 1974 para varrer minas no canal de Suez após a guerra do Yom Kippur. Em 1984, varreram minas no mar Vermelho lançadas por terroristas. Operaram no Golfo Pérsico em 1986 e 1991. Atualmente, a US Navy também usa o MH-60S nas escoltas LCS para varrer minas.



Um LCS da US Navy lançando um drone caça-minas.

O drone Seafox é usado para localizar e destruir minas. Usa um sonar para busca enquanto outro leva um explosivo de 1.4kg para detonar a mina. Cada drone custa cerca de US$ 100 mil.
 

CUSTOS

Inicialmente os navios de guerra eram projetados ao redor das armas com os canhões pesados ou torpedos. Depois passaram a ser projetados para as tarefas e possíveis ameaças a serem derrotadas. Como citado antes, os navios de apoio de combate tem como foco as operações de baixa intensidade e por isso seriam mais simples.

As marinhas ricas também usam o conceito de HI-LOW-MIX, com navios sofisticados para apoiar a frota e navios menos capazes para realizar escolta de comboios em locais de menor risco. Por outro lado, até as escoltas baratas ficaram inviáveis com a capacidade dos submarinos modernos e o uso de sensores e armas mais caras.

Na década de 1930, a Royal Navy usava corvetas para o policiamento do seu império, atuando como cruzadores anões, com apenas um canhão médio e um pelotão de fuzileiros. Tinham capacidade de varrer minas o que era uma missão esperada para cobrir muitos portos e bases. Nas duas Grandes Guerras, os cruzadores auxiliares realizavam a patrulha do norte para bloquear navios em rota para a Alemanha via mar do norte. Checavam mercantes e também alertavam de incursores e navios de guerra deixando o norte para entrar no Atlântico.

A MB planejava comprar cinco fragatas médias no programa PROSUPER. Quatro corvetas e três navios da classe Absalon poderiam custar aproximadamente o mesmo valor das cinco fragatas. Um grupo tarefa com três FREEM e um navio tanque poderia ser comparado com um grupo tarefa de três corvetas e duas Absalon. Por exemplo, o navio tanque não leva helicópteros enquanto as duas Absalon levariam até quatro helicópteros de médio porte como o MH-16 e UH-15 Caracal.

Outra justificativa para a operação de navios de apoio de combate pela MB é orçamentária. A MB já está com número reduzido de escoltas e precisa otimizar recursos. Se por um lado pode diminuir número de escoltas para missões de alta intensidade, por outro pode aumentar o número total de navios ao aproveitar os recursos disponíveis com meios mais simples e flexíveis para as missões de baixa intensidade de tempos de paz do dia a dia.

Os navios tanques foram os primeiros a se tornar multifuncional ao receberem a capacidade de transferir carga seca. Depois passaram a ter uma boa capacidade de apoiar a aviação com um grande hangar. O próximo passo foi adicionar a capacidade de transporte logístico podendo levar pessoal e veículos. Por outro lado, muitas tarefas podem acabar comprometendo algumas capacidades específicas e o navio é bom em nenhuma.

A grande vantagem de um navio multifuncional é ter muitas partes em comum como acomodações, maquinas e ponte/C2 e vai adicionando espaço e volume para carga adicional, tanques combustível, guinchos e apoio de aviação. O custo de adicionar uma nova capacidade pode ser bem pequena. Marinhas com grandes frotas de navios de apoio não investem em navios multifunção e preferem navios especializados pois podem ter vários de cada tipo. Mesmo que um esteja parado para manutenção a capacidade de cada navio não é comprometida. Um navio multifuncional não disponível resulta na perda de muitas capacidades ao mesmo tempo. Dois navios disponíveis significa que é possível ter sempre um disponível.

Navios de apoio logístico usam padrões de fabricação civil ao invés do padrão militar resultando em um custo menor. Os navios da classe Absalon custaram US$ 333 milhões cada comparado, na época, com US$ 447 milhões de uma fragata FREEM francesa ou US$ 878 milhões da F125 alemã. Um navio comercial adaptado como o Prevail Multi-Role Vessel pode chegar a custar três vezes menos em relação a Absalon.

