J-20 O Caça Chinês de Quinta Geração
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Em novembro de 2009, o General Chinês He Weirong anunciou que o novo caça de Quinta Geração chinês iria entrar em operação entre 2017 e 2019. A informação não foi levada muito a sério até que algumas fotos da nova aeronave começaram a parecer no dia 11 de janeiro de 2011. Logo foram questionadas e citadas com sendo desinformação, mas após o voo da aeronave e o surgimento de mais fotos com mais detalhes logo ficou claro que era o novo caça chinês.
O projeto é chamado de J-XX desde 1997 pela inteligência da US Navy e já era sugerido que seria um bimotor com configuração canard/delta e cauda dupla. Várias possíveis configurações da aeronave apareceram na internet. Os analistas americanos esperavam que voasse após 2020. A linha de produção do F-22 foi fechado pois não esperavam uma ameaça da China ou Rússia. Dois anos depois, com PAK-FA e o J-XX aparecendo, pensaram até em reabrir a linha de produção.
Pelos cálculos americanos em 2016 a USAF terá 300 caças F-35 e 180 caças F-22 com o J-20 ainda entrando em serviço. Em 2020 serão cerca de 50 caças J-20 e em torno de 200 em 2025 contra mais de mil caças furtivos operando na USAF e US Navy.
O problema maior não está no ar e sim a ameaça que o J-20 representa contra alvos em terra. Os números escondem o potencial do novo caça e o estrago que pode causar.
Estimando-se os dados como o centro gravidade, área da asa e entrada de ar é possível deduzir que o J-20 não foi otimizado para combate aéreo aproximado. Parece mais uma aeronave de ataque de alta velocidade.
Um tipo de cenário para a aeronave é passar pelos interceptadores e atacar alvos de alto valor como os porta-aviões americanos usando a invisibilidade como faria um submarino contra as escoltas. O J-20 parece otimizado para supercruzeiro para aumentar o alcance de armas atuando como plataforma de mísseis. Outra opção é interceptar aeronaves AWACS no ar ou em terra sendo mais fácil que atacar caças no ar. Os atuais caças de quarta e terceira geração seria alvos fáceis.
No combate aéreo o J-20 pode não ser suficiente para contrapor o F-22 ou F-35, mas certamente vai ser um páreo duro contra aeronaves de quarta geração ou anterior, e contra aeronaves de alvo valor como AWACS, reabastecedores e de vigilância. A maioria dos vizinhos da China, incluindo Taiwan, ficariam em franca desvantagem.
O J-20 não vai tentar encarar o F-22 no combate 1x1, mas também não existem muitos F-22 para contrapor. Os caças P-38 não eram bons contra os caças Zeros japoneses no combate aproximado, mas também não precisavam. A velocidade nivelada e a razão de subida superior permitia aos pilotos dos P-38 controlar o engajamento e só atacavam quando tinha vantagem.
A capacidade de ataque poderá ser o maior trunfo do J-20 tentando atacar os F-22, e outras ameaças, em suas bases aéreas. Assim o J-20 atuaria com arma anti-acesso ou negação de área. A estratégia chinesa inclui o uso de mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro.
Por outro lado, mesmo não sendo otimizado para manobrabilidade, o combate aéreo aproximado pode ser vencido com furtividade, sensores, datalinks e armas sofisticadas como foi a abordagem no projeto do F-35 americano. A maioria dos combates aéreos é vencido com surpresa e a furtividade seria o primeiro passo para garantir o primeiro disparo.
No papel de superioridade aérea o J-20 atuaria sobre o território inimigo, atacando o inimigo no ar, mas também em terra. Os alvos incluiriam bases aéreas, radares e centro de comandos, todos relacionados com a batalha aérea. Como Escolta de longo alcance atuando ofensivamente para criar brechas para aeronaves de ataque convencionais atuar, ou protegendo os AWACS e reabastecedores chineses.