Para diminuir os custos, primeiro abandonam os requisitos de proteção contra choque e explosão. O uso de padrões civis permite fabricar mais rápido pois uma estrutura comercial (transversal) gasta menos mão de obra para fabricar que a militar (longitudinal). O navio não tem requisitos militares de resistência a choque, zonas de explosão, proteção química, biológica e radiológica como splinters na parte externa. Os navios de apoio múltiplo são relativamente grandes devido ao convés flexível e um navio maior absorve mais danos.

Um navio de apoio múltiplo como a classe Absalon seria basicamente uma corveta ou fragata (sensores e armas principalmente) com a adição de um convés flexível e padrões de construção comercial. O convés flexível aumentaria os custos que depois seriam compensados com o padrão comercial.

Desde 1981 que a US Navy estuda padrões comerciais para sua frota de navios de apoio pré posicionados. A Royal Navy foi a primeira a implantar com o HMS Ocean (atual NAM Atlântico). Os navios mercantes já operam com apenas um tripulante na ponte de comando (One man bridge operated - ​OMBO) de dia e bom tempo. A noite ou mau tempo são usados dois tripulantes. Também já operam com praça de máquinas desguarnecida (UMS - Unmanned Machinery Space).

A automatização é uma forma de diminuir os custos e funciona bem nos países mais ricos onde a mão de obra é mais cara. Mesmo assim, a automação tem limitações pois os tripulantes são necessários em várias situações como as operações de reabastecimento que precisam de muita mão de obra, controle de avarias e missões de abordagem (VBSS). Missões de longa duração precisam de uma grande tripulação para revezar nas operações sustentadas sem causar muita fadiga.

Cenários de alta intensidade precisa prontidão máxima por longos períodos, com o COC sempre tripulado. Nos cenários de baixa intensidade nem precisam atuar continuamente em prontidão alta e nem com todas as funções ativas permanentemente. A média de prontidão em cenários de alta intensidade é de 115 horas por semana, cerca de 16 horas por dia, contra 35 horas em tempo de paz.

As LCS da US Navy adotou equipamentos comerciais automatizadas dos navios mercantes para diminuir a tripulação. Originalmente eram 40 tripulantes, mas aumentou para 50 para diminuir a sobrecarga de trabalho e para apoiar as operações de controle de avarias.

Desde a Segunda Guerra que a tripulação virou um problema de custo. As marinhas tentam automatizar ao máximo. O planejamento futuro considera o custo da mão de obra e não o número de navios. A capacidade de um navio está relacionada com o manejo pois todos os sistemas e arma tem que ser tripulados continuamente o que gera um volume maior para as acomodações.

As fragatas Type 21 foram projetadas para serem baratas e por isso não receberam splinters para guerra nuclear, não fazia reabastecimento no mar, tinha cozinha única para oficiais e praças e apenas uma âncora. Só levaria uma tripulação para o helicóptero Lynx. Sensores automáticos que passam dados automático para o CIC foi um recurso importante. O CIC simplificado com dois apenas operadores e sem controle de armas foi outra medida, além de posto de vigilância único. O uso de turbina a gás permitiu diminuir a tripulação, nem todos sistemas e armas podem ser manejados simultaneamente, e a capacidade de manutenção própria foi reduzida e precisava de mais apoio de terra.

Para reduzir os custos, o melhor sistema de propulsão são os motores a diesel. Já a propulsão CODLAG (diesel e elétrica) tem a vantagem de diminuir em muito a assinatura acústica pois as engrenagens entre os motores e hélices causam muito barulho. Os motores podem ficar mais acima no convés.

A velocidade de frota é de cerca de 28 nós, mas os grupos anfíbios e de reabastecimento e comboios operavam a 18-20 nós e podia ser uma escolta de 24 nós. O problema é quando a escolta tem que operar com comboios e com a frota e o requisito é uma maior velocidade. Os submarinos de ataque nucleares forçou o uso de escolta com bom desempenho para cobertura da frota. O navio precisa ter capacidade de fazer corridas rápidas até um contato se não tiver armas antisubmarino de longo alcance. Tem que ser rápido para reposicionar, atingir um contato suspeita rapidamente e depois voltar rápido para sua estação. Os navios mercantes também ficaram mais rápidos e exigem escoltas rápidas.

A velocidade depende se o navio está carregado ou não e se está com muita craca no casco (deep and dirty) que aumentam atrito. O alcance chega a diminuir 10% se o navio está a mais de 6 meses fora da doca para limpeza do casco. O local de operação também influencia pois em locais quentes como nos trópicos o desempenho dos motores diminui. A forma do casco para velocidade e cruzeiro é diferente, com o peso e a flutuabilidade concentrados mais atrás. Um navio de apoio de combate seria otimizado para cruzeiro.

Os contratorpedeiros tinham que ser mais rápidos que os navios que escoltavam para poder manobrar ao redor e manter a posição. Com a ameaça de armas nucleares e dos mísseis anti-navio este requisito perdeu sentido com os navios ficando bem mais afastados e nem precisavam manter uma posição precisa.

Uma velocidade menor é um meio de manter os custos mais baixos. Com a metade da potência, um Fletcher tinha a velocidade máxima de 35 nós diminuída para 28 nós. A diminuição do tamanho e peso dos motores diminui o tamanho do navio e a quantidade de combustível. Uma planta de propulsão menor permitia sobrar espaço para mais combustível nos contratorpedeiros de escolta. Alcançar contatos submarinos distantes passou a ser trabalho para os helicópteros.

O mar agitado era outra limitação no desempenho dos contratorpedeiros. Durante a incursão contra Tóquio em 1942, o USS Hornet com suas escoltas de quatro cruzadores avançou na fase final a 28 nós, mas os seis contratorpedeiros ficaram para trás a 19 nós pois não podiam acelerar muito com mar muito agitado. Um requisito das fragatas Type 22 era poder navegar a 24 nós em estado de mar 5. A especificação da classe Spruance era usar as armas e sensores de uma fragata de 3 mil toneladas em um casco de 7 mil tons para dar grande autonomia e alta velocidade em mar agitado para acompanhar os porta aviões.

Um navio com hélice única é mais barato e foi implantado nas fragatas classe Perry da US Navy, além de dois motores auxiliares para operar lentamente durante a escuta com o sonar ou para voltar para casa em caso de dano nos motores principais. A experiência mostra que um navio com uma única hélice é apenas 3% menos confiável que um navio com duas. Um acerto por torpedo sempre danificava as duas hélices ou toda a propulsão em um contratorpedeiro. Dos 30 contratorpedeiros torpedeados na Segunda Guerra Mundial, 17 afundaram, 10 foram rebocados e três viraram sucata.

Os sistemas de armas de um navio de apoio de combate seriam pouco sofisticados para diminuir os custos. Para exemplificar, a MB comprou quatro canhões Otomelara de 76mm com um custo de 7,5 milhões de Euros cada. O tamanho do navio pode ser similar ao de um contratorpedeiro como a classe Absalon, mas as armas, sensores e sistemas defensivos seriam equivalentes a uma corveta mais simples ou um navio de patrulha oceânico. Se o cenário exige recursos mais sofisticados então tem que ser acompanhado por escoltas mais capazes.

A modularidade é muito exigente em termos de treinamento. Pode ser necessário uma tripulação maior se revezando nas missões para treinar várias capacidades. Por outro lado, o número de meios para realizar uma vasta gama de missões pode ser menor. Por exemplo, as missões de guerra antisubmarino precisariam apenas de novos módulos de sonar e lançadores de torpedos. Os helicópteros embarcados poderiam ser o único recurso para guerra antisubmarino realizando busca e ataque assim como para guerra de superfície.