As defesas aéreas da USAF, US Army e US Navy não estão preparadas para conter aeronaves furtivas com o J-20 e o PAK FA. Radares ocidentais que operam na banda L como o MESA, APY-9 e EL/M-2075 podem ser melhores contra aeronaves furtivas, mas ainda são insuficientes. O efeito será o mesmo que o F-117 criou nos radares iraquianos de origem soviética na guerra do Golfo em 1991.
Os radares de engajamento como o MPQ-53/65 do Patriot e o SPG-62 do AEGIS, e radares de caças operando na banda C/X serão severamente degradados. Era uma situação não esperada pelo ocidente onde o desenvolvimento de sistemas terrestres priorizou a capacidade anti-mísseis balísticos e atualmente os sistemas C-RAM (anti foguete, artilharia e morteiros) para proteção de tropas. Já os russos investiram em radares operando na banda VHF com capacidade anti-furtiva e para contrapor as armas guiadas ocidentais. Agora poderá ser também a estratégia de desenvolvimento ocidental.
Um cenário típico pode ser um conflito entre a China e Taiwan. Com os caças Su-27 Flanker os chineses tentariam atacar aeronaves AWACS e de reabastecimento operando sobre a ilha. Grandes formações de Flankers avançariam em voo supersônico tentando saturar as defesas. Os que passassem tentariam atingir seus alvos. Porém, o Flanker não consegue voar mais de 10 minutos em voo supersônico pois o uso dos pós combustores gasta muito combustível. O problema seria ainda maior se os alvos fugissem na direção contrária.
Ao sobrevoarem a ilha a maior ameaça passaria a ser mísseis superfície-ar de longo alcance como os Patriot. Os AWACS e reabastecedores estariam posicionados de forma a aproveitar esta proteção. Os Flanker seriam engajados e os pilotos teriam que decidir se iniciam ações evasivas ou continuam o ataque e se transformam em alvos fáceis confiando nos seus sistemas de guerra eletrônica para sobreviver.
Com o J-20 o cenário seria bem diferente. O J-20 demoraria a ser detectado e o tempo de reação do inimigo seria bem menor. O J-20 poderia voar cerca de 30 minutos em voo supersônico usando o supercruzeiro tendo potencial de alcançar seus alvos, mesmo que estejam fugindo. A furtividade daria uma boa proteção contra os mísseis Patriot, que também entrariam na lista de alvos.
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As asas do J-20 são relativamente pequenas e para compensar a perda de manobrabilidade foi usado o conceito de liftbody junto com os LERX para tornar os requerimentos supersônicos e subsônicos compatíveis. A manobrabilidade transônica costuma ser incompatível com requerimento de desempenho supersônico. Uma asa de grande razão de aspecto, pequeno angulo de enflechamento e grande espessura relativa da corda é necessária para manobrabilidade enquanto para voar supersônico é necessário uma asa de pequeno razão de aspecto, grande enflechamento e uma espessura bem pequena. Como um caça de Quinta Geração deve enfatizar o supercruzeiro, voando a Mach 1,5 por 30 minutos na potencia militar máxima, as formas aerodinâmicas são fundamentais, mas entram em conflito com a manobrabilidade a baixa velocidade. Com um motor potente o problema não seria tão grave, mas os chineses não tem este motor. Os motores atuais chineses tem razão de potencia de 7,5 e o necessário é pelo menos 10. Os motores americanos já atingem 11. O J-10 só se tornou viável com a disponibilidade de motores AL-31 russos ou demoraria muito tempo até se tornar operacional. A razão entre carga subsônica pela razão de arrasto determina o alcance máximo e o desempenho em curva. Os chineses aparentemente sacrificaram esta razão para melhorar o desempenho supersônico. As asas foram enflechadas 50 graus e tem razão de aspecto menor que a do F-22. A aerodinâmica foi otimizada com uma fuselagem bem comprido, as custas de um peso maior, e superfícies de controle menores e totalmente móveis, além da entrada de ar com técnica DSI.
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GIF animada mostrando o acionamento do freio aerodinamico. O padrão atual é usar as superfície de controle de modo assimétrico para criar arrasto e ao mesmo tempo economizar peso e espaço.