O projeto de um navio de apoio de combate dedicado tem a vantagem de ser projetado desde o início para ter formato furtivo. O formato furtivo da proposta da MMC é bem mais parecido com um navio de guerra. Os radares conseguem distinguir os alvos pequenos dos grandes facilmente. Os alvos principais são obviamente os de grande RCS. Com um pequeno RCS, o navio de apoio deixa de ser o alvo principal e vira um entre vários alvos. Alvos falsos com grande RCS podem ser bem atrativos. Um RCS menor também ajuda os sistemas de interferência eletrônica e os Chaff a enganar os radares.

A assinatura térmica pode ser diminuída com coberturas especiais que até diminuem o calor interno. Os sprinkler usados para apagar incêndios nas partes externas do navio podem ser usados em caso de ataque para diminuir a temperatura externa do navio caso exista ameaça de mísseis guiados por calor.

 

Sensores

Os critérios para a escolha dos sensores, armas e sistemas defensivos de um navio de apoio de combate seria determinado pelo baixo custo e não pela capacidade. Os navios operam em Grupos Tarefas e tem que considerar a capacidade dos outros navios. A grande maioria das missões citadas anteriormente, ou pelo menos as missões principais, são cenários de baixa intensidade e não precisam de meios sofisticados que podem e devem ser deixados para as escoltas.

Já na Segunda Guerra os navios eram equipados com um radar de busca de área e um radar de busca de superfície com menor alcance que também era usado para detectar aeronaves voando baixo. O radar de busca não precisa ter alta capacidade, mas precisa ser capaz de detectar pequenos drones aéreos que estão se tornando uma ameaça cada vez mais frequente. A MB está desenvolvendo o radar Gaivota-X capaz de fazer busca aérea com alcance de até 200km. O radar foi testado em um contêiner no NDM Bahia. A MB estuda a capacidade de usar o radar para controle de tiro.

Um radar capaz de operar bem próximo do litoral deve ser capaz de detectar movimento em terra (veículos e pessoas), embarcações, detectar aeronaves e drones, e detecção de artilharia (foguetes, artilharia e morteiros).

Um único radar capaz de detectar alvos aéreos, de superfície, alvos móveis na costa, projéteis de artilharia e drones seria interessante, mas são requerimentos as vezes incompatíveis. Radares de vigilância terrestre fazem vigilância na horizontal e podem ser usados para detectar drones voando baixo. Os alvos são extremamente lentos e podem ser frequentemente ocultos por obstáculos no terreno. Os radares de vigilância aérea têm que ter um bom alcance e serem capazes de detectar alvos voando alto. Já os radares de localização de artilharia têm que fazer uma varredura muito rápido em uma determinada área devido a grande velocidade dos projéteis. Já os radares de sistemas de defesa ativa cobrem uma área bem pequena ao redor do blindado, mas precisam varrer o local com muita frequência para detectar projéteis se aproximando a grande velocidade.

Radares definidos por software pode ser uma solução com o operador podendo determinar que tipo de alvo deseja. Por exemplo, um operador pode querer detectar apenas veículos no litoral ou embarcações ao redor enquanto outro quer apenas o quadro aéreo. Outra opção é um radar capaz de realizar apenas duas funções ao invés de todas. Ver todos os tipos de alvos pode resultar em excesso de informações para o operador.

No caso do uso de sensores sofisticados, os sensores comprados para as novas corvetas classe Tamandaré seriam uma opção para equipar um novo navio de apoio de combate como o radar diretor de tiro STIR 1.2 e as alças optrônicas PASEO XLR. O Sistema de Controle Tático, Comando e Controle SICONTA Mk III do IPqM seria instalado no CIC.

As corvetas da classe Tamandaré serão equipadas com o radar rotativo de busca volumétrica TRS-4D. O radar tem capacidade de realizar vigilância, aquisição de alvos, e controle de tiro contra alvos no ar, mar e terra. O radar também pode fazer tarefas de Suporte Eletrônico (ES) e ataque eletrônico (EA). No caso de quatro navios operando junto com o mesmo radar, é possível manter o radar em uma posição fixa e cada um cobre um setor fazendo varredura eletrônica. Um MAGE inimigo só iria detectar um navio emitindo e não quatro.

Uma torreta FLIR é o minimo necessário para pontaria de canhões, mas um radar de designação de alvos, como o diretor de tiro STIR 1.2 escolhido para as corvetas da classe Tamandaré pode ser necessário contra alvos em cenário de baixa visibilidade e para o disparo de mísseis. Pode ser necessário para fazer iluminação "seca" para induzir um alvo a fazer manobras evasivas e atrapalhar a pontaria.

Uma torreta FLIR de longo alcance com designador a laser agora pode ser considerado um item obrigatório. A torreta CORSED tem um FLIR de pontaria e pode ser usado como sensor. Uma estação de controle na ponte permite o uso como sensor noturno em mau tempo. O canhão Sea Snake também terá um FLIR integrado. Os óculos de visão noturna permitem visualizar um grande navio a até 80km em tempo bom como já percebido pelos pilotos de helicópteros. Outro sensor passivos são os IRST (sensores de busca infravermelho) que indicam contatos ao redor, principalmente quando o navio não está emitindo com o radar, permitindo aumentar a probabilidade de detectar contatos ao redor.

A corveta Tamandaré será equipada com o sonar de casco ASO 713 capaz de detectar submarinos, torpedos, minas ancoradas e navios de superfície. A estação do sonar pode processar dados de sonobóias lançadas por outras aeronaves como o helicóptero embarcado. A estação pode ter interface com outros sensores como Towed Array (passivo e ativo) que aumentam ainda mais o alcance e a probabilidade de detecção.

A classe Absalon foi projetada com a capacidade de uma fragata em termos de sensores e armas.

Radar anti-drone RPS-42 de apenas 29kg capaz de detectar um micro drone a cerca de 5km e um drone médio a 23km. O RPS-42 também pode detectar um helicóptero a 25km, um projétil de morteiro leve a 5km, uma pessoa a 10km e um veículo a 25km. Quatro antenas permitem cobertura de 360 graus.


Uma torreta FLIR mostrando um navio a longa distância. A imagem indica uma distância de 60km. Sensores de longo alcance podem gerar economia ao evitar que um helicóptero seja lançado para conferir um contato que pode ser o mau tempo. Durante a Guerra das Malvinas eram lançadas aeronaves Sea Harrier e em uma ocasião foram disparados quatro mísseis Sea Dart contra um contato que era Chaff de navios aliados. As vezes o contato de superfície próximo era um navio amigo e tinham que usar projéteis de canhões iluminativos para identificar. Um FLIR permitiria evitar desperdícios de recurso ao fazer a identificação a longa distância.

 

Armas

Caso um navio de apoio de combate seja projetado com defesas permanentes mais sofisticadas, o padrão da MB é usar canhões de 40 mm para se defender de alvos aéreos e mísseis. Podem ser usados também contra alvos navais como lanchas rápidas. As fragatas classe Tamandaré serão equipadas com um canhão Bofors 40 Mk4 enquanto o canhão Leonardo 76/62 mm pode ser usado contra alvos no mar, no ar e em terra. Estes canhões precisam de um radar de controle de tiro para serem efetivos o que poderia aumentar consideravelmente o custo de um navio.

A capacidade de defesa aérea de uma escolta pode varias desde defesa de ponto (autodefesa), área curta ou área extendida. Mesmo que o navio só tenha capacidade de autodefesa, pode ser um sistema mais caro capaz de contrapor ataques de saturação como ter dois ou três canhões. Os mísseis Sea Ceptor dariam capacidade de defesa contra aeronaves com armas guiadas de curto alcance. Contra aeronaves equipadas com armas guiadas de longo alcance seria necessário operar com um porta-aviões equipado com caças e aeronaves de alerta aéreo antecipado.