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Uma cauda totalmente móvel como a do F-117 o que é comum em aeronaves furtivas, mas também ajuda na manobrabilidade em velocidade supersônica. O canard de grande deflexão pode ser usado como freio aerodinâmico durante o pouso.
Descrição
Os chineses não costumam anunciar dados das suas novas aeronaves como é comum no ocidente. No caso do caça J-10 a aeronave só foi anunciada oficialmente quando estava em operação e com um Regimento completo equipado com a aeronave. Então é possível deduzir que o novo caça só será anunciado publicamente na mesma situação o que pode ocorrer no começo em torno de 2020. Mesmo assim as autoridades chinesas não tiveram preocupação nenhuma em espantar os spotters na pista da fabricante Chendug e nem censurar as fotos na internet.
Uma das primeiras dúvidas é se a aeronave é um demonstrador de tecnologia ou um protótipo de desenvolvimento. A China não libera informações como Rússia e muito menos como o Ocidente. Outra dúvida é o objetivo do projeto pois pode ser desenvolver um interceptador para substituir o J-9 ou um bombardeiro para substituir o JH-7 ou as duas opções.
Os dados sobre a aeronave são todos estimados a partir de fotos na internet. O que se tem certeza é que é um caça tático pesado e a configuração canard-delta. As dimensões foram estimadas como sendo 22 a 24 metros de comprimento e 13 a 14 metros de largura.
O peso máximo de decolagem foi estimado em torno de 40 toneladas o que o coloca na mesma classe do F-111 com raio de ação de 1800 km, mas com intenção de entrar em combate aéreo. A configuração da fuselagem sugere uma fração combustível alta, com grande volume e asa delta. O tamanho semelhante ao F-111 pode significar também a mesma missão - ataque de penetração, também tendo capacidade anti-navio respeitável.
O grande alcance do J-20 seria uma ótima forma de defesa. Existem mais de 200 bases aéreas disponíveis para a frota de J-20 dispersar não precisado atuar em bases avançadas onde estaria mais vulneráveis. O J-20 pode ficar bem dentro território chinês e ser reabastecido antes de entrar na área de operação.
O projeto do J-20 parece otimizado para supercruzeiro a grande altitude. A fuselagem não tem "regra de área" o que significa que é otimizado para voo a Mach 1 a 1.5. A entrada de ar em forma de "S" tem bom potencial de diminuir o RCS no setor frontal.
A entrada de ar usa a técnica DSI (Diverterless Supersonic Inlet) como usado no F-35 para diminuir o RCS. Os chineses já tinham testado uma entrada de ar com conceito DSI no caça J-10B. O DSI é ideal para voo supersônico, mas é otimizada para um Mach específico (por exemplo Mach 1,6 para supercruzeiro). A entrada de ar é longa, e futuramente pode receber um motor maior.
Foram vistos dois protótipos do J-20 e estavam equipados com motores diferentes. Aparentemente é uma versão do AL-31F e da WS-10G (copia chinesa da AL-31). A AL-31 não é otimizada para voo supersônico e o novo caça vai precisar de um novo motor. Serve para um protótipos e até foram vistos decolar sem ligar o PC.
No inicio de 2009 foi anunciado que os chineses estavam desenvolvendo o WS-15 de 17-18 toneladas de empuxo, sendo ideal para o J-20. Mesmo equipado com o WS-15 o J-20 terá uma relação peso:potência menor que um caça de quarta geração, continuando a favorecer a carga e velocidade ao invés da agilidade.
O novo motor poderá ser o maior problema pois a Shnyang Liming (fabrica 606) já esta tendo dificuldade de produzir o motor WS-10 em massa, então uma versão mais potente deve demorar mais ainda.
O desenvolvimento de eletrônicos e motores em terra pode estar já acelerado. Os chineses geralmente estão décadas atrás ocidente, mas o gap está se estreitando rapidamente. A parte mais essencial dos eletrônicos do J-20 é a capacidade fusão de sensores para acompanhar alvos com o mínimo de transmissões enquanto voa bem baixo com uma navegação precisa.