O padrão atual é equipar os navios de guerra com 16 mísseis anti-navio para saturar as defesas do alvo. O mesmo pode ser conseguido com vários navios disparando contra apenas um alvo ao mesmo tempo. O mínimo que poderia ser levado para as missões anti-navio seriam os helicópteros armados com mísseis como os UH-15 com o Exocet, o MH-60 com o Penguim e o Lynx com o Spike NLOS. Atuando como plataforma de helicópteros, os meios aéreos podem ser considerados como armas ofensivas e defensivas.



Helicóptero Lynx armado com uma metralhadora M3 calibre 12,7mm usado para apoiar missões de abordagem (foto) e proteção de força.



A Ares produz o sistema CORCED equipada com um FLIR. As corvetas da classe Tamandaré serão equipadas com a torreta Sea Defender calibre 12.7 mm. A experiência dos blindados equipados com torretas remotas em combate no Afeganistão e Iraque mostrou que a pouca munição disponível era compensada pela grande precisão do sistema até contra alvos móveis.

Um navio da classe Absalon disparando o canhão de 127mm. O navio está navegando lentamente, mas em combate disparam acelerado e em zig-zag.

 

Cruzador Auxiliar

Navios mercantes armados eram navios de transporte equipados com canhões para autodefesa contra piratas. Durante as guerras, os navios mercantes geralmente operam em comboios com escoltas, mas as vezes tinham que navegar sozinhos e tinham que ser rápidos. Na primeira Guerra Mundial, os cruzadores auxiliares eram mercantes armados usados ofensivamente como incursores mercantes, sendo usados principalmente pelos alemães. As vezes tinham até sucesso contra navios de guerra atacando de surpresa. Usavam mastros falsos, chaminés falsas e pinturas para esconder a identidade real. Os canhões ficavam escondidos para poder se aproximar da presa. Navios capturados ou modificados eram mais fáceis de enganar o inimigo.

Os britânicos usavam os mercantes armados como escolta de comboios, mas depois foram convertidos como transporte de tropas. Os Q-ship eram navios mercantes armados usados como isca para os submarinos tentarem atacar na superfície e depois revidavam. Foram usados nas duas guerras mundiais. O Japão também usava navios mercantes rápido para reconhecimento. Cuba usa traineiras convertidas com armamentos como fragatas, incluindo torre de blindado T-55. Durante o conflito na Líbia em 2011, Kadafi usou mercantes equipados com canhões de artilharia para fazer bloqueio de cidades pelo mar.

O conceito de modularidade pode abranger também as armas de um navio de apoio de combate. As opções de armas provisórias mais sofisticadas que podem ser instaladas já estão disponíveis na forma de blindados como os Leopard 1, Guepard e Guarani com torre Remax do EB que ficariam no convés superior para defesa do navio contra ameaças na superfície e para ataque contra alvos na praia como no caso do Leopard e Guepard. No caso de um carro de combate, o convés deve ser capaz de suportar o disparo de armas de grosso calibre.

O USMC testou o uso de blindados LAV-25 contra ameaça de pequenas embarcações rápidas em navios anfíbios. Os testes incluíram o uso de snipers, veículos Humvee armados com mísseis TOW e os LAV-25. A US Navy usava mísseis portáteis Stinger para defesa dos seus navios de apoio. Nossas forças armadas tem a opção dos mísseis IGLA, RBS-70 e Mistral.

Contra ameaças de baixa intensidade, as defesas são chamadas de proteção de força e incluem os recursos dos helicópteros embarcados (Airborne Use of Force - AUF). É uma missão muito realizado em locais restritos. O MV Ocean Trade do SOCOM tem como defesa apenas seis pedestais para metralhadoras e lança-granadas mais as armas das tropas embarcadas como fuzil de sniper, metralhadoras, canhão sem recuo Carl Gustav e mísseis Javelin.

Nas missões anti-navio, um navio de apoio de combate lembra um cruzador auxiliar da Segunda Guerra. Eram navios mercantes rápidos armados para proteger comboios. Os cruzadores iam na frente dos comboios para proteger contra cruzadores inimigos que eram a principal ameaça. O papel de reconhecimento a frente de um comboio depois passou para as aeronaves. Atualmente são usados helicópteros que também podem atacar as ameaças com mísseis. No início do século XX, a US Navy estimava que quatro cruzadores poderiam acabar com o comércio marítimo de um país. Hoje seriam navios equipados com helicópteros contra países com pequenas marinhas. Uma característica dos cruzadores é poder operar de forma independente por longos períodos, mas o contratorpedeiro é o menor navio capaz de operar de forma independente contra marinhas pequenas.

Blindado LAV-25 em um navio anfíbio da US Navy durante testes de defesa contra ameaça de embarcações rápidas.



Soldado do USMC operando um míssil anti-carro Javelin em um navio da US Navy operando na costa do Iêmen.



O navio australiano HMAS Kanimbla participou da Guerra do Golfo em 2003. Uma defesa do navio era um destacamento de mísseis RBS-70 do exército australiano similar ao usado pelo EB.

Lançadores de mísseis Stinger em um navio da US Navy. Já no inicio da década de 1960 havia propostas para substituir os reparos de metralhadoras calibre 12,7mm pelos mísseis Redeye.

Teste do míssil Mistral contra embarcações rápidas na superfície para adicionar a capacidade de proteção de força. O Mistral foi usado pelos helicópteros Tiger durante o conflito na Líbia em 2011 para atacar veículos em terra.

Instalação de um módulo do sistema de mísseis superfície-ar Tor-M2KM na fragata Almirante Grigorovich da Marinha Russa. O sistema foi projetado para uso terrestre, mas funciona em um navio.

 

Conclusão

Os navios multiemprego são multiplicadores de força e podem maximizar a capacidade de qualquer Marinha, pela ampla diversidade de operações e missões que são capazes de executar. As opções de tamanho são bem variadas, indo desde um grande navio mercante adaptado como a classe Prevail, um navio bem armado como uma fragata com convés flexível como a classe Absalon e um navio de apoio logístico furtivo como o projeto da MMC. Os sistemas de armas também são bem variados em termos de capacidades e custos, variando desde uma fragata até o armamento mais simples de um navio patrulha. Até mais de um tipo de navio multipropósito pode ser adquirido para ampliar ainda mais a flexibilidade.

A Força de Superfície é dividida em três esquadrões. O 1o Esquadrão de Escolta tem sob sua subordinação as fragatas classe Niterói; o 2o Esquadrão de Escolta conta com as fragatas classe Greenhalgh, as corvetas classe Inhaúma e a Corveta Barroso; e o 1o Esquadrão de Apoio possui o Navio-Doca Multipropósito Bahia, o Navio de Desembarque de Carros de Combate Mattoso Maia, o Navio-Tanque Almirante Gastão Motta e os navios de desembarque de carros de combate classe Garcia D’Avila. Os navios de apoio de combate podem formar um esquadrão de apoio ou até atuar como líder de Esquadrão de Escolta.

Os navios de apoio de frota de grande porte estão sendo chamados de navios de apoio conjunto (Joint Support Ship - JSS) para apoiar forças no mar, terra e no ar. Enquanto um JSS apóia a esquadra em operações de média e alta intensidade, um navio de apoio de combate apoiaria as missões de baixa a média intensidade liberando os navios mais capazes para as missões mais difíceis.

Proposta do estaleiro Navantia para um navio de apoio conjunto para a Austrália. O navio foi baseado no navio anfíbio Galícia com um conceito semelhante ao HNLMS Karel Dorrman holandês. O navio levaria 300 tropas, 500 toneladas de carga, 3.500 toneladas de combustível e 600 toneladas de AVGas.
 

 

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