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A imagem acima é tida como sendo o simulador do J-20.
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Em 2011 apareceram fotos na internet de um caça J-10B com uma antena de radar AESA. A tecnologia de desenvolvimento de eletrônicos avançados na china está se aproximando da capacidade ocidental e russa. Os russos podem estar ajudando os chineses a desenvolver seus sistemas.Furtividade
A forma da aeronave é critica para um projeto furtivo. Os chineses certamente aproveitaram dados de imagens e talvez dados secretos dos caças americanos. O acesso a artigos técnicos, livros, cursos, patentes e outras fontes abertas devem ter sido amplamente utilizadas. Outras tecnologias são mais difíceis de obter como material absorvente de radar, radome seletivo a frequencia, antenas de baixa assinatura e tecnologia dos escapes dos motores.
Os chineses tiveram acesso a tecnologia furtiva do F-117 que caiu na Sérvia em 1999. A tecnologia furtiva usada no F-117 já é considerada ultrapassada. O F-117 não tinha antenas sofisticadas e a única disponível era retrátil. A janela do FLIR usava uma tela de titânio sendo uma técnica que não é mais usada. O material absorvente de ondas eletromagnética usada no F-117 era pesado e espesso. Talvez nem seja compatível com uma aeronave supersônica.
As técnicas furtivas visíveis no J-20 parecem bem melhores que as usadas no PAK-FA russo. Os russos não parecem se preocupar com defesas aéreas multicamadas como o da OTAN nem em atacar os porta-aviões americanos. O projeto usa conceitos comprovados, uma forma politicamente correta de dizer que copiaram os americanos. A seção frontal lembra muito a do F-22 Raptor.
A técnica de alinhamento de plataforma e bordas é visível indicando que concentram o RCS em poucas direções. As portas e aberturas tem serrilhados como é visível em outras aeronaves furtivas. Algumas fotos posteriores mostraram os contornos serrilhados das baias de armamento inferior e as portas de baias laterais abertas.
A parte traseira não é furtiva, mas ainda pode ser uma situação provisória até o novo motor entrar em serviço. Mesmo assim a furtividade frontal é a mais importante podendo ser usado em circunstancias onde desengajaria, vira e foge, mantendo o controle do engajamento.
Bem mais difícil de estimar, principalmente em um protótipo, são as técnicas usadas nos pequenos detalhes como aberturas das antenas, radome seletivo a frequencia e material absorvente de radar. Uma parte importante da tecnologia furtiva é um bom sistema de planejamento de missão que cria um caminho entre os radares inimigos de forma que a aeronave voe automaticamente mostrando sempre as faces de baixo RCS para as ameaças.
A reação americana contra caças furtivos já está em operação na forma de novos radares de caças. Em testes em 2009, um radar do F-35 cativo no 757 de testes conseguia detectar e jammear o radar do F-22. Nos testes do radar AESA do F-15 em Okinawa também mostrou que podia detectar pequenos objetos no ar e era este o objetivo. O radar MESA band L do 737 AEW tem mais potencial ainda contra alvos furtivos.
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Fotos recentes mostram detalhes das portas do compartimento interno de armas do J-20.
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Imagem da baia lateral de armamento.
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As portas do trem de pouso são serreadas sendo o padrão em aeronaves furtivas. O detalhe foi percebido logo no primeiro voo e está visível em toda a aeronave.
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Os detalhes do cockpit lembra muito o F-22. O tamanho do piloto dá uma idéia da dimensão da aeronave.
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Os chineses vêm desenvolvendo novas armas guiadas para seus caças incluindo armas pequenas que podem ser instaladas em compartimentos internos de armas. Na foto acima um caça J-11B chinês foi visto com uma versão do PL-12 com asas curtas. O míssil está sendo chamado de PL-12C sendo uma versão para ser levada internamente no J-20.![]()
A china vem desenvolvendo muitas armas ar-superfície guiadas recentemente. Uma é a LT-3 de 500kg comparável a JDAM Laser americana. A LT-3 é pequena o suficiente para ser levada em um compartimento interno de armas.
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